"Não se conhece o homem por sua animação, mais pela quantidade de sofrimento verdadeiro que ele é capaz de suportar!..." (Charles Thomas Studd)

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

Bom Dia Espirito Santo.

Bom Dia espírito santo




Bom Dia Espírito Santo
Benny Hinn



Título original: Good Morning, Holy Spirit
Traduzido por Neyd Siqueira
Bom Pastor Editora Ltda.
Digitalizado, Revisado e formatado por SusanaCap

Agradecimentos:

Meus agradecimentos a Neil Eskelin pelo seu trabalho de consulta e editoração no preparo deste manuscrito.
Quero também agradecer a minha amorosa mãe pelas orações e a Shery Palmquist, Chris Hinn, Nancy Pritchard, Sammy Hinn, Geni Polino, e à equipe do Centro Cristão de Orlando pela ajuda neste projeto.
Agradeço especialmente à minha querida esposa, Suzanne, pelo seu amor e apoio constante.
Dedicatória:

À pessoa do Espírito Santo, que é a única razão de minha existência. Às minhas filhas, Jéssica e Natasha, que levarão esta mensagem à sua geração, caso o Senhor venha a demorar.

Í N D I C E:

Capítulo 1 – Será que posso conhecê-Lo de verdade?
Capítulo 2 – De Haifa aos confins da terra
Capítulo 3 – Tradição, Tradição.
Capítulo 4 – De pessoa para pessoa
Capítulo 5 – De quem é a voz que você está ouvindo?
Capítulo 6 – Espírito, Alma e Corpo.
Capítulo 7 – Vento para as suas velas
Capítulo 8 - Uma entrada poderosa
Capítulo 9 – Espaço para o Espírito
Capítulo 10 – A pouca distância
Capítulo 11 – Por que choras?
Capítulo 12 – O céu na terra

Capítulo 1 – Será que posso conhecê-Lo de verdade?
Faltavam três dias para o Natal de 1973. O sol começava a nascer naquela manhã fria e nevoenta de Toronto.
De repente Ele chegou. O Espírito Santo entrou em meu quarto. Sua presença era tão real para mim naquela manhã quanto ao livro que você tem agora nas mãos.
Nas oito horas que se seguiram eu tive uma experiência incrível com o Espírito Santo. Ele mudou o curso de minha vida. Lágrimas de assombro e alegria escorreram pelo meu rosto quando abri as escrituras e ele foi dando as respostas às minhas perguntas.
Meu quarto parecia ter subido para o hemisfério dos céus. E eu queria ficar ali para sempre. Tinha acabado de fazer vinte e um anos e essa visita foi o melhor presente de aniversário ou de Natal que eu já havia recebido.
Meus pais se achavam bem perto, no fim do corredor. Eles jamais poderiam compreender o que estava acontecendo com o seu Benny. De fato, se soubessem o que ocorria comigo, essa seria a gota d’água que faltava para acabar definitivamente com o que restava de harmonia em nossa família. Durante quase dois anos desde o dia em que entreguei minha vida a Jesus, não houve mais praticamente comunicação entre mim e meus pais. Uma situação medonha! Como filho de imigrante israelita eu havia humilhado a família ao quebrar a tradição. Coisa alguma em minha vida tivera efeito tão devastador assim.
Em meu quarto, porém, tudo era energia pura. Algo indizível, cheio de glória! Se alguém me dissesse apenas 48 horas antes o que me esperava, eu sem dúvidas responderia: – Isso está fora de cogitação!
Mas, desde o momento em que o Espírito Santo se tornou vivo em minha vida, ele deixou de ser apenas uma “terceira pessoa” distante da Trindade. Era agora real. Tinha uma personalidade.
Eu quero então compartilhá-Lo neste momento com você.
Meu amigo, se você está preparado para começar uma nova relação pessoal com o Espírito Santo, o que vai superar tudo o que jamais sonhou, continue lendo. Caso contrário, recomendo que feche este livro para sempre. É isso mesmo! Feche o livro! Porque o que pretendo dizer-lhe irá transformar a sua vida espiritual.
De repente, vai acontecer com você. Pode ser enquanto esteja lendo. Talvez ao orar. Ou quando estiver a caminho do trabalho. O Espírito Santo irá responder ao seu convite.
Ele vai tornar-se o seu amigo mais íntimo, o seu guia, seu consolador, seu companheiro de vida. Quando você e Ele se encontrarem, você dirá: - Benny! Quero contar o que o Espírito Santo tem feito em minha vida!
Revelado o poder de Deus
Uma noite curta em Pittsburgh
Meu amigo, Jim Poynter, me pediu para acompanhá-lo numa viagem de ônibus até a cidade de Pittsburgh, na Pensilvânia. Conhecera Jim, um ministro da igreja Metodista Livre, na congregação que eu freqüentava. O grupo se dirigia para uma reunião de uma evangelista que fazia curas, Katryn Kuhman.
Para ser sincero, eu sabia bem pouco sobre o ministério da srta. Kuhman. Tinha assistido a uma entrevista que dera na televisão e ficara desiludido. Achei que falava de um modo engraçado e parecia meio estranha. Não esperava, portanto, muito dela.
Mas Jim era meu amigo e não queria decepcioná-lo. No ônibus eu disse: - Jim, você não sabe como foi difícil convencer meu pai a me deixar fazer esta viagem. – Depois de minha conversão, meus pais fizeram todo o possível para me impedir de comparecer à igreja. E agora, ao falar da ida a Pittsburgh, eles acharam um absurdo. Mas finalmente me deram sua permissão, relutantes.
Partimos de Toronto na metade da manhã de Quinta-feira. O percurso que deveria durar sete horas foi prolongado por causa de uma tempestade de neve. Só chegamos ao hotel cerca de uma hora da madrugada.
Jim então me disse: – Benny, temos de levantar às cinco horas.
- Cinco da manhã? – eu perguntei. – Mas, por quê?
Ele respondeu que teríamos de estar na porta do prédio da reunião às seis horas para conseguir entrar.
Eu não podia crer em meus ouvidos. Quem jamais ouviu falar de ficar exposto ao ar gelado, antes do sol nascer, para ir à igreja? Jim, afirmou, porém, que era exatamente isso que precisávamos fazer.
O frio cortava a pele. Levantei-me às cinco e coloquei todos os agasalhos que pude encontrar: botas, luvas, tudo, enfim. Eu parecia um esquimó.
Chegamos à Primeira Igreja Presbiteriana, no centro de Pittsburgh, enquanto ainda estava escuro. Mas o que me chocou foi verificar que centenas de pessoas haviam chegado antes de nós. E as portas só se abririam dentro de duas horas.
O fato de ser pequeno tinha as suas vantagens. Eu comecei a me esgueirar entre as pessoas, chegando cada vez mais perto das portas e arrastando Jim comigo. Havia até pessoas dormindo nos degraus da frente. Uma mulher me disse: – Eles passaram a noite aqui.
Toda a semana é a mesma coisa!
Enquanto permanecia ali esperando, comecei de repente a sentir uma vibração, como se alguém tivesse agarrado meu corpo e começasse a sacudi-lo.
Pensei por um momento que o ar frio me tivesse feito mal. Mas estava vestido com roupas quentes e certamente não sentia muito frio. Um tremor incontrolável, não obstante, tomou conta de mim.
Nada parecido acontecera comigo antes. E não parou. Eu fiquei envergonhado demais para contar ao Jim, mas podia sentir meus ossos chocalhando. Sentia meus joelhos e minha boca tremerem. O que está acontecendo comigo? – pensei – será o poder de Deus? – Eu não conseguia entender.
Correndo pela igreja
A essa altura as portas iam ser abertas e a multidão começou a empurrar de tal forma que eu mal podia mover–me. Mas a vibração em meu corpo mesmo assim não cessou.
Jim disse: – Benny, quando as portas abrirem corra o mais depressa possível.
Por quê? – perguntei.
- Se não fizer isso, eles vão esmagá-lo. – Ele já estivera ali antes e sabia o que esperar.
Eu jamais tivera idéia de participar de uma corrida para entrar numa igreja, mas era o que estava acontecendo. Quando abriram as portas eu parti como um atleta olímpico.
Passei na frente todo mundo: velhos, jovens, todos eles. De fato, cheguei à primeira fila e tratei de sentar-me. Um recepcionista me informou que a primeira fileira estava reservada.
Soube mais tarde que a equipe da Srta. Kuhlman escolhia as pessoas para sentar nessa fileira especial. Ela era tão sensível ao Espírito que só queria o apoio em oração de pessoas positivas, que ficassem à sua frente.
Por ser bastante gago, eu sabia que era inútil tentar discutir com o recepcionista. A segunda fila já estava lotada, mas Jim e eu encontramos lugar na terceira.
O culto só começaria dali a uma hora. Tirei o casaco, as luvas e as botas. Enquanto relaxava, percebi que tremia mais que antes. Não conseguia parar. As vibrações percorriam meu braço e pernas, como se estivesse ligado a uma espécie de máquina. A experiência era nova para mim. Para ser sincero, sentia medo.
Enquanto o órgão tocava, eu não conseguia pensar em outra coisa além do tremor em meu corpo. Não era uma sensação de “doença”. Não era como se estivesse pegando um resfriado ou uma virose. Na verdade, quanto mais continuava tanto mais bela parecia. Era uma sensação invulgar, que não tinha nada de imaterial.
Nesse momento, como se saísse do nada, Kathryn Kuhlman apareceu. Num instante a atmosfera naquele prédio ficou carregada. Eu não sabia o que esperar. Não senti nada ao meu redor. Nenhuma voz. Nenhum coral de seres angelicais. Nada. Tudo o que sabia é que estivera tremendo durante três horas.
Depois disso, quando começaram a cantar, fiz algo que jamais esperei fazer. Fiquei de pé. Minhas mãos se levantaram e as lágrimas escorreram pelo meu rosto enquanto cantávamos “Quão grande és Tu”.
Era como se eu tivesse explodido. Nunca antes as lágrimas haviam fluído dos meus olhos tão rapidamente. Falo de êxtase! Que sensação gloriosa!
Eu não cantava como normalmente costumava fazer na igreja. Cantava com todo o meu ser. E quando cheguei às palavras “Então minh’alma canta a Ti, Senhor”, eu me coloquei literalmente a cantar com a alma.
O Espírito desse hino me envolveu de tal forma que levei alguns minutos para perceber que não tremia mais.
Mas a atmosfera do culto continuou. Pensei que havia sido totalmente arrebatado.
Adorava de um modo que jamais fizera antes. Era como se encontrasse face a face com a verdade pura e espiritual. Quer alguém mais sentisse isso ou não, era o que eu sentia.
Deus já tocara a minha vida em minha pouca experiência cristã, mas nunca como Ele estava tocando nesse dia.
Como uma onda
Enquanto ficava ali, continuando adorar ao Senhor, abri os olhos para olhar ao redor, porque senti subitamente uma corrente de ar. Não sabia de onde ela vinha. Era leve e lenta, como uma brisa.
Olhei para os vitrais, mas estavam todos fechados e eram altos demais para permitir a corrente.
A brisa estranha que senti era, porém, mais como uma onda. Eu sentia descer por um braço e subir pelo outro. Na verdade tive a sensação de que ela se movimentava.
O que estava acontecendo? Todos pensariam que tinha perdido o juízo.
Por um período de dez minutos mais ou menos, as ondas de vento continuaram a correr sobre mim. Depois senti como se alguém envolvesse meu corpo num cobertor – um cobertor quente.
Kathryn começou a ministrar ao povo, mas eu estava tão perdido no espírito que isso realmente não importava. O Senhor se achava mais próximo de mim do que nunca antes.
Senti que devia falar com o senhor, mas tudo o que pude murmurar foi: – Jesus querido, tenha misericórdia de mim – Repeti: - Jesus, por favor, tenha misericórdia de mim.
Eu me considerava tão indigno.
A meu ver, estava na mesma condição de Isaías ao entrar na presença do Senhor.
“Ai de mim! Estou perdido! Porque sou homem de lábios impuros, habito no meio dum povo de lábios impuros, e os meus olhos viram o Rei, o Senhor dos Exércitos” (Is. 6.5).
A mesma coisa aconteceu quando as pessoas viram a Cristo. Elas imediatamente sentiram sua imundícia, sua necessidade de purificação.
Foi isso que ocorreu comigo. Era como se um refletor gigante estivesse focalizado em mim. Tudo o que podia ver eram a s minhas fraquezas, meus defeitos, meus pecados.
Repeti muitas vezes: – Jesus amado, tenha misericórdia de mim.
Ouvi então uma voz que sabia ser do Senhor. Era mui gentil, mas inconfundível. Ele me disse: – Minha misericórdia é abundante sobre você.
Até essa altura dos acontecimentos, minha vida de oração era a de um cristão normal. Mas agora eu não estava apenas falando com o Senhor, Ele estava falando comigo.
Oh! Que comunhão esplêndida era aquela!
Eu não tinha condição de saber que aquilo que ocorria comigo na terceira fileira da Primeira Igreja Presbiteriana em Pittsburgh não passava de um antegozo do que Deus planejara para o futuro.
As palavras soavam em meus ouvidos: – minha misericórdia é abundante sobre você.
Senti-me chorando e soluçando. Nada havia em minha vida que pudesse comparar-se ao que sentia. Eu estava tão cheio e transformado pelo Espírito que nada mais importava.
Não ligava se uma bomba nuclear atingisse Pittsburgh e o mundo inteiro explodisse.
Naquele momento eu sentia o que a palavra descreve tão bem: ... “Paz... que excede todo o entendimento” (Fp 4.7).
Jim me falara dos milagres operados nas reuniões da Sra. Kuhlman. Mas eu não fazia idéia do que iria testemunhar nas três horas seguintes. Pessoas surdas passavam repentinamente a ouvir. Uma mulher levantou-se de sua cadeira de rodas. Foram dados testemunhos da cura de tumores, artrites, enxaquecas e outros. Até mesmo os mais severos críticos reconheceram as curas genuínas que ocorriam nessas reuniões.
O culto foi longo, mas o tempo correu célere. Eu jamais tinha sido tão movido, tão tocado pelo poder de Deus.
Qual a razão do choro dela?
No decorrer do culto, enquanto eu orava em silêncio, tudo parou de repente. Pensei: – Por favor, Senhor não deixe esta reunião acabar nunca.
Levantei os olhos e vi Kathryn Kuhlman escondendo o rosto nas mãos e começando a soluçar. Ela chorou e chorou, tão alto que todo e qualquer ruído cessou. A música deixou de tocar. Os recepcionistas ficaram paralisados em suas posições.
Todos os olhos estavam fitos nela. E eu não tinha a menor idéia da razão do choro dela. Nunca vira um ministro fazer isto antes. Por que chorava? Contaram-me mais tarde que ela jamais fizera uma coisa dessas e os membros de sua equipe não se esqueceram até hoje.
A evangelista continuou chorando por um período de mais ou menos dois minutos.
Depois jogou a cabeça para trás. Ali estava ela, a alguns passos de mim, com os olhos chamejantes. Estava viva. Naquele momento ela mostrou uma ousadia que eu nunca vira em outra pessoa. Apontou com o dedo em riste, com enorme poder e emoção e até mesmo sofrimento. Se o próprio diabo estivesse lá, ela o teria derrubado com um simples golpe.
Foi um instante de incrível dimensão. Ainda soluçando, Kathryn olhou para a audiência e disse em agonia: – por favor. – Ela pareceu esticar a palavra: - Por fa-a-vo-or, não entristeçam o Espírito Santo.
Ela suplicava. Se você puder imaginar uma mãe rogando a um assassino que não mate o seu bebê, terá uma idéia do quadro. Ela pedia e suplicava.
– Por favor, - soluçou – não entristeçam o Espírito Santo.
Até hoje me lembro dos olhos dela, era como se olhasse direto para mim.
Quando disse isso, um alfinete poderia ter caído no chão que você o ouviria. Eu tinha medo até de respirar. Não movi um músculo. Agarrei-me no banco à minha frente, pensado no que viria a seguir.
Ela disse então: – Vocês não compreendem? Ele é tudo o que eu tenho!
Pensei comigo mesmo – Do que ela está falando? Sua súplica apaixonada continuou, e disse: – Por favor! Não o magoem. Ele é tudo o que eu tenho. Não magoem o meu Amado!
Jamais esquecerei estas palavras. Posso lembrar ainda como sua respiração ofegava ao pronunciá-las.
O pastor de minha igreja falava sobre o Espírito Santo, mas não dessa forma. Suas referências estavam ligadas aos dons, línguas, ou profecia, e não à idéia de ser o “meu mais íntimo, mais pessoal, mais amado amigo”. Kathryn Kuhlman estava falando de uma pessoa que era mais real que você ou eu.
Ela apontou então seu longo dedo para mim e disse com grande clareza: – Ele é mais real do qualquer coisa neste mundo!
Eu preciso conseguir isso
Quando ela olhou para mim e proferiu essas palavras, algo me agarrou literalmente por dentro. Gritei dizendo: – “Eu preciso conseguir isso”.
Eu na verdade pensava que todos naquele culto deveriam estar sentindo a mesma coisa. Mas Deus trata conosco individualmente e penso que aquele culto foi só para mim.
Peço que compreenda que, por ser um cristão novo, eu não entendia absolutamente o que estava acontecendo naquele culto. Mas não podia negar a realidade e o poder que sentia.
Ao terminar o culto, olhei para a evangelista e vi o que me pareceu uma névoa ao redor dela e sobre ela. A princípio julguei que meus olhos estavam me pregando peças.
Mas, a névoa continuava e seu rosto brilhava luminoso através da mesma.
Não acredito de modo algum que Deus estava tentando glorificar a Srta. Kuhlman.
Mas creio que Ele usou esse culto para revelar o Seu poder para mim.
Quando o culto acabou, a multidão saiu, mas eu não queria me mover. Eu chegara correndo, mas agora só desejava ficar sentado e refletir sobre os acontecimentos.
O que sentia naquele prédio fora algo que a minha vida não me oferecia. Eu tinha certeza de que ao voltar para casa a perseguição ia continuar.
Minha auto-imagem já estava praticamente destruída por causa do meu problema de fala. Mesmo quando criança, nas escolas católicas, minha gagueira me isolava, não tendo quase ninguém com quem conversar.
Não fiz também muitos amigos após me tornar cristão. Como conhecer novas pessoas, se tinha dificuldade em comunicar-me?
Eu não queria, então, que aquilo que encontrara em Pittsburgh me deixasse. Tudo o que tinha na vida era Jesus. E nada mais em minha existência importava muito. Meu futuro era incerto. Minha família tinha praticamente virado as costas para mim. Eu sabia que me amavam, mas minha decisão de servir a Cristo havia aberto entre nós um abismo intransponível.
Permaneci sentado. Afinal de contas, quem quer ir para o inferno depois de ter estado no céu?
Mas, não havia escolha. O ônibus estava à espera e eu tinha que partir. Parei na porta de trás da igreja para um último olhar, pensando- “O que ela queria dizer?” O que estava dizendo quando falou sobre o Espírito Santo?
No caminho da volta para Toronto eu retornava sempre ao mesmo pensamento: – “Não sei o que ela queria dizer” – Cheguei até a perguntar para algumas pessoas no ônibus.
Não souberam me informar, porque também não haviam entendido.
Não é preciso dizer que cheguei em casa exausto. Por ter dormido pouco, por causa das horas de viagem de uma experiência espiritual comparável a uma montanha russa, meu corpo estava pronto para descansar.
Não consegui, porém, conciliar o sono. Meu corpo estava moído até os ossos, meu espírito continuava vibrando como se houvesse uma série de vulcões explodindo dentro de mim ininterruptamente.
Conhecendo a presença de Deus
Quem está me puxando?
Deitado em minha cama, eu sentia como se alguém estivesse me puxando para fora do colchão e me fazendo ajoelhar. Era uma sensação estranha, mas eu a sentia com tanta força que não podia resistir. Ali estava eu, na escuridão do quarto, de joelhos. Deus ainda não acabara de lidar comigo e eu respondi à Sua orientação.
Eu sabia o que queria dizer, mas não sabia como fazer a minha petição. Eu queria aquilo que a evangelista de Pittsburgh tinha. Pensei: - quero o que Kathryn Kuhlman tem. – Eu queria isso com cada átomo e fibra em mim. Estava faminto por aquilo de que ela falara, embora não tivesse uma compreensão clara do que era.
É verdade. Eu sabia o que queria dizer, mas não sabia como dizê-lo. Decidi então pedir da única maneira que sabia – em minhas próprias palavras, com toda a simplicidade.
Eu queria me dirigir ao Espírito Santo, embora jamais tivesse feito isso antes. Pensei: – Será que estou fazendo certo? – Afinal de contas, eu nunca tinha falado com o Espírito Santo. Nunca julgara que fosse uma pessoa à qual pudesse me dirigir. Não sabia como começar a oração, mas sabia o que sentia por dentro. Tudo o que queria era conhecê-Lo da maneira como ela O conhecia.
Foi assim que orei: – Espírito Santo, Kathryn Kuhlman diz que Tu és amigo dela. – Continuei lentamente: - Acho que não Te conheço. Eu pensava antes que Te conhecia, mas depois dessa reunião, compreendo que estava errado. Acho que não te conheço mesmo.
A seguir, como uma criança, com as mãos levantadas, perguntei: – Posso conhecer-Te? Posso realmente conhecer-Te?
Fiquei imaginado – Estou falando direito? Será que posso falar desse modo com o Espírito Santo? – Depois pensei: – Se Kathryn estava enganada, eu queria saber.
Depois que falei com o Espírito Santo, nada pareceu acontecer. Comecei a questionar-me – Haverá realmente essa experiência de um encontro com o Espírito Santo?
Isso pode ocorrer de verdade?
Meus olhos estavam fechados. Em seguida, como sob a ação de um choque elétrico, meu corpo começou a vibrar – exatamente como acontecera nas duas horas em que esperei para entrar na igreja. Era o mesmo tremor que sentira por mais de uma hora lá dentro.
Ele voltara e eu pensei: – Oh! Está acontecendo de novo. – Mas dessa vez não havia gente em volta. Nem roupas pesadas. Eu estava de pijama em meu quarto aquecido – vibrando dos pés à cabeça.
Tive medo de abrir os olhos. Parecia que tudo o que acontecera naquela reunião tinha se combinado naquele momento único. Eu estava tremendo, mas senti de novo o cobertor quente do poder de Deus me envolvendo inteirinho.
Senti como se tivesse sido transportado para o céu. É claro que não fui, mas acredito sinceramente que o céu não possa ser melhor do que aquilo. De fato, pensei: – Se abrir os olhos vou estar em Pittsburgh ou dentro de portões de pérolas.
Abri os olhos depois de algum tempo e, para minha surpresa, continuava em eu velho quarto. O mesmo chão. O mesmo pijama. Embora ainda vibrasse com o poder do Espírito de Deus.
Quando finalmente consegui dormir naquela noite, ainda não tinha noção do que se iniciava em minha vida.
Minhas primeiras palavras.
Bem cedo na manhã seguinte eu estava completamente desperto. E não podia esperar mais para falar com meu amigo recém encontrado.
Estas foram as primeiras palavras que me saíram da boca: - “Bom dia, Espírito Santo”.
No momento em que a pronunciei, a atmosfera gloriosa voltou ao meu quarto. Desta vez, porém, eu não estava vibrando nem tremendo. Tudo o que sentia foi o envolvimento da sua presença.
No instante em que disse: – Bom dia, Espírito Santo – soube que Ele estava presente comigo no meu quarto. Eu não só fui cheio do Espírito naquela manhã, mas também recebi de sua plenitude cada vez que passei tempo em oração.
Estou me referindo a algo além do falar em línguas. Eu falava em linguagem celestial, mas era muito mais do que isso. O Espírito Santo se tornou real. Ele veio a ser meu amigo, meu companheiro, meu conselheiro.
A primeira coisa que fiz naquela manhã foi abrir a bíblia. Queria ter certeza.
Quando abri a palavra, fiquei certo de que Ele estava comigo, como se estivesse sentado junto a mim. Não, não vi Seu rosto ou semblante, mas sabia que estava ali. E comecei a conhecer Sua personalidade.
A partir daquele dia, a bíblia passou a ter uma dimensão inteiramente nova. – Espírito Santo, mostre isso para mim na palavra – Eu queria saber por que Ele tinha vindo e Ele me levou a esta passagem: “ora, nós não temos recebido o espírito do mundo, e, sim, o Espírito que vem de Deus, para que conheçamos o que por Deus nos foi dado gratuitamente” (Co 2.12).
Quando perguntei por que Ele queria ser meu amigo, Ele me guiou até as palavras de Paulo: “A graça do Senhor Jesus Cristo, e o amor de Deus, e a comunhão do Espírito Santo sejam sobre vós”. (2 Co 13.13.)
A bíblia ganhou vida. Eu jamais compreendera realmente o impacto deste trecho; “Não por força nem por poder, mas pelo meu Espírito, diz o Senhor” (Zc 4.6).
Ele confirmou repetidamente na palavra o que estava operando em minha vida. Por mais oito horas naquele dia e depois, dia após dia, passei a conhecê-Lo cada vez mais.
Minha vida de oração começou a mudar. – Agora – eu disse, – Espírito Santo, desde que Tu conheces tão bem o Pai, quer me ensinar a orar? – E quando comecei a orar cheguei ao ponto em que o Pai tornou-se de repente mais real do que nunca antes. Era como se alguém tivesse aberto uma porta e dito: – Ei-lo aqui!
Meu mestre, meu guia.
A certeza da paternidade de Deus veio a ficar cada vez mais clara. Isso não aconteceu com a leitura de um livro, nem seguindo uma fórmula – A, B, C. Mas pedindo para o Espírito Santo abrir a palavra para mim. E Ele fez isso. “Pois todos os que são guiados pelo Espírito de Deus são filhos de Deus. Porque não recebestes o espírito de escravidão para viverdes outra vez atemorizados, mas recebestes o espírito de adoção, baseados no qual clamamos: Aba Pai” (Rm 8.14-15).
Comecei a compreender tudo o que Jesus disse sobre o Espírito Santo. Ele era o meu consolador, meu mestre, meu guia.
Compreendi pela primeira vez o que Jesus queria dizer quando ordenou aos discípulos: “Sigam-me”. De outra feita, Ele disse – “Não me sigam, porque vocês não podem ir onde eu vou”. – E prosseguiu, - “Mas o Espírito Santo guiará vocês”.
Qual a intenção de Jesus? Cristo estava dando a eles outro líder. Outra pessoa a quem seguir.
Minhas pesquisas das escrituras continuou dia após dia, durante semanas, até que todas minhas perguntas tivessem sido respondidas. No decorrer do tempo eu tinha passado a conhecer melhor o Espírito Santo. E essa comunhão não foi interrompida até hoje.
Compreendi que Ele estava bem aqui junto de mim. Minha vida inteira se transformou.
Acredito que isso acontecerá com a sua também.
Quando me levantei hoje, eu repeti: – Bom dia, Espírito Santo!
Capítulo 2 – De Haifa aos confins da terra
Era mês de dezembro de 1952, em Haifa, Israel.
Clemence Hinn, prestes à dar a luz ao seu segundo filho, se achava no hospital olhando para uma bela paisagem da janela do quarto da maternidade. As águas de um azul profundo do Mediterrâneo se estendiam até o infinito. Mas o coração daquela pequena mulher armênia estava perturbado, abalado pela amargura, medo e vergonha.
Podia divisar ao longe o aglomerado de rochas no mar, os Rochedos de Andrômeda.
A lenda grega afirma que a jovem Andrômeda estava acorrentada a um deles quando Perseu apareceu voando em seu cavalo alado, matou o monstro marinho e a salvou.
Clemence queria que alguém descesse de algum modo e a salvasse de outro ano de humilhação e desgraça. Ela era uma grega ortodoxa piedosa, mas não sabia muito sobre o Senhor. Naquele quarto humilde de hospital, ela tentou, porém, fazer um trato com Ele.
Enquanto permanecia na janela, seus olhos sondavam o céu, e falou do fundo do coração: - Deus, só tenho um pedido. Se me der um menino, eu o devolvo ao Senhor. Ela repetiu: – Por favor, Deus. Se me der um menino, eu o devolvo ao Senhor.
Haifa
Seis lindas rosas
O primeiro filho de Constandi e Clemence Hinn foi uma bela menina, chamada Rose. Mas na cultura inflexível do Oriente Médio – e especialmente na tradição ancestral dos Hinn – o primogênito deveria ser um filho e herdeiro.
A família de Contandi, que imigrara da Grécia para a Palestina, começou a perseguir Clemence por seu fracasso em produzir menino. – Como sabe, – censuravam eles – todas as suas cunhadas tiveram meninos. Eles zombavam e escarneciam até que chorasse e ela sentia embaraço e a vergonha num casamento que seus pais tinham arranjado tão cuidadosamente.
Seus olhos continuavam úmidos naquela noite ao pegar no sono. Durante a noite teve um sonho de que lembra até hoje – Vi seis lindas rosas em minha mão – diz ela. E vi Jesus entrar em meu quarto. Ele veio e pediu que lhe desse uma e eu entreguei.
Enquanto o sonho continuava, um jovem baixo e magro, de cabelos negros (ela lembra cada traço do seu semblante), se aproximou e envolveu-a num tecido quente.
Ao despertar ela se perguntou: – Qual o significado desse sonho? O que será?
No dia seguinte, três de dezembro de 1952, eu nasci.
Nossa família viria a ter no futuro seis meninos e duas meninas, mas minha mãe jamais se esqueceu do seu trato com Deus. Ela contou-me mais tarde o seu Sonho e disse que eu era a rosa que entregou a Jesus.
Fui batizado na igreja Ortodoxa Grega pelo patriarca de Jerusalém, Benedictus. De fato, durante a cerimônia ele me deu esse nome.
Nascer na Terra Santa significava ter vindo ao mundo numa atmosfera onde a religião lança uma grande sombra inevitável. Aos dois anos fui matriculado numa pré-escola católica e ensinado formalmente por freiras e mais tarde por monges, durante quatorze anos.
Haifa era para mim uma linda cidade. A palavra quer dizer exatamente isso – linda.
Haifa em árabe, Jope em grego antigo, ou Yafo em hebraico. Em qualquer idioma, o sentido é o mesmo.
Quando menino, eu gostava muitíssimo de ouvir a história do lugar onde vivia.
Haifa foi fundada antes de serem iniciados os registros.
Ela é mencionada como uma cidade cananita na lista de tributos do Faraó Tutmos II no século XV A.C., antes de Josué ter travado a batalha de Jericó. Foi nela que o rei fenício de Tiro, Hirão, descarregou madeira de cedro para o templo de Salomão.
Embora fascinante, a história não fora bondosa com a minha cidade. Haifa tinha sido invadida, capturada, destruída e reconstruída várias vezes. Simão Macabeu, Vespasiano, os mamelucos, Napoleão e Allenby, todos se apossaram dela.
Haifa veio a ser colocada em uma nova nação, o estado profetizado de Israel, só seis anos antes do meu nascimento. Mas a comunidade propriamente dita não era judia.
O prefeito Hinn
Meu pai foi prefeito de Haifa durante a minha infância. Ele era um homem forte, com cerca de 1,85m e 120kg e uma capacidade natural para a liderança. Era forte em todos os sentidos – fisicamente, mentalmente e na sua vontade férrea.
Sua família imigrara da Grécia para o Egito antes de estabelecer-se na Palestina.
Mas “ser de outro lugar” era comum. Haifa da minha infância era verdadeiramente uma cidade cosmopolita.
Andando pela Rua Raziel e entrando na Tower Square onde se acha a Abdul Hamid Jibilee Clock Tower, a cadeia com muros de pedra, e a Grande Mesquita, construída em 1810, eu podia ouvir os habitantes conversando em francês, búlgaro, árabe, e outros idiomas. Nos quiosques e cafés ao ar livre, eu saboreava baklava , zlabiya, falafel, sum-sum, e dúzias de outras delícias.
Ali estava eu então, nascido em Israel, mas sem ser judeu. Criado numa cultura árabe, mas não de origem árabe. Freqüentando escola católica, mas educado como grego ortodoxo.
As línguas são fáceis de aprender nessa parte do mundo. Eu pensava que todos deveriam falar três ou quatro delas. Nós usávamos o árabe em nossa casa, mas na escola as freiras católicas ensinavam em francês, exceto o Antigo Testamento, que era estudado em hebraico antigo.
Durante minha infância, os cem mil habitantes de Haifa haviam sido engolidos pela população judia de Tel Avive, em explosão para o norte. A metrópole hoje tem o nome oficial de Tel Avive Haifa. Mais de quatrocentas mil pessoas vivem nessa área.
Tel Avive começou na verdade com uma experiência judia em 1909, quando sessenta famílias compraram 32 acres de dunas arenosas desguarnecidas ao norte de Haifa e foram se estabelecer ali. Elas estavam cansadas do confinamento e do ruído dos quarteirões árabes onde viviam. A expansão continuou até que Tel Avive se tornou a maior cidade de Israel.
Embora meu pai não fosse judeu, os líderes israelitas confiavam nele. E ficaram felizes em ter alguém em Haifa que pudesse comunicar-se com uma comunidade internacional. Tínhamos orgulho do seu círculo de amigos, que incluía muitos líderes nacionais. Ele foi convidado para ser embaixador de Israel em países estrangeiros, mas preferiu permanecer em Haifa.
A família não recebia, porém muito do seu tempo. Eu não posso, na verdade, dizer que conhecia meu pai naquela época. Sua presença parecia ser sempre exigida em alguma função oficial ou reunião importante.
Meu pai não era uma pessoa extrovertida, mas rigorosa, e raramente manifestava qualquer sinal de afeição. (Minha mãe, no entanto, supria essa deficiência). Isso fazia também parte da cultura. Homens eram homens.
Vivíamos confortavelmente. A posição de meu pai no governo possibilitava a manutenção de uma casa nos subúrbios. Era uma linda casa, rodeada por muros altos, com cacos de vidro na parte superior para segurança. Minha mãe podia ser chamada de dona de casa na acepção da palavra, pois criar aquela prole de pequenos Hinn era tarefa de tempo integral.
Um casulo católico
À medida que minha educação prosseguiu, passei a considerar-me católico. O processo foi iniciado bem cedo. A pré-escola que eu freqüentava era, na verdade, uma espécie de convento, onde se celebrava regularmente a missa. Meus pais não protestavam, porque uma educação na escola católica era considerada a melhor possível.
Nos dias de semana eu estudava com as freiras, e no domingo ia à igreja ortodoxa grega com mamãe e papai. Isso não constituía um problema na poliglota Haifa. A lealdade a uma igreja específica não importava tanto.
Eu era católico? Completamente. O catolicismo era a minha vida de oração. Ele ocupava meu tempo e atenção cinco dias por semana. Tornou-se a minha mentalidade. Eu praticamente morava no convento e, nesse casulo, me distanciei muito do mundo.
Fui também separado do mundo de um modo infeliz. Desde a minha tenra infância sofria de forte gagueira. À menor pressão social ou nervosismo eu começava a gaguejar, sendo isso para mim quase insuportável. Achava difícil fazer amigos. Algumas crianças zombavam de mim e outras apenas se mantinham distantes.
Eu não sabia quase nada dos acontecimentos mundiais, apenas o que meus professores queriam que soubesse. Mas era um conhecedor da vida católica. No decorrer de minha educação, passei a estudar no College de Freres (Colégio dos Irmãos) e fui ensinado por monges.
Mesmo quando pequeno, eu já era extremamente religioso. Orava e orava, provavelmente mais do que alguns cristãos oram hoje. Mas sabia apenas a Ave Maria, o Credo, o Pai Nosso e outras orações prescritas.
Só raramente eu falava de fato com o Senhor. Quando tinha um pedido específico, eu o mencionava. Por outro lado, minha vida de oração era muito organizada, muito rotineira.
O principal conceito parecia ser: “Você deve sofrer quando ora”. E isso era fácil.
Não havia praticamente onde ajoelhar, exceto nas pedras brancas de Jerusalém que estavam em toda a parte. Quase todas as casas são construídas desse material. As escolas que freqüentei não tinham carpete, só um chão simples de pedra branca.
Acabei por acreditar que se você não sofresse com a súplica, o Senhor não iria ouvi-lo, que o sofrimento era o melhor meio de obter o favor de Deus.
Embora quase nenhuma espiritualidade acompanhasse o ensino, continuo sendo grato à base bíblica que recebi. Penso muitas vezes: – Quantas crianças aprenderam o Antigo Testamento em hebraico? E nossas viagens campestres tornavam literalmente viva a palavra de Deus. Visitamos certa vez o Neguebe, onde chegamos perto dos poços que Abraão cavara, aprendendo a respeito dele. Essa experiência ficara comigo para sempre.
Suas vestes eram mais alvas que a neve.
Deus tem falado comigo várias vezes durante a minha vida através de visões. No decorrer de meus anos em Haifa, isso só aconteceu uma vez, quando eu não passava de um garoto de onze anos.
Creio que foi nessa ocasião que Deus começou a mover-se em minha vida. Posso lembrar da visão como se tivesse sido ontem. Eu vi Jesus entrar em meu quarto. Ele usava trajes mais alvos que a neve e um manto vermelho escuro drapejado sobre a veste.
Vi seu cabelo. Olhei em seus olhos. Vi os sinais dos cravos em Suas mãos. Vi tudo.
É preciso que compreenda que eu não conhecia a Jesus. Eu não pedira que entrasse em meu coração. Mas no momento em que O vi, eu O reconheci. Sabia que era o Senhor.
Quando isso aconteceu, eu estava dormindo, mas de repente uma sensação incrível, que só pode ser descrita como “elétrica”, tomou conta do meu pequeno corpo. Era como se alguém tivesse me ligado numa tomada. Senti um formigamento como de agulhas – milhares delas- percorrendo meu organismo. O Senhor ficou então diante de mim enquanto eu dormia profundamente. Ele olhou diretamente para mim com os olhos mais belos que já contemplara. Ele sorriu e Seus braços estavam bem abertos. Eu podia sentir a Sua presença.
Foi maravilhoso e jamais esquecerei.
O Senhor não me disse uma palavra. Ele apenas olhou para mim, e depois desapareceu.
Acordei imediatamente. Eu mal conseguia entender o que acontecera, mas não fora um sonho. Deus permitiu que eu tivesse essa visão que causasse uma impressão indelével em minha jovem vida.
Quando acordei, a sensação extraordinária ainda perdurava. Abri os olhos e olhei ao redor, mas o sentimento intenso e poderoso continuava em meu íntimo. Sentia-me totalmente paralisado, não podia mover nenhum músculo. Nem uma pestana. Achava-me completamente congelado ali. Todavia, mantinha o controle. Esse sentimento invulgar me envolveu, mas não me dominou.
Eu estava certo de que se dissesse: – Não, não quero isso – a experiência teria sumido. Mas, eu não disse nada. Enquanto me mantinha ali, acordado, o sentimento predominou e depois foi embora lentamente.
De manhã contei a experiência a minha mãe e ela ainda se lembra do que disse: – Você deve ser um santo.
Coisas assim não aconteciam às pessoas em Haifa, quer fossem católicas ou gregos ortodoxos. É claro que eu não era um “santo”, mas minha mãe acreditava que, se Jesus viera até mim, Ele deveria estar me separando para um chamado superior.
Enquanto Deus tocava minha vida, outros fatores que iriam mudar completamente o futuro de minha família começavam a operar.
Até os confins da terra.
De Gaza às colinas de Golan
Como eu morava em Israel, na década de 60, estava a par da tensão política crescente. As incursões árabes no território de Israel eram quase diárias ao longo das fronteiras que dividiam o Egito da Jordânia e da Síria. E o exército de Israel retaliava regularmente, atacando com suas tropas.
Em maio de 1967, Israel e os três países árabes alertaram suas forças armadas para a possibilidade de uma guerra. A pedido do Egito, as tropas das Nações Unidas deixaram a faixa de Gaza e a Península do Sinai.
A seguir, no dia cinco de junho de 1967, os aviões de Israel atacaram os campos de aviação do Egito, Jordânia e Síria. Esse conflito foi chamado de Guerra dos Seis Dias. Em menos de uma semana, os israelitas destruíram quase completamente as forças aéreas árabes. As tropas israelitas ocuparam a Faixa de Gaza, a Península do Sinai, a Margem Ocidental, e as Colinas Sírias de Golan. Israel dominou em pouco tempo o território árabe, totalizando mais de três vezes sua extensão de terra original.
Jamais esquecerei o dia, em princípios de 1968, em que meu pai reuniu a família e nos contou que estava fazendo planos para migrarmos. Ele nos disse: – Por favor, não discutam o assunto com ninguém, porque pode haver problemas com nossos vistos de saída.
O plano inicial era nos mudarmos para a Bélgica. Meu pai tinha ali alguns parentes e a idéia de mudar para um país de fala francesa parecia excitante. Afinal de contas, eu fora educado nesse idioma.
Certa noite um adido da embaixada canadense visitou-nos para mostrar um filme de curta metragem sobre a vida no Canadá. Toronto parecia uma cidade florescente. Dois irmãos do meu pai viviam ali, mas nós duvidávamos que estivessem financeiramente qualificados para serem nossos patrocinadores oficiais.
Os problemas ligados à nossa partida pareciam crescer a cada dia. Houve uma ocasião em que meu pai informou que talvez não pudéssemos deixar o país antes de cinco anos.
Eu fiz um trato com Deus
A essa altura estávamos tão ansiosos para partir que me ajoelhei naquelas pedras de Jerusalém e fiz um voto a Deus: – Senhor, – orei – se o Senhor nos tirar daqui, eu lhe farei o maior frasco de óleo de oliva que puder encontrar. – e acrescentei: – Quando chegarmos a Toronto, eu o levarei à igreja e o oferecerei ao Senhor em ação de graças.
No ambiente em que eu crescera, fazer tratos com Deus não era coisa incomum. E o óleo de oliva era um artigo de alto preço. Fiz então o voto.
Dentro de poucas semanas, um jovem da embaixada canadense telefonou a meu pai para dizer:– Sr. Hinn, arranjamos tudo, não me pergunte como. Todos os seus papéis estão em ordem e o senhor pode partir quando quiser.
Não demorou muito. Vendemos quase todos os nossos bens e nos preparamos para uma nova vida na América do Norte.
Naqueles últimos dias na Terra Santa, eu tive uma sensação intensa de que alguma coisa grandiosa estava para acontecer. Eu sabia que ia deixar uma cidade especial, mas sentia que o melhor ainda estava por vir.
Jonas embarcou no porto da antiga cidade de Jope, a minha Haifa. E o resultado foi a salvação de Nínive.
Quantas vezes eu subia à Cidadela, o alto monte que ficava a cavaleiro do porto.
Junto ao farol uma igreja franciscana, construída em 1654, e perto deles se achava o lugar da casa de Simão, o Curtidor, onde o apóstolo Pedro morou por algum tempo e teve uma visão que mudou o mundo. Ao ouvir a voz de Deus dizendo que deveria aceitar tanto gentios como judeus na igreja, Pedro respondeu: “Reconheço por verdade, que Deus não faz acepção de pessoas; pelo contrário, em qualquer nação, aquele que o teme e faz o que é justo lhe é aceitável”. (Atos 10.34-35).
A partir desse momento a mensagem de Cristo espalhou-se de Jope para Cesaréia e até os confins da terra, tocando toda a humanidade.
Enquanto seguíamos de carro pela estrada Haganah até o aeroporto de Lod, eu fiquei imaginando: – Será que vou ver de novo este lugar? – Pensei nas freiras católicas que haviam me ensinado com tanto amor. Teria visto o rosto delas pela última vez?
Ao atravessarmos as águas do Mediterrâneo, olhei ao longe e disse meu derradeiro adeus a Haifa . Tinha um nó na garganta. A cidade fora um lar para mim em meus quatorze anos de vida.
Sorvete no quiosque
A família Hinn chegou a Toronto em julho de 1968 sem qualquer propaganda. Era assim que meu pai queria. Não tivemos comitê de recepção e não havia um emprego em vista para ele.
Chegamos com a roupa do corpo, alguns bens nas malas e um pouco de dinheiro das vendas de nossas coisas em Haifa. Era o suficiente para vivermos por um breve espaço de tempo
Nossa nova vida começou num apartamento alugado. Que choque aterrissar de repente numa cultura “estrangeira”. Eu conseguia gaguejar em várias línguas, mas o inglês não era uma delas. “Um, dois, três” era o máximo que sabia. Meu pai, no entanto, havia estudado inglês suficientemente bem para preencher um pedido de emprego. E teve êxito.
“Ele aceitou o desafio de tornar-se, dentre todas as coisas, um vendedor.”
Não sei se foi o peso de ter de sustentar uma grande família ou a sua confiança natural em tratar com as pessoas, mas o fato é que meu pai se tornou um sucesso imediato em sua recém descoberta profissão. Antes que se passassem muitos meses, nos mudamos para a nossa nova casa. Estávamos todos orgulhosos dela.
A vida mudou rapidamente para mim. Em vez de freqüentar uma escola católica particular, fui para uma escola pública. A Escola Secundária George Vanier. Como a maioria dos garotos na escola trabalhava meio período, eu também quis fazer o mesmo.
Vivíamos no distrito North York de Toronto e não muito distante de nós fora aberta a nova Alameda Fairview. Eu pedi um emprego num pequeno quiosque que vendia hambúrgueres e sorvete. Embora não tivesse experiência prévia eles me admitiram. Todo dia depois da escola eu ia para lá.
Certo Sábado, porém, entrei numa mercearia e perguntei ao gerente: – Onde está o óleo de oliva? Quero o maior frasco ou lata que tiver.
Ele encontrou um frasco bem grande e me deu. No dia seguinte eu entrei orgulhoso na igreja ortodoxa grega e cumpri o voto que fizera a Deus. Coloquei o óleo na frente do altar e disse baixinho: – Obrigado, Senhor. Obrigado por nos trazer em segurança para o nosso novo lar.
Meu coração estava tão cheio quanto aquele frasco de óleo.
Eu trabalhava o melhor possível no quiosque. Por causa da minha gagueira, não conversava muito, mas me tornei perito em colocar o sorvete nas casquinhas. Eu trabalhava com um rapaz chamado Bob.
Bob tinha perdido o juízo?
Não vou me esquecer daquele dia em 1970 quando cheguei ao trabalho e descobri que Bob tinha feito uma coisa muito estranha. Ele colocara em todas as paredes do quiosque pequenos pedaços de papel com versículos bíblicos escritos neles. Pensei que ficara maluco.
Eu sabia que ele era cristão, pois me contara. Mas aquilo não era um pouco demais?
Disse a mim mesmo: - Por que será que fez isso? Será para mim? Provavelmente conheço melhor a bíblia do que ele.
Finalmente perguntei: - Qual a razão desses papeizinhos? – Bob começou imediatamente a dar-me o seu testemunho. Achei que não iria acabar nunca. Quando terminou, decidi que ficaria o mais longe possível daquele sujeito amalucado.
Tentei evitá-lo ao máximo. Mas foi quase impossível, pois trabalhávamos juntos.
Ele tocava no assunto de religião a toda hora. Mais que isso, porém, ele queria falar sobre o “novo nascimento”, uma frase que não estava em meu limitado vocabulário, nem em meu conceito da Escritura.
Bob finalmente deixou o quiosque, mas muitos de seus amigos freqüentavam a minha escola. Nos dois anos que se seguiram, tomei cuidados extremos para evitá-los. Eu pensava: - Eles são um bando de excêntricos. – Eles pareciam realmente estranhos.
Falavam de modo estranho. Eram o completo oposto das freiras que me haviam ensinado.
Durante meu último ano na Georges Vanier, pela segunda vez em minha vida, tive um encontro com o Senhor. Ele entrou em meu quarto para visitar-me, desta vez na forma de um sonho inesquecível.
Em Haifa, aos onze anos, a visão de Jesus de pé em minha frente deixara uma impressão indelével. Mas agora, em Toronto, o fato não aconteceu enquanto estudava a Escritura. Eu ainda freqüentava a igreja, mas o evento ocorreu inesperadamente, e fiquei aturdido com a experiência.
Quero contar-lhe exatamente o que aconteceu em meu quarto naquela noite fria de fevereiro de 1972.
Em meio ao sonho, eu comecei a descer uma escada escura e comprida. Ela era tão íngreme que pensei que ia cair e seguia em direção a um abismo sem fundo.
Eu estava preso por uma corrente a um prisioneiro à minha frente e outro atrás de mim. Minhas roupas eram as de um sentenciado. Havia cadeias em meus pés e ao redor do meu pulso. Tanto na frente como atrás de mim a fila de cativos era infindável.
Depois disso, na névoa sinistra daquele poço mal iluminado, vi um grande número de pessoas pequeninas se movendo. Eram parecidas com duendes, com orelhas de forma estranha. Não podia ver seus rostos e suas formas mal se distinguiam, mas estávamos sendo obviamente empurrados escada abaixo por eles, como uma manada de gado para o matadouro – ou pior ainda.
De súbito, vindo de não sei onde, apareceu o anjo do Senhor. Oh, como foi maravilhoso contemplá-lo. O ser celestial pairou um pouco à minha frente, a apenas alguns passos.
Eu jamais vira algo assim antes, nem mesmo em sonhos. Um anjo luminoso e belo no meio daquele buraco escuro e tenebroso.
Quando olhei de novo, o anjo fez sinal para aproximar-me. Ele olhou então em meus olhos e me chamou.
Meus olhos se ficaram fixos e comecei a andar na sua direção. As cadeias caíram instantaneamente de minhas mãos e pés. Eu não estava mais preso aos meus companheiros.
O anjo me levou apressadamente através de uma porta e no momento em que penetrei na luz, o ser celestial me tomou pela mão e me deixou cair na estrada Don Mills, bem na esquina da Escola Georges Vanier. Ele me deixou a poucos centímetros do muro da escola, bem ao lado de uma janela.
O anjo desapareceu num segundo e eu acordei cedo e corri para a escola, para estudar na biblioteca antes das aulas começarem.
Eu mal podia piscar
Enquanto estava ali sentado, sem sequer pensar no sonho, um pequeno grupo de estudantes veio em minha direção. Eu os reconheci imediatamente. Eram aqueles que tinham ficado me aborrecendo com toda aquela conversa sobre “Jesus”.
Eles me convidaram para participar de sua reunião de oração matutina. A sala ficava ao lado da biblioteca. Pensei: – Vou livrar-me deles para sempre. Uma pequena reunião de oração não vai me prejudicar.
Respondi: – Está bem – e fomos juntos para a sala. O grupo não era grande, apenas 12 ou 15 garotos. E a minha cadeira ficava bem no meio.
De repente, o grupo inteiro levantou as mãos e começou a orar em línguas engraçadas e desconhecidas. Eu nem sequer fechei os olhos. Mal podia piscar. Ali estavam alunos com 17, 18, 19 anos de idade, rapazes que eu havia conhecido na aula, louvando a Deus com sons ininteligíveis.
Eu jamais ouvira mencionar o falar em línguas e fiquei atônito. Pensar que Benny se achava numa escola pública, em propriedade pública, sentado no meio de um bando de fanáticos, estava além da minha compreensão.
Não orei, fiquei só observando.
O que aconteceu em seguida foi mais do que eu poderia ter imaginado. Fui tomado por uma estranha vontade de orar. Mas eu não sabia o que dizer. A “Ave Maria”, não me parecia apropriada para o que estava sentindo. Eu jamais aprendera a “oração do pecador“ em qualquer uma de minhas aulas de religião. Tudo que conseguia lembrar de meus encontros com o “povo de Jesus” era a frase: “Você precisa conhecer Jesus”. Essas palavras pareciam deslocadas para mim porque eu achava que O conhecia.
Foi um momento embaraçoso. Ninguém estava orando comigo ou sequer por mim.
Todavia, a atmosfera espiritual mais intensa que já sentira me cercava. Seria eu um pecador? Não achava que era. Eu era apenas um bom rapazinho católico, que orava todas as noites e confessava o seu pecado quer necessitasse ou não.
Mas naquele instante fechei os olhos e disse três palavras que mudaram a minha vida para sempre. Eu disse em voz alta: – Volte, Senhor Jesus.
Não sei por que falei isso, mas foi só o que saiu da minha boca. Repeti várias vezes essas palavras: – Volte, Senhor Jesus, Volte, Senhor Jesus.
Eu pensava que Ele saíra da minha casa ou de minha vida? Na verdade não sabia.
Mas no momento em que pronunciei essas palavras um sentimento estranho me envolveu, levando-me de volta ao torpor que sentira aos onze anos. Era menos intenso, mas a voltagem daquela mesma força se repetira em mim. Ela me atravessava.
O que realmente percebi, no entanto, foi aquela onda de poder me purificando – instantaneamente, de dentro para fora. Eu me senti absolutamente limpo, imaculado e puro.
De repente via a Jesus com os meus próprios olhos. Aconteceu num momento. Ali estava Ele, Jesus.
Cinco para as oito
Os alunos ao meu redor não podiam saber o que se passava comigo. Estavam todos orando. A seguir, um a um, eles começaram a sair da sala dirigindo-se para as classes.
Faltavam cinco minutos para as oito horas da manhã. A essa altura eu me encontrava ali sentado, chorando. Não sabia o que fazer nem o que dizer.
Não entendi na hora o que ocorrera, mas Jesus se tornou tão real para mim como o chão debaixo dos meus pés. Eu não fiz qualquer oração, além daquelas três palavras.
Sabia, porém, sem qualquer dúvida, que algo extraordinário acontecera naquela manhã de fevereiro.
Atrasara-me para a aula de História, que era uma das minhas matérias favoritas.
Estávamos estudando a Revolução Chinesa. As palavras do professor ficaram, entretanto, perdidas para mim. Não me lembro de nada do que foi dito. A sensação que começara naquela manhã não me abandonava. Cada vez que eu fechava os olhos, ali estava Ele – Jesus. E mesmo quando abria os olhos, Ele continuava ali. O semblante do Senhor não me deixava.
Fiquei enxugando as lágrimas dos olhos o dia inteiro. E a única coisa que podia dizer era: – Jesus, eu O amo... Jesus, eu O amo.
Quando saí da escola andei pela calçada até a esquina, olhei para a janela da biblioteca e as peças do quebra-cabeça começaram a se encaixar.
O anjo. O sonho. Tudo voltou.
O que Deus estava querendo dizer-me?
O que ocorria com Benny?
Capítulo 3 – Tradição, Tradição.
Entrei em meu quarto e, como que magnetizado, fui atraído por aquela grande bíblia negra. Era a única bíblia em nossa casa. Mamãe e papai não tinham uma. Eu não sabia de onde ela viera, mas fora desde quando podia lembrar.
As páginas mal tinham sido viradas desde a nossa chegada ao Canadá, mas agora orei: - Senhor, o Senhor precisa mostrar-me o que aconteceu hoje. – Abri a escritura e comecei a devorá-la como um homem faminto que acabou de receber um pedaço de pão.
O Espírito Santo tornou-se meu professor. Eu não tinha idéia disso no momento, mas foi exatamente o que começou milagrosamente a acontecer. Os rapazes da reunião de oração me disseram: - Olhe, é isto o que a bíblia diz. – Eles não disseram nada. De fato, não imaginava o que havia ocorrido durante as últimas vinte quatro horas. Como é natural, eu também não contei nada a meus pais.
Comecei lendo os evangelhos. Descobri-me dizendo em voz alta: - Jesus, entre em meu coração. Por favor, Senhor Jesus, entre em meu coração.
Versículo após versículo, eu vi o plano da salvação se desenrolando. Era como se eu nunca tivesse lido a bíblia antes. Oh! Meu amigo, ela estava viva. As palavras jorravam de uma fonte, e eu bebia livremente dela.
Finalmente, às três ou quatro da manhã, envolto numa paz tranqüila que não conhecera antes, adormeci.
Participando
No dia seguinte, na escola, procurei aqueles “fanáticos” e lhes disse: - Gostaria que me levassem à sua igreja.
Eles me falaram sobre um encontro semanal que freqüentavam e se ofereceram para levar-me dois dias depois.
Naquela noite de quinta feira eu me achei nas “catacumbas”. Era esse o nome que lhe davam. O culto se parecia com o da reunião de oração na escola, as pessoas levantavam as mãos, adorando o Senhor. Desta vez, porém, eu fiz o mesmo.
“Jeová Jiré, meu provedor, Sua graça é suficiente para mim”, eles repetiam cantando. Gostei dessa música desde a primeira vez que a ouvi. E gostei ainda mais quando soube que fora escrita pela mulher do pastor. Merla Watson. Seu marido, Merv, era o pastor daquele rebanho invulgar.
A igreja Catacumbas não era uma igreja típica. As pessoas que freqüentavam eram apenas um grupo exuberante de cristãos que se reunia toda noite de quinta feira na Catedral de São Paulo, uma igreja anglicana no centro de Toronto.
Aqueles dias do “Movimento de Jesus” em que os chamados “hippies” estavam sendo salvos mais depressa do que conseguiam cortar os cabelos. Por falar nisso, eu também não sentava na cadeira de barbeiro há algum tempo.
Olhei em volta. O lugar estava lotado de rapazinhos como eu. Você devia ver. Eles estavam saltando, dançando, e fazendo barulho alegre diante do Senhor. Era difícil para mim acreditar na existência de um lugar assim. Mas, de alguma forma, desde essa primeira noite, eu tive um sentimento de “pertencer”.
“Venha”
No final do encontro, Merv Watson disse: – Todos os que quiserem fazer uma confissão pública do seu pecado venham para a frente. Vamos orar com vocês enquanto pedem para Cristo entrar em seu coração.
Comecei a tiritar e tremer. Mas pensei: - Acho que não devo ir, porque já sou salvo.
– Eu sabia que o Senhor tomara o controle de minha vida às cinco para as oito da manhã de segunda–feira. E estávamos na quinta.
Você já adivinhou. Dentro de segundos me vi andando pela nave o mais depressa que podia. Eu não tinha uma noção exata do motivo que me levara a isso, mas algo dentro de mim dizia: - Vá para lá.
Foi nesse instante, num culto carismático em uma igreja anglicana, que este pequeno e bom católico de um lar grego ortodoxo fez uma confissão pública de sua aceitação de Cristo. – Jesus, – eu disse – estou pedindo que seja o Senhor da minha vida.
A Terra Prometida não podia se comparar a isto. Era muito melhor estar onde Jesus estava do que onde ele costuma estar.
Naquela noite, quando cheguei em casa, eu me sentia tão cheio da presença do Senhor que decidi contar à minha mãe o acontecido. (Não tive coragem de contar a meu pai).
Mamãe, tenho que contar-lhe uma coisa, - falei baixinho. – Fui salvo! Num instante o queixo dela endureceu. Ela olhou fixamente para mim e falou decidida. – Salvo do que? – Confie em mim, - respondi – Você vai compreender.
Na manhã de sexta feira e durante o dia inteiro, na escola, no quiosque, em todo lugar que ia, um quadro surgia diante de mim. Eu me via pregando. Era inconcebível, mas não conseguia mudar a imagem. Eis-me ali, usando terno, cabelo cortado e bem penteado, pregando sobre uma tempestade.
Naquele dia encontrei Bob, meu amigo “estranho” que havia certa vez enchido as paredes do quiosque com trechos da bíblia. Contei resumidamente a ele o que acontecera naquela semana e lhe disse que até me vira pregando.
– Bob, – disse eu – o dia inteiro foi assim. Não consigo tirar de minha cabeça esse quadro de minha pregação em enormes campanhas ao ar livre, em estádios, em igrejas e salões de concerto. – Começando a gaguejar, eu continuei dizendo: – Posso ver as pessoas, até onde o olhar alcança. Será que estou perdendo a razão? O que você acha que significa isso?
Só pode ser uma coisa: - respondeu ele. – Deus está preparando você para um grande ministério. Acho maravilhoso.
Lançado fora
Não tive em casa este tipo de estímulo. É claro que não podia contar a eles o que o Senhor estava fazendo. A situação era péssima.
Humilhação e vergonha
Minha família inteira começou a me provocar e ridicularizar. Foi horrível. Eu esperava isso de meu pai, mas não de minha mãe. Enquanto eu estava crescendo, ela sempre me mostrara muita afeição. Assim como meus irmãos e irmãs. Mas agora eles me tratavam com desprezo como se fosse um intruso que não pertencia à família.
“Tradição, tradição!” diz a música em um violinista no telhado. Se um oriental quebra a tradição, ele comete um pecado imperdoável. Duvido que o ocidental jamais venha entender a gravidade dessa atitude. E isso não pode ser perdoado.
Todos em casa me disseram: – Benny, você esta desgraçando o nome da família. – Suplicaram para que não desonrasse a sua reputação. Meu pai tinha sido prefeito, e lembrou-me disso. O “nome” da família estava em jogo.
Peço que me compreenda quando digo que os gregos ortodoxos e os que pertencem a outras ordens “superiores” da igreja oriental, são talvez as pessoas mais difíceis de se levar a um cristianismo “pessoal”.
Quando me tornei um cristão nascido de novo, isso de fato os envergonhou. Por quê? Por acreditarem que eles são os cristãos verdadeiros. E possuem documentos históricos para prová-lo. São cristãos a mais tempo do que ninguém.
Mas este é o problema e fui criado com ele. A sua fé é longa na forma, ritual e dogma, mas curta na unção de Deus. Falta-lhes poder. Como resultado, não têm, virtualmente, compreensão do que significa ouvir ao Senhor ou ser “guiado pelo Espírito”.
Tornou-se óbvio que, para permanecer em minha casa, eu teria de calar-me a respeito de Cristo.
Nada, entretanto poderia diminuir as chamas de minha fé recém encontrada. Eu era como uma brasa ardente que não deixava de queimar.
Eu abria a minha enorme bíblia logo de manhã. O espírito Santo continuava a revelar a palavra, mas isso não bastava. Toda noite em que podia “escapar” de casa, ia para um culto da igreja, uma reunião de jovens ou de oração. Nas noites de quinta feira voltava às Catacumbas.
Jamais poderei apagar da memória o dia em que mencionei a Jesus em nossa casa.
Meu pai se aproximou de mim e esbofeteou-me. Senti a dor. Não eram as pedras de Jerusalém desta vez, mas um tipo diferente de sofrimento. A dor que senti era pela minha família. Eu os amava tanto e queria mais que tudo a sua salvação.
A culpa foi realmente minha. Meu pai tinha me avisado: – Se mencionar outra vez o nome de Jesus, desejará não tê-lo feito. – ele rosnou ao ameaçar pôr-me fora de casa.
Comecei a falar com minha irmãzinha Mary sobre o Senhor. Meu pai descobriu e seu ódio ferveu novamente. Ele me proibiu de falar com ela sobre coisas espirituais.
Hora do psiquiatra
Até meus irmãos me perseguiam. Eles me chamavam de todo nome em que podiam pensar e até alguns mais vulgares. E isso por muito tempo. Eu orava em meu quarto – Senhor, será que não vão parar? Será que vão Te conhecer um dia?
As coisas chegaram a um ponto que eu não podia conversar com nenhum membro da família. Não precisei procurar a definição de ostracismo.
Eles fizeram minha avó voar de Israel para me dizer que estava louco. – Você é um embaraço para o nome da família – disse ela. – Não compreende a vergonha que está causando?
Meu pai marcou uma consulta no psiquiatra. Papai evidentemente achava que eu tinha perdido a razão. E qual foi a conclusão do médico?
– Seu filho talvez esteja atravessando uma espécie de fase. Ele vai sair dela.
Seu método seguinte foi arranjar-me um emprego que me ocupasse, a ponto de não ter tempo para aquele “Jesus”. Ele procurou um de seus amigos dizendo – Gostaria que oferecesse um emprego para meu filho Benny.
Papai me levou até ao escritório dele e esperou no carro enquanto entrava. O homem era um dos mais rudes, grosseiros e mesquinhos que eu já encontrara. Claro que não poderia trabalhar para alguém assim.
Voltei para o carro e disse: – Papai, eu não conseguiria trabalhar com um chefe desses.
Tive pena de meu pai naquele dia. Ele estava no fim dos seus recursos. E me disse: – Benny, o que quer que faça por você? Pode dizer. Farei tudo o que pedir, basta que abandone esse Jesus.
Papai – respondi, – você pode pedir o que quiser, mas eu prefiro morrer a desistir do que encontrei.
Foi uma cena deprimente. Ele se transformou de um pai amigo em um estranho sarcástico. Tudo que tinha a oferecer era outra torrente de ódio, novas acusações verbais.
Durante um ano – quase dois – meu pai e eu quase não nos comunicamos. Ele não olhava para mim na mesa do jantar. Eu era completamente ignorado. Tornou-se finalmente insuportável até sentar-me e assistir ao noticiário com minha família.
O que restava então? Mas, em retrospecto, posso ver que o Senhor sabia exatamente o que estava fazendo. Minha bíblia sempre estava aberta. Eu orava. Eu estudava. Eu me banqueteava com o maná celestial que iria me sustentar nos anos subseqüentes.
Devo obedecer ao Senhor
Minha ida à igreja era um problema gigantesco. Como desejava fazê-lo! Mas meu pai tinha dito – Absolutamente não – repetidas vezes. De fato, essas foram praticamente as únicas conversas que tivemos – brigas por causa da casa do Senhor.Os orientais consideram a desobediência aos pais inconcebível. Mas agora eu tinha quase vinte e um anos. E me lembro vivamente da noite em que tomei coragem para dizer ao meu pai – Posso obedecê-lo em qualquer coisa, mas na questão de ir à igreja não vou obedecer. Devo obedecer ao Senhor! Ele ficou estupefato. Parecia que alguém dera um tiro nele e pareceu ficar ainda mais indignado.
Por respeito, fiz o possível para ser obediente. Eu perguntava: – Posso ir à reunião esta noite? – Ele respondia não e eu ia para o meu quarto orar: – Por favor, Senhor, faça o meu pai mudar de idéia.
Eu descia então novamente e perguntava: – Posso ir?- Não, resmungava ele. E eu voltava para o quarto. Aos poucos ele começou a ceder. Ele sabia que era uma batalha perdida. As Catacumbas alugaram um outro prédio para os cultos de domingo e eu pude comparecer. Os estudos bíblicos eram feitos nas terças e sextas feiras, e havia um encontro de jovens nas noites de sábado. Essas reuniões constituíam toda a minha vida.
Nos dois anos após minha conversão, meu crescimento espiritual foi como o de um foguete entrando em órbita. Em fins de 1973, Merv e Merla Watson começaram a convidar-me para juntar-me a eles na plataforma para ajudar na liderança do culto e dos cânticos.
Mas eu não tinha condições de falar em público.
Jim Poynter, o pastor Metodista Livre, cheio do Espírito, me viu naquele local e um dia ele parou no quiosque na alameda só para falar das coisas do Senhor. Foi nessa ocasião que me convidou para acompanhá-lo à reunião da Srta. Kuhlman em Pittsburgh.
Meu encontro pessoal com o Espírito Santo depois daquela reunião foi assombroso.
Mas levei alguns dias para compreender as dimensões da revelação de Deus para mim.
Mais ou menos nessa época, eu mudei de emprego. Aceitei o cargo de escriturário na diretoria da escola católica de Toronto. Estou certo de que tinham suas dúvidas sobre mim às vezes. Eu ria sozinho só de pensar no que Deus estava fazendo na minha vida.
No momento em que meu trabalho terminava, eu corria para casa, subia as escadas e começava a falar com Ele: – Oh, Espírito Santo, estou tão contente por estar de volta a sós contigo. – Ele estava sempre comigo, é verdade, mas meu quarto tornou-se um lugar sagrado, muito especial. Algumas vezes, quando não ia trabalhar, eu ficava em casa o dia todo em comunhão com Ele.
O que eu estava fazendo? Tendo comunhão. Comunhão com o Espírito. Quando não estava no emprego ou em meu quarto, eu tentava ir à igreja. Mas, não contava a ninguém o que acontecia comigo.
Quando saía de casa pela manhã, Ele me acompanhava. Eu sentia alguém ao meu lado. No ônibus sentia o ímpeto de falar com Ele, mas não queria que as pessoas pensassem que era louco. Mesmo no trabalho, eu falava com Ele baixinho em certas horas. No almoço, Ele era o meu companheiro. Mas dia após dia, ao chegar em casa, subia a escada aos tropeções, fechava a porta do quarto e dizia: – Agora estamos sozinhos.
E minha jornada espiritual continuava.
Unção no carro
Quero explicar que muitas vezes eu não notava sua presença. Sabia que estava comigo, mas me acostumara tanto a Ele que não sentia mais a eletricidade daquelas ocasiões especiais.
Outras pessoas, porém, sentiam. Muitas vezes, quando meus amigos vinham ver-me, eles começavam a chorar por causa da presença do Espírito Santo.
Certo dia, Jim Poynter me telefonou, dizendo: – Vou buscar você para levá-lo a uma igreja Metodista onde estou cantando. Pode cantar comigo se quiser. – Eu não era um verdadeiro cantor, mas ajudava de vez em quando.
Nessa tarde, a unção do espírito me envolveu novamente. Depois ouvi Jim apertando a buzina. Quando desci correndo a escada e fui até o carro, eu senti a presença do Senhor correndo comigo.
No momento em que pulei para o assento dianteiro e fechei a porta, Jim começou a chorar. Ele cantou depois o coro “Aleluia! Aleluia!”, e, voltando-se para mim disse: - Benny, posso sentir o Espírito Santo neste carro.
É claro que Sua presença está neste carro – respondi. – Onde mais poderia estar?
Isso para mim se tornara normal, mas Jim quase não conseguia dirigir. Ele continuou a chorar diante do Senhor.
Certa vez minha mãe estava limpando o corredor, enquanto eu falava com o Espírito Santo. Quando eu saí, ela quase foi derrubada. Algo a empurrou contra a parede. Eu disse: – O que aconteceu, mamãe? – Ela replicou: – Não sei. – A presença do Senhor quase a fez cair.
Meus irmãos irão contar sobre as vezes em que se aproximavam de mim e não sabiam o que estava acontecendo, mas sentiam alguma coisa extraordinária.
Com o passar do tempo, perdi a vontade de sair com os jovens da igreja só para me divertir. Eu queria ficar com o Senhor, dizendo muitas vezes: – Senhor, prefiro isto a qualquer coisa que o mundo possa oferecer. – Eles podiam ter os seus jogos, suas diversões, seu futebol – eu não precisava disso.
O que eu quero, eu já tenho – eu disse ao Senhor. – O que quer que seja, não permita que vá embora. Comecei a compreender melhor o desejo do apóstolo Paulo pela “comunhão do Espírito”.
Henry, Mary, Sammy e Willie
Agora, até os membros de minha família tinham começado a fazer perguntas. O Espírito Santo permeou de tal forma nossa casa, que meus irmão e irmãs começaram a demonstrar sede espiritual.
Um a um, eles me procuravam para fazer indagações. Eles diziam: – Benny, tenho observado você. Esse Jesus é real, não e?
Minha irmã Mary entregou seu coração ao Senhor. E em poucos meses me irmãozinho Sammy foi salvo. Depois veio o Willie.
Tudo o que eu podia fazer era gritar: “Aleluia!”. Estava acontecendo, e eu nem sequer começara a pregar.
A essa altura meu pai estava praticamente insano, estaria perdendo a família inteira para Jesus? Ele não sabia como enfrentar a situação. Mas não havia dúvidas de que minha mãe e meu pai podiam ver a transformação que ocorrera em mim, em meus dois irmãos e em Mary.
Quando dei minha vida ao Senhor, tive alguns encontros maravilhosos com Ele.
Mas eles nada significavam em comparação com o meu andar diário com o Espírito Santo.
O Senhor visitava agora realmente o meu quarto. A glória enchia aquele lugar. Alguns dias eu orava de joelhos, adorando ao Senhor, durante oito, nove ou dez horas seguidas. O ano de 1974 derramou um fluxo sem fim do poder de Deus em minha vida. Bastava eu dizer: – Bom dia, Espírito Santo – e tudo começava. A glória do Senhor permaneceu comigo.
Certo dia, no mês de abril, eu pensei: – Deve haver uma razão para isso . – Perguntei, então: – Senhor, por que está fazendo tanto para mim? – Eu sabia que Deus não proporciona piqueniques espirituais para as pessoas para sempre.
Comecei então a orar e foi isto que Deus me revelou:
Vi alguém de pé em minha frente. As chamas o rodeavam completamente e ele se movia sem qualquer controle. Seus pés tocavam o solo. A boca desse ser abria e fechava – à semelhança do que a palavra descreve como “ranger de dentes”.
Nesse momento o Senhor falou comigo, em voz audível, dizendo: – Pregue o evangelho.
Minha resposta foi, naturalmente: – Mas, Senhor, não sei falar.
Duas noites mais tarde o Senhor me deu um segundo sonho. Eu vi um anjo. Ele tinha uma corrente na mão, presa a uma porta que parecia encher todo o céu. Ele a abriu, e lá dentro havia uma multidão incontável. Almas. Elas estavam se movendo em direção a um vale grande e profundo, e o vale era um inferno de fogo crepitante.
Dava medo. Vi milhares de pessoas caindo naquele fogo. As da primeira fila tentavam lutar, mas o peso da multidão os empurrava para as chamas.
O Senhor falou de novo comigo. Ele disse muito claramente: – Se você não pregar, todos os que caírem serão sua responsabilidade. – Eu soube no mesmo instante que tudo que acontecera na minha vida tinha um propósito – pregar o evangelho.
Aconteceu em Oshawa
A comunhão continuou. A glória continuou. A presença do Senhor não foi embora, mas intensificou-se. A palavra tornou-se mais real. A minha vida de oração fortaleceu-se.
Finalmente, em novembro de 1974, não pude mais evitar o assunto. Eu disse ao Senhor: - pregarei o evangelho com uma condição: o Senhor ficará comigo em cada culto. – A seguir, eu fiz com que lembrasse: – Senhor, Tu sabes que não posso falar. – Eu me preocupava muito com a minha dificuldade em falar e com o fato de que iria ficar embaraçado.
Era impossível, porém apagar de minha mente o quadro de um homem queimando e as palavras do Senhor – se você não pregar, todo aquele que cair será sua responsabilidade.
Pensei, – preciso começar a pregar. – Mas entregar folheto não seria suficiente?
Numa tarde, na primeira semana de dezembro, eu estava sentado na casa de Stan e Shirley Phillips em Osawa, a cerca de 480 km a leste de Toronto.
Posso dizer uma coisa a vocês? – perguntei. Eu nunca tivera a vontade de contar a alguém toda a história de minhas experiências, sonhos e visões. Mas durante quase três horas, eu abri o coração, contando a eles coisas que só o Senhor e eu conhecíamos.
Antes de terminar, Stanley me interrompeu, dizendo – Benny, você precisa ir à nossa igreja hoje e falar sobre isso. – Eles tinham uma comunidade chamada Shilo – cerca de cem pessoas, na Assembléia de Deus de Trinity, em Osawa.
Gostaria que me visse. Meu cabelo chegava aos ombros e eu não tinha me vestido para ir à igreja porque o convite fora totalmente inesperado.
Mas em 07 de dezembro de 1974, Stan me apresentou ao grupo e pela primeira vez em minha vida entrei num púlpito para pregar.
No instante em que abri a boca, senti algo tocar minha língua e libertá-la. Parecia um adormecimento, e comecei a proclamar a palavra de Deus com a mais absoluta fluência.
O que surpreendeu é que Deus não me curou quando eu estava sentado no auditório.
Ele não me curou quando subi para a plataforma. Ele me curou quando entrei no púlpito.
Deus realizou o milagre quando abri a boca.
Quando minha língua soltou-se, eu disse: – É isso! – A gagueira se fora. Todinha. E não voltou mais. Meus pais não sabiam que eu tinha sido curado porque a comunicação em nossa casa era mínima. É claro que certas ocasiões eu conseguia falar por curto espaço de tempo sem que meu problema fosse notado, antes que alguma coisa me fizesse gaguejar de novo.
Mas eu sabia que estava curado. E meu ministério começou a crescer rapidamente.
Parecia que eu era convidado todos os dias para ministrar em uma igreja ou grupo comunitário.
Eu me sentia no centro da perfeita Vontade de Deus
Vou morrer
Nos cinco meses seguintes fui um pregador, sem que meus pais soubessem. Manter a situação em segredo por tanto tempo foi praticamente um milagre. Meus irmãos sabiam, mas não ousavam contar a papai, porque seria o fim de Benny.
No jornal Toronto Star, em abril de 1975 foi publicado um anúncio com a minha fotografia. Eu estava pregando numa pequena igreja pentecostal no lado oeste da cidade e o pastor queria atrair alguns visitantes.
Funcionou. Constandi e Clemence viram o anúncio. Eu estava sentado na plataforma naquela noite de domingo. Levantei os olhos e não podia crer no que estava vendo. Meus pais caminhavam para um assento nas poucas fileiras da plataforma.
Pensei: – Chegou a hora. Vou morrer.
Meu bom amigo Jim Poynter estava sentado na plataforma ao meu lado. Virei-me para ele e disse: – Ore, Jim! Ore! – Ele ficou pasmo quando falei da presença de meus pais.
Milhares de pensamentos passaram pela minha mente, sendo este um deles: – Senhor, saberei que realmente estou curado se não gaguejar esta noite. – Lembrei-me de uma outra vez em que também ficara nervoso durante uma reunião e a ansiedade sempre me levava a gaguejar.
Quando comecei a pregação, o poder da presença de Deus começou a fluir através de mim, mas eu não conseguia olhar na direção dos meus pais, nem um instante sequer. Só sabia que a minha preocupação com a gagueira tinha sido desnecessária. Quando Deus me curou, a cura foi permanente.
Perto do final do culto, comecei a orar pelos que precisavam de cura. Oh!, Como o poder de Deus encheu aquele lugar! Ao terminar a reunião, meus pais se levantaram e saíram pela porta de trás. Eu disse mais tarde a Jim: – Você precisa orar. Sabe que nas próximas horas vai ser decidido o meu destino? Talvez tenha de dormir hoje em sua casa.
Naquela noite fiquei rodando sem rumo pelas ruas de Toronto. Eu queria esperar pelos menos até duas horas da manhã para entrar em casa, pois tinha certeza que meus pais estariam dormindo a essa hora.
Eu não queria ter de enfrentá-los.
Mas falarei sobre isto depois.
Capítulo 4 – De pessoa para pessoa
Você está pronto para receber o Espírito Santo, com intimidade e pessoalmente?
Quer ouvir a sua voz? Está preparado para conhecê-lo como uma pessoa?
Foi exatamente isso que aconteceu comigo e minha vida transformou-se de modo dramático. A experiência foi intensamente pessoal e baseada na palavra de Deus.
Você pode perguntar – Ela resultou de um estudo bíblico sistemático?- Não, aconteceu quando convidei o Espírito Santo para ser meu amigo pessoal, meu guia constante. Pedi que me levasse pela mão e me guiasse a “toda verdade”. O que Ele irá expor e revelar na Escritura, tornará vivo para você o seu estudo bíblico.
O que vou lhe contar começou no momento em que o Espírito Santo entrou em meu quarto em dezembro de 1973, e nunca mais parou. Esta é a única diferença: Eu o conheço hoje infinitamente melhor do que naquela ocasião do nosso primeiro encontro.
Vamos começar com a informação básica; O Espírito Santo mudou a minha vida.
Ele passou a viver em mim desde o momento em que pedi a Cristo para entrar em meu coração e nasci de novo.
A seguir veio o momento em que recebi o batismo do Espírito Santo. Fiquei “cheio” com o Espírito. Falei em línguas. Ele tornou reconhecida a Sua presença e Seus dons.
Inúmeros cristãos passam por essa experiência e param nesse ponto. Eles deixam de compreender que o acontecimento de Pentecostes foi apenas um dos dons do Espírito.
Mas quero que saiba disto: além da salvação, do batismo com água, da plenitude do Espírito, a “terceira Pessoa da Trindade” está esperando que você a conheça pessoalmente.
O Espírito quer um relacionamento por toda a vida. E é isto que você está prestes a descobrir.
Atraído para a comunhão
Se você discasse o meu número telefônico há dois anos e travássemos conhecimento por telefone, tendo conversado sem nunca nos encontrarmos pessoalmente, o que você saberia de mim?
Você talvez dissesse: – Conheceria o som de sua voz através do telefone. – E isso seria praticamente tudo. Você não me reconheceria se me visse na rua.
Chega então o dia em que nos encontramos face a face. De repente, você estende a mão para apertar a minha. Você vê como eu sou, a cor dos meus cabelos e olhos, que tipo de roupas uso. É possível que vamos almoçar juntos, e você fica sabendo se gosto de café ou de chá.
Aprendemos muito sobre os outros quando os encontramos pessoalmente.
Fim do problema
Quando me encontrei com o Espírito Santo, foi isso que começou a acontecer. Eu passei a descobrir coisas a respeito de Sua personalidade que me transformaram como cristão. A salvação transformou-me como pessoa, mas o Espírito teve um enorme efeito sobre o meu andar cristão.
À medida que comecei a conhecer o Espírito Santo, tornei-me sensível a Ele e fiquei sabendo o que o entristece e o que lhe agrada.
Do que Ele gosta ou não gosta. O que O faz zangar-se e o que O faz feliz.
Vim a entender que a própria bíblia foi escrita pelo Espírito Santo. Ele usou homens de todas as classes sociais, mas cada um deles foi guiado pelo Espírito Santo.
Durante muito tempo esforcei-me para entender a bíblia. Chegou então o dia em que levantei os olhos e disse: – Maravilhoso Espírito Santo, quer dizer-me o sentido disto? E Ele falou. Ele revelou a palavra para mim.
O Senhor usou a reunião de Kathryn Kuhlman para preparar-me para o que iria acontecer. Mas a Srta. Kuhlman não sentou uma vez sequer ao meu lado e me explicou sobre o Espírito Santo. Eu aprendi tudo diretamente com Ele. Essa é a razão de meu conhecimento ser novo, ser fresco e ser meu.
Quando voltei para casa depois da reunião de Pittisburg, caí de joelhos. Estava sendo sincero e transparente quando disse: – Precioso Espírito Santo, quero conhecer-Te. – jamais esquecerei quão nervoso me achava. Mas desde esse dia passei a conhecê-lo como um irmão. Ele é verdadeiramente um membro da família.
Quem é ele
Você pergunta: – Quem é o Espírito Santo? – Quero que O conheça. Ele é a pessoa mais bela, mais preciosa, mais encantadora do mundo. Deus Filho não está na terra. Deus Pai não está na terra. Os dois estão no céu neste instante. Quem está na terra? Deus Espírito Santo. Deus Pai veio fazer a obra através do Filho que foi ressuscitado. Quando Deus Filho partiu, Deus Espírito Santo veio, e Ele continua fazendo aqui a Sua obra.
Pense nisto: Quando Deus Filho partiu, Ele não quis levar nem João nem Pedro em sua companhia. Estas foram as suas palavras: “Filhinhos, ainda por um pouco estou convosco; buscar-me-eis, e o que eu disse aos judeus, também agora vos digo a vós outros: Para onde eu vou , vós não podeis ir... (João 13:33)”.
Mas no momento em que Deus Espírito Santo for embora, e muitos acreditam que isso vai acontecer em breve, Ele vai levar os remidos do Senhor em sua companhia. É o arrebatamento. Nós seremos arrebatados com Ele para encontrar com o Senhor nos ares.
Quem é este Espírito Santo? Eu pensei certa vez que ele fosse como uma fumaça, alguma coisa flutuante que eu jamais poderia conhecer realmente. Mas aprendi que Ele não só é real, como também possui uma personalidade.
O que está do lado de dentro?
O que faz de mim uma pessoa? É o meu corpo físico? Penso que não. Estou certo que você já foi a um enterro e viu um corpo morto deitado no caixão. Você está olhando para uma pessoa? Não! Está vendo um corpo morto.
É preciso compreender que o que faz a pessoa não é o corpo. Em lugar disso, a pessoa é o que sai do corpo. Emoções. Vontade. Intelecto. Sentimentos. Essas são algumas características que tornam você uma pessoa e que lhe dão uma personalidade.
As pessoas que me ouvem pregar não estão vendo Benny Hinn. Apenas vêem o meu corpo. Eu estou dentro do meu corpo físico. A pessoa do lado de dentro é que é importante.
O Espírito Santo é uma pessoa. Assim como você, Ele pode sentir, compreender e responder. Ele fica magoado. Ele tem capacidade de amar e odiar. Ele fala, e tem sua própria vontade.
Mas, que é Ele exatamente? O Espírito Santo é o Espírito de Deus Pai e o Espírito de Deus Filho. Ele é o poder da divindade – o poder da Trindade.
Qual Sua tarefa? A tarefa do Espírito é reforçar o mandamento do Pai e o desempenho do Filho.
Para compreender a obra do Espírito Santo, precisamos entender primeiro a obra do Pai e do Filho. Deus Pai é quem dá a ordem. Ele é sempre aquele que diz: – Haja. – Desde o início é Deus quem dá as ordens.
Por outro lado, é o Deus Filho que realiza as ordens do Pai. Quando Deus pai disse: – Haja luz – Deus Filho veio e cumpriu esta ordem. A seguir, Deus Espírito Santo trouxe a luz.
Quero ilustrar deste modo: Se eu lhe pedisse: – Por favor, acenda a luz – três forças estariam envolvidas. Primeiro, eu daria a ordem. Segundo, você apertaria o interruptor. Em outras palavras, você cumpriu uma ordem. Mas, finalmente, quem forneceu a luz? Não sou, nem você. É o poder – a eletricidade – que produz a luz!
O Espírito Santo é o poder de Deus. Ele é o poder do Pai e do Filho. É Ele quem processa a ação do Filho. Todavia, Ele é uma pessoa. Ele tem emoções que são expressas de maneira individual na Trindade.
Alguém me perguntou: – Benny, você não está esquecendo a importância de Cristo em tudo isso? – Jamais! Como poderia esquecer quem me amou e morreu por mim? Mas algumas pessoas se concentram tanto no Filho que esquecem o Pai – aquele que nos amou e enviou o seu Filho. Não posso esquecer-me do Pai nem do Filho. Mas não posso estar em contato com o Pai e o Filho, sem o Espírito Santo (veja Ef. 2.18).
Comunhão
Durante um dos primeiros encontros com o Espírito Santo, tive uma experiência que me fez chorar. Com a mesma simplicidade com que falo com você, eu perguntei a Ele – O que devo fazer contigo? Quer me dizer com o que Tu te assemelhas? – Eu era como uma criança, tentando aprender. E achava que Ele não iria zangar-se com minhas perguntas sinceras.
O encontro de comunhão
Foi esta a resposta do Espírito Santo: – sou aquele que tem comunhão com você.
Como um estalar de dedos este versículo surgiu em minha mente: “A graça do Senhor Jesus Cristo, e o amor de Deus e a comunhão do Espírito Santo sejam com todos vós” (2 Co 13.13).
Pensei: - É isso! O Espírito Santo é aquele que comunga, que está em comunhão comigo. – Depois perguntei – Como posso estar em comunhão contigo, mas não com o Filho? – E Ele respondeu: - É assim que deve ser. Estou aqui para ajudá-lo em suas orações ao Pai para ajudá-lo a orar ao Filho.
Toda a minha abordagem sobre a oração mudou imediatamente. Era como se eu tivesse recebido uma chave de ouro que abria os portões dos céus. A partir desse momento tinha um amigo pessoal que me auxiliava a falar com o Pai em nome de Jesus. Ele literalmente levou-me a ficar de joelhos e tornou fácil a comunicação com o Pai.
Que comunhão! É isso que o Espírito Santo anseia – a comunhão com você!
Deixe-me explicar. Na comunhão não há pedidos ou petições como acontece na oração. Se eu pedisse: - Quer trazer-me um pouco de comida? – Seria um pedido. Mas a comunhão é muito mais pessoal. – Como você está hoje? – Isso é camaradagem, comunhão.
Lembre, não existem pedidos egoístas na comunhão. Apenas amizade, amor e comunicação. Foi o que aconteceu comigo. Comecei a esperar pelo Espírito Santo antes de orar. Eu dizia: - Precioso Espírito Santo, quer vir agora e ajudar-me a orar?
A bíblia diz: “Também o Espírito, semelhantemente, nos assiste em nossa fraqueza; porque não sabemos orar como convém, mas o Espírito intercede por nós sobremaneira com gemidos inexprimíveis. E aquele que sonda os corações sabe qual é a mente do Espírito, porque segundo a vontade de Deus é que ele intercede pelos santos” (Rm 8 : 26-27).
Quando não sabemos como orar, Ele vem em nossa ajuda.
Este foi o princípio que aprendi. O Espírito Santo é o único professor da bíblia.
“Ora, não temos recebido o espírito do mundo, e, sim, o Espírito que vem de Deus para que conheçamos o que por Deus nos foi dado gratuitamente. Disto também falamos, não em palavras ensinadas pela sabedoria humana, mas ensinadas pelo Espírito, conferindo coisas espirituais com palavras espirituais.” (1 Co 2.12-13).
Acompanhado pelo Espírito
Desde o meu primeiro encontro com o Espírito Santo, comecei a perceber que Ele era um grande professor – Aquele que me levaria a “toda verdade”. Foi esta a razão de ter perguntado: – Quer explicar-me o sentido destas escrituras?
Mas eu continuava querendo saber: – Quem és Tu? Porque és tão diferente? – eu dizia – Gostaria de saber como és Tu!
Meigo, mas poderoso
Foi isto que vi. O que Ele me revelou foi uma pessoa poderosa e alguém parecido com uma criança ao mesmo tempo. Quando você magoa uma criança, ela se afasta; quando você mostra amor por uma criança, ela fica bem perto de você. – E foi assim que comecei a me aproximar d’Ele. Sentia sua meiguice; todavia, Ele é forte e poderoso.
Como uma criança, porém, Ele quer ficar bem perto dos que o amam.
Você já viu um menino ou menina agarrado na saia da mãe ou nas calças do pai?
Onde o pai e a mãe vai, a criança se agarra a ele e o segue. Esse é um sinal certo de que ela é amada e cuidada. O mesmo ocorre quanto ao Espírito Santo. Ele fica junto dos que o amam.
Como foi possível ao grande evangelista Charles Finney pregar o evangelho, fazendo com que as pessoas “morressem sob o poder” e confessassem os seus pecados?
Qual foi o poder que veio sobre ele, quando John Wesley ficou em pé sobre um túmulo e abriu a boca para pregar? A pessoa do Espírito Santo acompanhou o ministério deles.
Na cidade de Nova Iorque, Kathryn Kuhlman acabara de pregar numa convenção dos homens de negócios do evangelho pleno. Ela foi levada até o elevador, atravessando a cozinha, a fim de evitar a multidão. Os cozinheiros não sabiam que havia uma reunião e nunca tinham ouvido falar da Srta. Kuhlman. Em seus chapéus e aventais brancos eles nem sequer perceberam que ela passava. Mas, de repente, todos estavam caídos no chão. Por quê? Kathryn não orou por eles, só passou por ali. O que aconteceu? A sair da reunião, parece que o poder de Sua presença a acompanhou.
Quem é o Espírito Santo? Ele é o poder do Senhor. Esse poder tornou-se mais evidente para mim quando comecei a orar sozinho em meu quarto. Dia após dia, hora após hora, eu levantava as mãos e dizia – Precioso Espírito Santo, quer vir agora e falar comigo?
– Para quem mais poderia voltar-me? Minha família estava contra mim. Meus amigos eram poucos. Só havia Ele. Só o Espírito Santo.
Algumas vezes Ele vinha como um vento. Como uma brisa fresca em dia de verão.
A alegria do Senhor me empolgava até que não pudesse mais conter-me. Enquanto conversávamos, eu dizia: – Espírito Santo, eu Te Amo e anseio pela Tua comunhão. – E descobri que era um sentimento mútuo, Ele também ansiava pela minha comunhão.
O jantar pode esperar
Certa vez, na Inglaterra, eu me hospedara na casa de uma família cristã. Meu quarto era na parte superior de casa. Uma noite eu me achava perdido no Espírito, falando com Ele na maior empolgação. A dona da casa me chamou: – Benny, o jantar está pronto.
Mas eu estava radiante de alegria e não queria descer. Ela chamou de novo: – o jantar está pronto. Quando me preparava para sair, alguém tomou a minha mão e disse: – Mais cinco minutos. Só mais cinco minutos. – O Espírito ansiava pela minha comunhão.
Você indaga – O que eu falava com Ele? – Eu lhe fazia perguntas.
Por exemplo, certo dia perguntei: – Como pode ser distinto do Pai e do Filho? Ele instantaneamente mostrou-me Estevão sendo apedrejado e me disse: – Estevão viu o Pai e o Filho e Eu estava nele – três indivíduos distintos.
Estevão recebeu o poder do Espírito Santo para suportar o sofrimento. Jesus foi quem esperou pela chegada dele. E o Pai era quem estava sentado no trono. Você poderia ler a respeito em Atos 7.54-56.
O Espírito Santo mostrou-me ainda mais. Foi Ele quem deu a Moisés o poder para libertar os filhos de Israel. Ele foi o poder na vida de Josué. Ele foi a força por trás do vento que dividiu o Mar Vermelho. Ele foi o grande poder que derrubou os muros de Jericó. Ele foi a energia que lançou a pedra quando Davi matou Golias.
O Espírito Santo. Ele foi a força na vida de Samuel, em Elias – e no Senhor Jesus Cristo.
Jesus era totalmente homem, todavia a escritura deixa claro que Ele não podia mover-se sem o Espírito Santo. Ele não pregava, sem o Espírito Santo. Não colocava suas mãos sobre os doentes sem o Espírito Santo. “O Espírito do Senhor está sobre mim” – disse Ele, ao iniciar, seu ministério, “pois me ungiu para evangelizar...” (Lucas 4.18).
O que aconteceu quando Jesus voltou ao Pai? Os discípulos ficaram subitamente em tal comunhão com o Espírito que todo o seu vocabulário mudou. Eles começaram dizer que “o Espírito Santo e nós” havíamos testemunhado Sua ressurreição. Ele tornou-se parte de cada ato de suas vidas. Estavam em comunhão total – trabalhando juntamente com o filho.
O que deu à vida do apóstolo Paulo poder para suportar as adversidades? E o que havia na vida de Pedro para permitir que até a sua sombra curasse os doentes? Era o toque do Espírito.
David Wilkerson fala sobre sua visita a uma mulher de Deus chamada Basilea Schlink. Ele disse que no momento em que entrou no quarto dela, pôde sentir a presença do Senhor. Por quê? Porque ela amava o Espírito Santo. E aqueles que o amam conhecem a Sua presença.
Você reconhece essa voz?
Quando Jesus estava na terra e os discípulos tinham um problema, a quem eles procuravam? Eles iam ao Filho e perguntavam: – O que devemos fazer? E Ele dava instruções. Mas quando Cristo voltou ao Pai, eles não ficaram sozinhos. Jesus lhes disse: – O Espírito Santo irá guiar vocês. Irá consolá-los. Irá ensiná-los e fazê-los lembrar de todas as coisas que vos tenho dito. Ele falará sobre mim.
Pedro e João passaram a dizer: “Maravilhoso Espírito Santo”. Paulo falou de sua “comunhão”.
Depois de Pedro ter sua visão no eirado da casa de Simão, o curtidor, em Jope, “disse-lhe o Espírito: Estão aí dois homens que te procuram; levanta-te, desce e vai com eles nada duvidando, porque eu os enviei”. (Atos 10. 19-20).
Pedro reconheceu a voz do Espírito Santo e foi esse o início da pregação do evangelho aos gentios.
Como o eunuco etíope converteu-se? “Então o Espírito disse a Felipe: Aproxima-te desse carro, e acompanha-o” (Atos 8.29). Felipe reconheceu a voz do Espírito Santo. Não foi Deus que falou com ele – nem Deus Filho. Creio que o maior pecado contra o Espírito Santo é entristecê-lo, o que significa negar Seu poder e presença. Em nenhum ponto das escrituras você encontra as palavras,” “Não entristeça Deus Pai” ou “Não entristeça Deus Filho”. Mas, em toda a bíblia lemos, “Não entristeça o Espírito”.
Deus disse aos filhos de Israel no deserto: – Vocês entristecem ao meu Espírito – Ele não disse: – Vocês me entristecem. Jesus olhou para os fariseus, exclamando: – “Todo aquele que proferir uma palavra contra o Filho do homem, isso lhe será perdoado; mas, para o que blasfemar contra o Espírito Santo, não haverá perdão.” (Lucas 12.10)
A pessoa do Espírito Santo é distinta na Divindade. Ele é terno. É sensível. Em vista de Jesus tê-lo dado a você e a mim, Ele não vai nos abandonar.
O Espírito Santo é um cavalheiro. Ele não entra em seu quarto a não ser que você o convide. Ele não se senta caso não lhe peça. E não fala com você até que você fale com Ele.
Quanto tempo Ele espera? Até que fale com Ele. Poderia levar meses e até anos. Ele espera e espera. Meu amigo, você não vai conhecer nunca o Seu poder, nem a Sua presença, a não ser que vá sentar-se ao lado d’Ele e diga: – Maravilhoso Espírito Santo, conte-me tudo sobre Jesus.
Eu quase não podia segurar o telefone
Depois de terminar o programa radiofônico na Flórida, a mulher que me entrevistou disse: – Benny, sou cristã há tanto tempo, mas alguma coisa está faltando em minha vida.
O que deseja? – perguntei. Ela respondeu: – Preciso da realidade de Deus em minha vida.
Indaguei se conhecia a Deus Espírito Santo. – Conheço a Jesus, - respondeu.
O Espírito Santo é uma pessoa, - disse a ela. – Como eu me sentiria se você estivesse a meu lado e me ignorasse? Quando nos encontráramos espero que converse comigo. O mesmo acontece com o Espírito Santo.
Nunca pensei nisso. – replicou. – Quando estiver sozinha esta noite, fale com Ele, disse eu.
E Jesus? – perguntou-me. Eu lhe disse – Fique sentada esperando por Ele, é Ele que glorifica a Jesus. Não, você não está esquecendo a Jesus. Foi na verdade Cristo que lhe deu o Espírito Santo. Faça apenas o que Jesus disse.
No dia seguinte recebi um telefonema da entrevistadora de rádio mais entusiasmada do que você possa imaginar. – Sabe o que aconteceu comigo ontem à noite? – ela perguntou, falando tão depressa que tive que obrigá-la a diminuir o ritmo da conversa. – Benny, o Espírito Santo falou comigo.
Suas palavras me causaram um arrepio na pele. Eu quase não podia segurar o telefone. Ela começou a chorar ao contar-me que o Espírito Santo lhe disse – Eu procurei no mundo inteiro e não há ninguém como Jesus – E Ela me falou sobre as palavras que ouvira – “Vem, Senhor Jesus. Vem Senhor Jesus”.
Imediatamente me lembrei das palavras: “O Espírito e a noiva dizem: Vem” (Ap.22.17).
Esta é uma das lições mais importantes que aprendi. A pessoa que tem consciência da presença do Espírito Santo irá sempre glorificar e engrandecer a Jesus.
Quando você conhece realmente o Espírito, você irá glorificar a Jesus Cristo, o Filho de Deus, porque o Espírito Santo que habita em você irá glorificar ao Filho de Deus.
É automático. Só Jesus é glorificado numa vida cheia do Espírito.
Cada ato da sua vida reflete aquilo com o que enche a sua vida. Se ela é preenchida com jornais, você falará de notícias. Se você vive de novelas, é disso que vai falar. Mas se estiver cheio do Espírito e se absorver na Sua presença, você buscará a Jesus e não glorificará a ninguém exceto a Jesus.
Se Deus Pai e Deus Filho demonstraram seu amor pelo Espírito Santo, como poderemos fazer menos que isso?
Deus o amava tanto que castigou aos filhos de Israel pela sua desobediência, “Mas eles foram rebeldes, e contristaram o Espírito Santo pelo que se lhes tornou em inimigo”. (Is. 63.10). Deus não permitiu que um sacrifício e nem mesmo as orações de Moisés obtivessem perdão para o pecado contra o Espírito Santo.
O alto custo da mentira
A experiência de Ananias e Safira torna claro o que acontecerá aos que desconsiderarem o Espírito Santo. O casal vendeu uma propriedade e só deu uma pequena parte do que pertencia a Deus. Pedro disse: “Ananias, por que encheu Satanás teu coração, para que mentisse ao Espírito Santo?” (Atos 5.3). Ananias morreu imediatamente. Algumas horas depois, sua mulher entrou e Pedro interrogou-a, “Dize-me, vendeste por tanto aquela terra?”.
“Ela respondeu: Sim, por tanto” Pedro replicou: “Por que entraste em acordo para tentar o Espírito do Senhor? Eis aí à porta os pés dos que sepultaram o teu marido, e eles também te levarão. No mesmo instante caiu ela aos pés de Pedro e expirou”. (Atos 5.7-10).
O pecado contra o Espírito é perigoso. Se não entender as obras do Espírito, não fale sobre elas. É melhor ficar calado. Em meus cultos oro para que tudo que eu faça seja de acordo com a Sua perfeita vontade, o Espírito Santo foi quem me chamou e é Ele que controla as minhas reuniões. Em outras palavras Ele é o chefe do culto.
Você precisa pedir-lhe que tome conta de sua vida. Por quê? Porque Ele foi enviado para estar com você e em você para sempre. Você pode conhecê-lo e ter comunhão com Ele. Quanto mais comunhão com Ele tanto mais poderoso Jesus se torna. E tanto mais belo e amoroso também. Cristo disse: “Quando, porém, vier o Consolador , que Eu vos enviarei da parte do Pai, o Espírito da verdade que d’Ele procede, esse dará testemunho de mim”. (João 15.26).
Se eu quiser então conhecer a Jesus, devo ir ao Espírito Santo. Jesus disse isso e Ele sabia do que falava.
No Antigo Testamento, Moisés pôde ir ao Pai. No Novo Testamento, os discípulos podiam falar com o Filho. Mas quando você e eu temos uma necessidade, a quem devemos procurar? Ao Espírito Santo. Ele é uma pessoa e está esperando por você agora, a fim de que o acolha em sua vida.
Ao buscar sua presença, você vai descobrir o segredo dos grandes homens e mulheres de Deus. Davi disse: “Não me lances fora da tua presença, e não retire de mim o teu santo Espírito” (Sl. 51.11). Ele sabia muito bem o que tinha acontecido quando o Espírito abandonou a Saul.
Paulo nos disse para andar no Espírito, viver no Espírito, orar no Espírito. Pedro e Filipe falaram d’Ele, assim como Cristo.
É hora de começar
Você pergunta: – Como devo começar? – É, na verdade, muito simples. Você pode começar, dizendo: – Espírito Santo, ajude-me a orar agora. – Isso é exatamente o que Ele quer que você faça. A bíblia diz que Ele ora por você “com gemidos inexprimíveis”.
Depois de ter começado, você sentirá o seu fardo sendo levantado. Você vai ter um companheiro de oração que o levará diretamente ao trono de Deus.
O Espírito Santo é uma pessoa maravilhosa. Ele quer ser seu amigo mais íntimo, e está esperando para levá-lo para mais perto de Jesus. Cristo disse, “Se eu não for, o Consolador não virá para vós outros; se, porém, eu for, eu vô–lo enviarei”. (João 17.7).
Ele afirmou então que o Espírito Santo “vos guiará a toda verdade” e “Ele me glorificará porque há de receber do que é meu e vô–lo há de anunciar” (João 16. 13-14). E não apenas isso, Ele irá prepará–lo para a vinda do Senhor, a fim de que esteja pronto quando vier o arrebatamento.
O Espírito Santo está esperando. Ele quer que você comece um novo relacionamento, de pessoa para pessoa.
Capítulo 5 – De quem é a voz que você está ouvindo?
“Benny, quero que pare de falar de Jesus nesta casa. Entendeu?”. Não vou me esquecer da voz zangada de meu pai, que ficou furioso com a minha conversa. Depois do meu encontro com o Espírito Santo, a raiva dele cresceu ainda mais.
Mas eu comecei a ouvir uma voz. Era o som do Espírito, e Ele me deu um amor por meu pai, que superou tudo que eu conhecera como criança ou adolescente. Por mais que meu pai falasse, eu só conseguia olhar para ele com inteira tranqüilidade. Parecia que quanto mais irado ele ficava, tanto mais amor o Espírito me dava.
Três coisas aconteceram quando o Espírito entrou em minha vida.
Primeiro a palavra do Deus vivo se tornou absoluta em mim. Eu não lia mais um pedaço do livro de Mateus e um pedaço de Salmos. Eu abria a bíblia e sentia como se estivesse dentro dela – vendo-a “viva e em cores vivas”. A voz do Espírito Santo me levou a uma grande aventura nas escrituras.
Segundo, minha vida de oração mudou completamente. As horas de oração, bocejos, e repetições acabaram. O Espírito Santo e eu conversávamos. Ele tornou a Deus real. Ele me deu poder e coragem que me fizeram sentir como se tivesse três metros de altura.
E, terceiro, Ele transformou minha vida cristã diária. Eu comecei a cantar e não sabia a razão disso até que li as palavras: “Enchei-vos do Espírito, falando entre vós com salmos, entoando e louvando de coração ao Senhor, com hinos e cânticos espirituais” (Ef. 5.18-19).
O que começou a acontecer comigo não era natural. Mas sobrenatural. O Espírito tomara o controle. Ele começou a me batizar com amor pelas pessoas – especialmente meu pai. Era exatamente como a palavra dizia: “O amor de Deus é derramado em nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi outorgado” (Rm. 5.5.).
Tornei-me uma pessoa tão diferente que meus instintos e reações naturais passaram a ser guiados pelo Espírito. Aprendi o que significava “crucificar a carne” e compreendi que não podia fazer isso sozinho. “Porque, se viverdes segundo a carne, caminhais para a morte; mas, se pelo Espírito mortificardes os feitos do corpo, certamente vivereis. Pois todos os que são guiados pelo Espírito de Deus são filhos de Deus” (Rm. 8.13-14).
A sua voz
Como você é guiado pelo Espírito? Você se familiariza com a sua voz. Você a reconhece. Você responde a ela. Quanto mais comunhão com Ele, mais profundo se torna o relacionamento.
No começo
Desde o início dos tempos, Deus tornou clara a Sua pessoa e o poder do Espírito Santo. De fato, o Espírito Santo é a primeira manifestação da divindade na escritura. “E o Espírito de Deus pairava sobre as águas” (Gn. 1.2).
Quando Deus criou a Adão do pó da terra, Ele começou moldando o barro. Este barro estava absolutamente morto até que recebeu o sopro da vida. A bíblia diz que Deus “lhe soprou nas narinas o fôlego da vida, e o homem passou a ser alma vivente”. (Gn. 2.7).
O sopro de Deus é o Espírito Santo. Jô fez esta descrição: “O Espírito de Deus me fez, e o sopro do Todo Poderoso me dá vida” (Jô 33.4).
No momento em que Deus soprou sobre ele, Adão viveu. Quando Adão abriu os olhos, o primeiro contato que ele teve foi com o Espírito Santo. Pois ele era o sopro que fluiu pelo corpo de Adão e permaneceu pairando sobre ele. Adão levantou-se, completamente cheio com a presença de Deus.
A escritura me diz que Deus Espírito Santo era o poder da criação.
“Pelo seu sopro (Espírito) aclara os céus” (Jô 26.13).
O mais excitante, porém, é que Deus quer dar esse mesmo Espírito a você a mim. Ele quer na verdade “derramá-lo” sobre você.
“Até que se derrame sobre nós o Espírito lá do alto; então o deserto se tornará em pomar e o pomar será tido por bosque; o juízo habitará no deserto, e a justiça morará no pomar” (Is 32. 15-16).
Que maravilhosa promessa! Deus quer derramar sobre você o seu Espírito. Ele quer soprar o seu Espírito sobre você. Ele quer que você, como Adão, passe a viver!
Compreender que o sopro de Deus é o Espírito de Deus foi, para mim, como descobrir um tesouro escondido. Você já ouviu a voz do Todo Poderoso? Muitas pessoas já ouviram. Mas, exatamente, quem estava falando? De quem foi a voz que você ouviu?
Creio que ouviu ao Espírito Santo. É Ele quem comunica a voz de Deus. A descrição da Voz de Deus Pai está registrada em Jó:
“Daí ouvido ao trovão... Deus troveja com o estrondo da sua Majestade... Com a sua voz troveja Deus maravilhosamente; Faz grandes coisas, que nós não compreendemos” (Jó 37.2,4-5).
O poder da voz de Deus era mais do que o povo de Israel podia compreender.
Uma voz dos céus
De que forma Deus falou a Moisés? Através de um anjo.
Deus falou três vezes no Novo Testamento.
Primeiro, Ele falou de Jesus: “E eis uma voz dos céus, que dizia: Este é o meu Filho amado, em quem me comprazo” (Mt.3.17).
A seguir, o próprio Jesus pediu ao Pai para “glorificar o seu nome”. E foi isto que aconteceu: “Já o tenho glorificado, e outra vez o glorificarei” (João 12.28). A multidão que ouviu a voz disse que tinha havido um “trovão” (v.29).
A única vez em que Deus falou diretamente foi quando as nuvens rodearam os discípulos no Monte da Transfiguração e Ele disse: “Este é o meu Filho amado, em quem me comprazo: a ele ouvi” (Mt. 17.5). A voz de Deus produziu novamente um impacto poderoso. “Ouvindo-a os discípulos, caíram de bruços, tomados de grande medo. Aproximando-se deles, tocou-lhes Jesus, dizendo: Erguei-vos e não temais. Então eles, levantando os olhos, a ninguém viram senão a Jesus” (vv.6-8).
Você talvez diga: – Benny, pensei que Deus falava através da Palavra. – É isso mesmo. Mas quem estava falando era o Espírito Santo.
Deixe-me dar um exemplo. A voz ouvida pelos profetas era a do Espírito e não a voz do Filho ou do Pai. Isaías fala sobre ouvir a voz do Senhor dizendo: Vai e dize ao povo:
“Ouvi, ouvi, e não atendais; vede, vede, mas não percebais. Torna insensível o coração deste povo, endurece-lhe os ouvidos, e fecha-lhes os olhos, para que não venha ele a ver com os olhos, a ouvir com os ouvidos, e a entender com o coração, e se converta e seja salvo” (Is. 6.9-10).
Mas, quem está realmente falando? Seria na verdade a voz do Senhor? Ou seria a voz de Jeová na terra – o Espírito Santo? Para descobrir, vamos examinar essa mesma passagem conforme repetida no livro de Atos.
Em Roma, sob o olhar vigilante de um soldado, Paulo fez a seguinte pregação:
“Bem falou o Espírito Santo a vossos pais, por intermédio do profeta Isaías, quando disse: Vai a este povo e dize-lhe: De ouvido ouvireis, e não entendereis, vendo vereis e não percebereis. Porquanto o coração deste povo se tornou endurecido; com os ouvidos ouviram tardiamente, e fecharam os seus olhos para que jamais vejam com os olhos, nem ouçam com os ouvidos, para que não entendam com o coração e se convertam, e por mim sejam curados” (Atos 28.25-27).
Quem falou realmente essas palavras? O que Isaías atribuiu ao Senhor, Paulo esclareceu como tendo sido dito pelo Espírito Santo.
Lembre-se de que o Novo Testamento explica o Antigo. Lemos em Jeremias:
“Porque esta é a aliança que firmarei com a casa de Israel, depois daqueles dias, diz o Senhor. Na mente lhes imprimirei as minhas leis, também no coração lhas escreverei; eu serei o Seu Deus e eles serão o meu povo” (Jr. 31.33).
O profeta escreve, “diz o Senhor”, mas para entender a verdadeira origem dessa passagem, você precisa lê-la no livro de Hebreus: “E disto dá testemunho também o Espírito Santo; porquanto após ter dito: Esta é a aliança que farei com eles, depois daqueles dias, diz o Senhor. Porei nos seus corações as minhas leis, e sobre as suas mentes as inscreverei” (Hb 10.15–16).
Quem disse isso? O Espírito Santo. Ele não só deu testemunho, mas a escritura também revela que após ter dito (v. 15), ou seja, Ele já havia falado antes.
Quem é Jeová?
Uma mudança profunda teve lugar na minha vida espiritual quando compreendi que o Espírito Santo era Deus. – Milhares de pessoas – e eu era uma delas – são ensinadas a crer que Ele não tem uma posição comparável à de Deus. Somos de alguma forma ensinados a pensar que, por vir em terceiro lugar, Ele não é realmente Deus.
Você deve compreender esta verdade: O Espírito Santo é Deus. Ele não é menos Deus que Jesus. Ele não é menos Deus que o Pai. Ele é tão Deus quanto o Pai e o Filho.
Jeová é o nome do ser trino e não apenas o nome de um deles. O Pai é chamado Jeová. O Filho é chamado Jeová. O Espírito Santo é chamado Jeová.
Quando Deus Pai fala, Ele fala através da voz do Espírito Santo. Quando Jesus enviou os Doze, Ele disse: “Não cuideis em como, ou o que haveis de falar, porque naquela hora vos será concedido o que haveis de dizer; visto que não sois vós que faleis, mas o Espírito de vosso Pai é quem fala em vós”. (Mt. 10.19-20).
Somos repentinamente advertidos em Apocalipse : “Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz...” (Ap. 2.7,11,17). Qual a voz que devemos ouvir? A voz do Espírito.
Nem mesmo Cristo fala sem o Espírito Santo. Lemos em Atos que Ele foi assunto aos céus... “Depois de haver dado mandamentos por intermédio do Espírito Santo aos apóstolos que escolhera”. (At 1.2). E em Hebreus descobrimos que Cristo ofereceu-se a Si mesmo a Deus “pelo Espírito eterno”. (Hb. 9.14).
Está ficando claro? O Espírito é quem liga o céu com o seu coração. Ele é a voz de Deus para você. Você diz: – Olhe, eu sei que era Deus falando comigo – Era Deus com toda a certeza. Era Deus o Espírito Santo. Ou, em outras palavras, é o Pai, através do Filho, falando pelo Espírito.
Pelo que já aprendeu, você pode imaginar o que aconteceria se Deus Pai viesse a falar-lhe audivelmente. Você não poderia suportar. Duvido que esteja sequer preparado para ouvir a voz de Jesus, descrita como “voz de muitas águas” (Ap. 1.15). Quando João a ouviu, ele caiu aos pés d’Ele “como morto” (v. 17).
O Espírito Santo, porém, toma a voz do Pai e do Filho e a torna baixa, agradável e perfeitamente clara.
No momento em que compreendi que o Espírito Santo era Deus, e comecei a adorá-lo e tratá-lo como Deus, minha vida começou a mudar.
Eu não considerava mais o Espírito Santo como um ser inferior, mais fraco, envolvido numa névoa, encostado a um canto. Toda a minha adoração não ia mais só para Deu Pai e Deus Filho.
Quero repetir: O Espírito Santo é Deus, igual em majestade, poder, glória e eternidade. Ele é Deus.
O que Jesus disse sobre o Espírito Santo? Ele disse que quando o Espírito vier “não falará por si mesmo, mas dirá tudo o que tiver ouvido” (João 16.13) O que Ele ouve? O precioso Espírito Santo ouve ao Pai e fala diretamente com você. Mas ao falar, Ele não declara: – O Pai diz - mas sim, Eu digo. – Por quê? Porque o Pai, o Filho e o Espírito Santo agem sempre em harmonia.
Como o sol no firmamento
É tão fácil limitar a Divindade ou dividi-la de maneira não bíblica. Os cristãos jovens perguntam freqüentemente: – Como Deus pode ser um em três ao mesmo tempo? – Deus é um só. Mas Deus é três: o Pai, o Filho e o Espírito Santo. Embora este livro se refira ao Espírito Santo, estou distinguindo os três propósitos, para mostrar-lhe o ser trino.
Deus é como o sol no firmamento. Se você contemplar o seu brilho verá apenas um sol. Na realidade, porém, é um sol trino que mantém nosso planeta vivo. Existem nele três elementos distintos: o sol, a luz e o calor.
O mesmo acontece com a trindade. O Pai é como o sol no seu todo, Jesus é a luz e o Espírito Santo o calor que você sente. Quando você fica na presença do Pai, o que sente? O calor, a energia e o poder do Espírito Santo.
Se contempla a face do Pai, quem vê? “Quem me vê a mim vê o Pai”, disse Jesus a Filipe (João 14.9).
Fico vibrando quando penso na hora em que entrar no céu. A Divindade estará ali.
Quando ficar diante do Pai verei os três – o Espírito, o Filho e o próprio Deus.
Com quem Deus se parece? A palavra de Deus em lugar algum descreve a Deus Pai em detalhe. Estevão “cheio do Espírito Santo, fitou os olhos no céu e viu a glória de Deus, e Jesus, que estava à sua direita” (Atos 7.55).
Estevão viu a Jesus claramente, mas só viu a “glória” que cercava o Pai, Deus Pai tem uma forma, mas nenhum homem sabe qual é ela (Fp 2. 6) . A palavra diz, “Ninguém jamais viu a Deus” (João 1.18), mas o Filho veio para revelá-lo.
Se você examinar cuidadosamente as palavras de Cristo, compreenderá como o Espírito encerra a divindade. Jesus disse, “Ninguém vem ao Pai senão por mim” (João 14.6). A escritura também ensina que somos levados a Cristo pelo Espírito. Ou seja, é preciso que você tenha o Espírito se quiser a divindade. Quando você abraça ao Espírito, está também abraçando ao Pai e ao Filho.
Jamais esqueci o dia em que o Espírito Santo me revelou que Sua Soberania é igual à de Jesus. Ele me mostrou na escritura que é chamado Senhor.
Escrevendo à igreja de Corinto, Paulo diz: “Ora, o Senhor é o Espírito; e onde está o Espírito do Senhor aí há liberdade” (2 Co 3.17). É isso mesmo. Todos confessamos a Jesus como Senhor, mas o Espírito Santo também é Senhor. Ele é o Espírito de Jesus.
O Espírito Santo é onipresente. Infelizmente, no entanto, a liberdade não se encontra em toda parte. Algumas igrejas parecem mais uma prisão hostil do que uma casa de louvor.
Por quê? Porque o Espírito não é o Senhor nessa congregação.
Não se esqueça. O Senhor é o Espírito! Paulo escreve no versículo seguinte: “E todos nós com o rosto desvendado, contemplando, como por espelho, a glória do Senhor, somos transformados de glória em glória, na sua própria imagem, como pelo Senhor, o Espírito” (v.18).
Como saber?
A seguir, você precisa entender que a trindade é a glória de Deus. Deus Pai é a glória de Deus; Deus filho é a glória de Deus; e Deus Espírito Santo é a glória de Deus.
Mas, quem manifesta essa glória? É o Espírito Santo. Isso faz parte de Sua obra.
Vou fazer outra pergunta. – Você sabe que foi salvo do seu pecado? Como sabe?
Ouviu uma voz celestial do céu? Você viu a Jesus aparecer em seu corpo material e dizer, “Você está salvo”?
Como sabe que passou da morte para a vida? – Você sabe porque o Espírito lhe contou. Sabe tão bem, que morrerá por essa idéia. Por quê? Porque quando o Espírito Santo fala, Ele fala em seu íntimo – em seu sangue e medula.
Exatamente da mesma maneira sabemos que Jesus está vivo. Não pelo fato de ter visto o seu semblante, mas sabemos que Ele está vivo pelo Seu Espírito. E esse mesmo Espírito é a terceira pessoa da trindade.
Alguém me perguntou recentemente: – Benny, como você sabe que está salvo? – Tudo o que pude dizer foi: - Sei porque sei. – Essa foi a força, a segurança que o Espírito Santo me deu.
O Espírito não é apenas a voz que você ouve, Ele é também o imenso poder que você sente. O profeta Miquéias disse: “Eu, porém, estou cheio do poder do Espírito do Senhor, cheio de juízo e de força” (Mq 3.8). O Espírito Santo é o poder da divindade. O anjo disse a Maria quando ela estava preste à dar luz a Jesus : “Descerá sobre ti o Espírito Santo e o poder do Altíssimo te envolverá”. (Lc. 1.35). Ele é esse poder superior.
O Espírito Santo é também o seu grande defensor. Por exemplo, - Quem você pensa que o protege dos ataques de Satanás? É o Espírito Santo. “Vindo o inimigo como uma corrente de águas, o Espírito do Senhor arvorará contra ele a sua bandeira” (Is. 59.19, Almeida, Edição Revista e Corrigida). Quando lê esse versículo conhecido, você chega à conclusão que o inimigo vem como uma inundação. Mas tenho novidade para você: a inundação é o Espírito Santo e não o diabo. Veja bem, no idioma hebraico não existem vírgulas. Mas o tradutor colocou uma vírgula depois da palavra águas e tornou o inimigo mais poderoso do que realmente é. O hebraico diz que quando vier o inimigo “como uma corrente de águas o Espírito do Senhor arvorará contra ele a sua bandeira”.
“Segue-me”
Quem mantém você salvo? O Espírito Santo. Essa é a tarefa atribuída a Ele por Cristo. Nós o chamamos muitas vezes de Jesus, mas Ele é na realidade o Espírito Santo de Jesus. Nós o separamos outra vez para fins de debate, a fim de poder entendê-los melhor por serem realmente um ser. Porque onde está o Espírito Santo, Jesus está, e o Pai está.
Quando o Espírito Santo fala com você, os três estão falando, mas você ouve o Espírito Santo. O Espírito Santo é aquele que você sente, O espírito Santo é quem o guia na verdade do Pai.
Quando li pela primeira vez as palavras de Jesus, “Segue-me”, fiquei pensando como isso seria possível. Seus seguidores deveriam ressuscitar com Ele na ascensão? Claro que não. Quando Cristo voltou ao Pai, Ele enviou o Espírito Santo, dizendo: “Ele vos guiará” (João 16.13) Jesus estava dizendo – Deixem de seguir-me. Eu estou indo embora, mas lhes enviarei o Espírito Santo. Vocês devem agora seguir a Ele. Por que dizemos então: – “Estou seguindo a Jesus” – quando o único guia que temos é o Espírito Santo?
Seguindo a sua voz
Desde o momento do primeiro encontro com o Espírito Santo, eu soube que deveria seguir a sua voz. Eu só tinha duas opções: seguir o som de um mundo materialista, ou seguir a Ele: “Porque os que se inclinam para a carne cogitam das coisas da carne; mas os que se inclinam para o Espírito, das coisas do Espírito “ (Rm 8.5).
Isso é tão básico quanto a própria vida. Se você quer a matéria, seguirá a matéria; mas se o seu coração almeja o Espírito, você será atraído por ele como um imã.
Tudo começa com a vontade. Eu tinha uma grande dúvida – Como posso realmente conhecer-Te? – essa pergunta era o clamor do meu coração. Minha grande ânsia era conhecer pessoalmente ao Espírito Santo. Não me decepcionei.
Paulo aconselha: “Andai no Espírito, e jamais satisfaça à concupiscência da carne. Porque a carne milita contra o Espírito, e o Espírito contra a carne, porque são opostos entre si; para que não façais o que porventura seja do vosso querer. Mas, se sois guiados pelo Espírito, não estais sob a lei” (Gl. 5.16-18).
Um fato surpreendente ocorreu com o apóstolo Paulo e seus companheiros durante suas viagens missionárias. Eles foram para a Frigia e Galácia, “Atravessaram a região frígio-gálata, tendo sido impedidos pelo Espírito Santo de anunciar a palavra na Ásia; e tendo chegado diante da Mísia, tentavam ir para Bitínia, mas o Espírito de Jesus não lho permitiu”. (Atos 16.6-7). Isso está certo. Eles estavam tão sintonizados com a voz do Espírito que provavelmente disseram: - Já que Ele não vai, nós também não vamos.
As palavras mais reveladoras do relato talvez sejam as de que eles foram “impedidos pelo Espírito Santo”. Quando Cristo voltou ao Pai, o Espírito Santo começou a fazer a obra de Cristo na terra.
Você já começou a reconhecer a voz d’Ele? Paulo reconheceu. Durante essa mesma viagem, através de uma visão, o Espírito mostrou ao apóstolo um homem de um país distante que estava em pé e lhe rogava. “Passa à Macedônia e ajuda-nos” (v.9). Paulo partiu imediatamente.
A sua consciência confirma
Como o Espírito Santo fala? Ele dá testemunho da sua própria consciência. Na carta de Paulo à igreja de Roma, ele diz: “Digo a verdade em Cristo, não minto, testemunhando comigo, no Espírito Santo, a minha própria consciência”. (Rm. 9.1).
Você nunca deve duvidar da orientação do Espírito Santo. Quando seu “homem interior” estiver perturbado, não faça qualquer movimento. Se você tentar seu próprio guia, irá entrar literalmente em colapso. Ouça a voz d’Ele quando fala à sua alma.
Durante um programa de construção de uma igreja, perguntaram-me: – Como você sabe que está fazendo a coisa certa? – A resposta foi a mesma que se estivesse indagado sobre a minha salvação. - Sei porque sei, porque sei... – O Senhor através do Espírito Santo, me disse para começar a construção. Cada decisão de minha vida é baseada nessa mesma voz interior.
As pessoas do mundo não têm a menor idéia das coisas do Espírito. Isso deve ao fato de serem espiritualmente cegas. Mas você pode saber. Por quê? Porque você compreende como o Espírito opera e está aprendendo a reconhecer a Sua voz.
Sabemos que o céu é real dessa mesma maneira, embora jamais tenhamos entrado pelos seus portões de pérolas. Ele se tornou vivo para nós pelo Espírito. Ler sobre o céu na palavra é maravilhoso, mas não é isso que lhe dá realidade. Milhares incontáveis leram a bíblia e continuam destinados à condenação eterna. Por quê? Por que a palavra não entrou em seus corações.
Eis a resposta. Ele deu a você compreensão de uma nova aliança, “não da letra, mas do Espírito; porque a letra mata, mas o espírito vivifica (2 Co 3.6)”.
Fico admirado como alguém pode ler a escritura e dizer: – Não, não acho que Ele quis dizer isso – ou – Ele não nasceu da Virgem Maria – O problema é simples, o seu modo de pensar é carnal.
Mas você pode discutir os mesmos assuntos com absoluta segurança. Não foi o que você leu, mas o que o Espírito Santo lhe disse. E você pode arriscar sua vida nisso!
Se quiser verdadeiramente compreender como o Espírito Santa fala, leia e releia estas palavras profundas: “O próprio Espírito testifica com o nosso espírito que somos filhos de Deus” (Rm 8.16). Como sabemos que isso é verdade? O Seu espírito testifica com o nosso espírito. Novamente, você sabe que sabe. O Espírito Santo é Deus, a testemunha. O que Pedro disse quando os apóstolos foram chamados perante o Sinédrio?
“Ora, nós somos testemunhas destes fatos, e bem assim o Espírito Santo, que Deus outorgou aos que lhe obedecem” (At. 5.32). Essa confirmação contínua é que mantém você no centro da vontade de Deus.
Se houve um versículo específico, revelado pelo Espírito Santo, que mudou completamente a minha vida, foi este: “A graça do Senhor Jesus Cristo, e o amor de Deus, e a comunhão do Espírito Santo sejam com todos vós” (2 Co 13.13).
O Espírito me apontou este versículo repetidas vezes. Quanto mais eu estudava, tanto mais entusiasmado me sentia. De repente soube que o Espírito Santo era para mim – hoje.
Eis o que o Espírito Santo me mostrou:
Quando conhecemos “a graça do Senhor Jesus Cristo”? Quando Ele morreu por nós.
Quando conhecemos o “amor de Deus”? Quando vimos a cruz.
Ambas pertencem ao passado.
Mas, a seguir lemos: “a comunhão do Espírito Santo seja com todos vós”. Eu exclamei, - É isso “O Espírito Santo está aqui para comungar comigo agora!”.
Que comunhão !
Qual o sentido de “comunhão” na bíblia? Existem sete significados
Primeiro, a palavra comunhão significa presença. Deus Pai deseja que a doce presença do Espírito Santo esteja com você.
Segundo, ela significa confraternizar. Você não precisa orar ao Espírito Santo, mas simplesmente confraternizar-se com Ele. Você deve buscar essa comunhão, como procuraria pela água no deserto.
O terceiro significado é compartilhar. Você derrama o seu coração e Ele derrama o d’Ele. Você compartilha a sua alegria e Ele compartilha a d’Ele. “Pois pareceu bom ao Espírito Santo e a nós”... escreveram os apóstolos aos crentes da Antioquia (At 15.28). Eles estavam compartilhando e até escrevendo cartas, juntos.
Quarto, comunhão significa participação com. O Espírito Santo se torna o seu parceiro. A escritura está cheia de frases como, “trabalhando com eles” e o “Espírito e nós”, tornando claro que a obra do Espírito é feita com a sua participação.
Quinto, ela significa intimidade. Você jamais experimentará um amor profundo em relação a Cristo até que venha conhecê-lo mediante o Espírito Santo que proporciona esta intimidade. Não há outro meio, Deus “derramou” o Seu amor em nossos corações “pelo Espírito Santo, que nos foi outorgado” (Rm 5.5). Você não pode amar a Deus sem o Espírito Santo.
Sexto, significa amizade. O Espírito anseia ser o seu amigo mais íntimo, alguém com quem você possa compartilhar os mais profundos segredos do seu coração.
E, sétimo, comunhão significa camaradagem. Em grego o termo significa comandante. Ele é como um capitão, um rei, um chefe – mas amável e amigo. Da mesma forma que ensinou aos apóstolos onde deviam ou não ir, Ele deve ter permissão para governar seus assuntos pessoais. Lembre-se desde que Cristo partiu, o Espírito Santo é “responsável” na terra.
Você está ouvindo a voz d’Ele? Está pronto para entrar em comunhão com Ele?
Quando comecei minha associação com o Espírito Santo falava com Ele dia e noite.
Não se passava um dia sem que eu dissesse: - Espírito Santo. Precioso Espírito Santo. – E começávamos assim o nosso período de oração e comunhão.
Oh! O som de sua voz!
Capítulo 6 – Espírito, Alma e Corpo.
Satanás, o grande enganador, fez um trabalho incrível.
Ele convenceu o mundo, até ministros dedicados do evangelho, de que o Espírito Santo não passa de uma influência ou um poder especial. Este engano é uma das prioridades de Satanás, pois ele sabe que no momento em que você descobrir a personalidade e realidade do Espírito, sua vida será dramaticamente mudada. Examine a história. Todo grande reavivamento foi acompanhado de uma revelação do Espírito Santo.
Até Matinho Lutero atribuiu a grande Reforma à obra do Espírito. Ele disse que Gálatas era o seu livro favorito da bíblia, por causa do versículo que diz: “Andai, no Espírito e jamais satisfareis a concupiscência da carne” (Gl 5.16).
Mas poucas pessoas sabem hoje o que significa “andar” no Espírito. A raiz da palavra significa em uníssono com, um com, ou ligado a – até mesmo comunhão com. É surpreendente como as pessoas cresceram numa igreja “Cheia do Espírito” chegam a perguntar-me: – Devo falar com o Espírito?
Fui recentemente convidado para pregar numa grande e histórica igreja pentecostal.
A congregação ficou chocada quando eu disse – Vocês redescobriram o Espírito Santo, mas o colocaram numa jaula. Expliquei então: – Vocês acharam que os católicos não podiam tê-lo, que os batistas não podiam tê-lo. Mas, lhes trago novidades. Ele saiu da jaula e foi para as igrejas de São Miguel, Primeira Batista, Metodista Unida e todas as demais.
Milhares de pessoas foram tocadas pelo Espírito, mas seu crescimento espiritual ficou estagnado pelo clero que, por alguma razão, decidiu subordinar a terceira pessoa da Trindade.
A Igreja de Jesus Cristo tem infelizmente ignorado o que estou lhe dizendo. O fato de você estar lendo este livro, porém, me informa que você tem uma necessidade pessoal de conhecer o Espírito Santo. Você pode ser “cheio” do Espírito e ter um encontro inegável com Ele, mas uma compreensão profunda do Espírito Santo não vem da noite para o dia.
Foram necessários anos de Sua orientação e ensino das escrituras para que eu chegasse a esse ponto. E continuo aprendendo a cada dia.
A divindade
O que vou contar sobre a Divindade deu-me uma noção completamente nova do Pai, do Filho e Espírito Santo. Descobri que Deus é um espírito eterno, mas sem forma material.
E, no entanto, muitas vezes se revela em forma humana e outros traços humanos.
Deus Pai
O que dizer da maneira como Deus aparece freqüentemente aos homens? Quando Ezequiel teve a sua visão de Deus em 539 a.C., ele o descreveu sentado em cima de uma expansão que separava as criaturas da glória do Senhor. Ele viu “uma semelhança de trono, como duma safira... como que a semelhança dum homem, no alto, sobre ele” (Ez 1.26, Almeida, Ed. Revista e Corrigida) Qual a aparência de Deus Pai? A de um homem.
Você diz: – Aprendi que Deus é Espírito. – Está certo, mas Ele é Espírito com uma forma misteriosa, e não uma nuvem flutuando no espaço. O apóstolo João o descreveu no livro de Apocalipse como um reflexo brilhante de pedras preciosas. Ele disse:
“Imediatamente eu me achei em espírito, e eis armado no céu um trono, e no trono alguém sentado; esse que se acha assentado é semelhante à pedra de jaspe e de sardônio” (Ap 4.2-3)
Os profetas descrevem as feições de Deus em grande detalhe. Isaías diz: “Os seus lábios estão cheios de indignação, e a sua língua é como fogo devorador. A sua respiração é como a torrente que transborda” (Is 30. 27-28).
Deus revelou o fato de que Ele pode ver. “Mas fizeram o que parecia mal aos meus olhos” (Is 66.4), Ed. Revista e Corrigida.
Para minha surpresa descobri que Deus é descrito tendo a semelhança de dedos, mãos e um rosto. Depois de o Senhor ter falado a Moisés no Monte Sinai, Ele lhe deu as tábuas de pedra, “escritas pelo dedo de Deus” (Ex 31.18). A seguir, o Senhor disse a Moisés: “Não me poderás ver a face, porquanto homem nenhum verá a minha face e viverá” (Ex 33.20).
Ele chegou a falar a Moisés sobre as suas “costas” dizendo: “Quando passar a minha glória... com a mão te cobrirei, até que eu tenha passado. Depois, em tirando Eu a mão, tu me verás pelas costas: mas a minha face não se verá (vv. 22-23)”.
Se Deus revela apenas com um espírito invisível, como foi possível a Adão e Eva ouvirem os seus passos? “Quando ouviram o som dos passos do Senhor andando pelo jardim na viração do dia (Gn 3.8, tradução literal)”.
Deus tem também um coração : “Então se arrependeu o Senhor de ter feito o homem na terra, e isso lhe pesou no coração (Gn 6.6.)”.
Como chama de fogo
Vamos estudar agora o filho.
Antes de Jesus vir à terra, da mesma forma que Deus Pai, Ele só tinha uma forma imaterial. Seu corpo terreno de carne, sangue e ossos, lhe foi dado quando nasceu como um bebê em Belém. E, como você, Ele cresceu para tornar-se homem.
Se eu perguntasse: – Entre o Pai, o Filho e o Espírito Santo, quem é uma pessoa real? – a maioria das pessoas diria que era o filho. Podemos nos identificar com Cristo porque Ele tomou a forma de um ser humano. De fato, se você não crer que Cristo viveu, morreu e ressuscitou dentre os mortos, será impossível para você tornar-se cristão.
Esse é o fundamento que possibilita a salvação.
A bíblia deixa claro que Jesus – parte da Divindade – tem uma alma. No Getsêmani, antes da crucificação, Ele disse aos discípulos: “A minha alma está profundamente triste até à morte” (Mc 14.34).
Temos uma descrição física de Cristo que molda nossa imagem d’Ele. Sabemos, por exemplo, que usava barba e tinha cabelos compridos. Na profecia do Antigo Testamento, relativa ao sofrimento do Messias, o Senhor diz: “Ofereci as costas aos que me feriam, e as faces aos que me arrancavam os cabelos (barba)” (Is.50.6). Cristo era também um nazareno, de uma cidade onde os homens costumavam usar cabelos compridos.
Hoje, em seu corpo ressurreto , Cristo está sentado à destra de Deus Pai. Qual a sua aparência? Em Apocalipse, João teve uma visão d’Ele “com vestes talares, e cingido à altura do peito com uma cinta de ouro. A sua cabeça e cabelos eram brancos como a alva lã, como neve; olhos, como chama de fogo... O Seu rosto brilhava como o sol na sua força” (Ap 1.13-14,16). Na sua cabeça havia uma “coroa de ouro” (Ap 14.14). E no seu manto estavam escritas as palavras: “REI DOS REIS E SENHOR DOS SENHORES” (Ap 19.16).
João não está falando de Deus Pai, mas do “Filho do homem”. E seu corpo humano glorificado é diferente da forma divina de Deus Pai.
Uma mente própria
E o Espírito Santo? Ele também tem uma mente, uma vontade e emoções? Ele tem um corpo? Claro que sim. Esse é um assunto que a maioria dos ministros teme discutir, mas experimentei a pessoa do Espírito Santo.
Nós todos concordamos, indiscutivelmente que Ele é um “Espírito”. Isso faz parte do seu nome. Mas e o Seu ser interior? Ele é realmente uma “pessoa”?
Primeiro, o Espírito Santo tem mente própria. Ao falar do Espírito Santo, Paulo disse: “E aquele que sonda os corações sabe qual é a mente do Espírito, porque segundo a vontade de Deus é que ele intercede pelos santos” (Rm 8.27). A mente do Espírito é distinta daquela do Pai e do Filho.
Ele possui também emoções. Tem sentimentos profundos, que lhe permitem entristecer-se e amar: “E não entristeçais o Espírito de Deus, no qual fostes selados para o dia da redenção” (Ef 4.30). Seu coração pode comover-se e tem capacidade para expressar amor. Escrevendo aos cristãos de Roma, Paulo afirmou: “Rogo-vos, pois irmãos, por nosso Senhor Jesus Cristo e também pelo amor do Espírito, que luteis juntamente comigo nas orações a Deus a meu favor” (Rm 15.30).
É possível alguém amar sem sentir alguma emoção?
A pessoa do Espírito
O que sabemos sobre a vontade do Espírito Santo? Você talvez jamais tivesse pensado na possibilidade do Espírito Santo tomar as suas próprias decisões. Mas ele pode fazer isso. No entanto, as suas decisões estão sempre em harmonia com a do Pai e as do Filho. Ao falar sobre os dons espirituais, Paulo escreveu: “Mas um só e o mesmo Espírito realiza todas estas coisas, distribuindo-as como lhe apraz, a cada um, individualmente” (1 Co 12.11). Em outras palavras, o Espírito Santo toma a decisão.
Pombas e cordeiros
A questão do “corpo” do Espírito Santo me torna perplexo. Alguém me disse recentemente: - Benny, o corpo do Espírito Santo é na verdade o de uma pomba. Foi assim que Ele desceu dos céus. – Eu repliquei: - Se isso for verdade, então você deve acreditar que Jesus era um cordeirinho. Ele é apresentado desse modo no livro de Apocalipse.
No livro de Apocalipse, o apóstolo João ouviu um ancião dizer: “Não chores: eis que o Leão da tribo de Judá venceu” (Ap 5.5). Ele se voltou, esperando ver um leão rugindo, mas em vez disso viu um cordeiro que havia sido morto. Jesus subiu aos céus com um corpo físico, com as marcas dos cravos nas mãos. Mas o símbolo que João viu era um cordeiro. Por quê? O cordeiro simbolizava o Cordeiro de Deus – Jesus Cristo.
Jesus viu ao Espírito Santo imediatamente após o seu batismo: “Batizado Jesus, saiu logo da água, e eis que se lhe abriram os céus, e viu o Espírito de Deus, descendo como pomba, vindo sobre ele” (Mt 3.16). O Espírito Santo pode ser visto da mesma forma que o Pai e o Filho. Mas a sua descida como uma linda pomba não significa que Ele voa pelo céu nessa forma. Nem Jesus anda pelo céu com a aparência de um cordeiro.
Em Apocalipse, O Espírito Santo foi também visto como “sete tochas” de fogo (Ap 4.5). Se o Espírito veio como pomba em Mateus, não se esperaria que Ele tivesse um corpo feito de sete velas ou sete tochas de fogo. O Espírito Santo não tem forma de sete lâmpadas nem de pomba. Um cordeiro, uma pomba, uma lâmpada – esses símbolos, e não formas de corpos.
Ouvir, falar, ver
A escritura me diz, porém, que o Espírito Santo pode comunicar-se embora não tenha ouvidos nem boca. Ele pode certamente ouvir-nos e falar conosco: “Mas dirá tudo o que tiver ouvido” (Jô 16.13). E devemos ouvi-lo: ”Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito Santo diz” (Ap 2.7). Apesar de não ter olhos como os meus, o “Espírito a todas as cousas perscruta, até mesmo as profundezas de Deus”. (1 Co 2.1). Desde que foi criado com ouvidos, boca e olhos, não seria de esperar que o Criador – Pai, Filho e Espírito Santo – pudesse compreender e falar com você?
Creio também que o Espírito Santo pode tornar conhecida a Sua presença mediante formas corporais, mas permanece sem limitações e totalmente onipresente. A bíblia torna isto claro quando diz: “O Espírito de Deus paira por sobre as águas”. (Gn 1.2).
A bíblia, no entanto, não me conta qual a “aparência” d’Ele. Ele ensina pouco sobre a maneira do Pai revelar-se e também dá alguma descrição de Cristo. Mas, detalhes sobre como o Espírito se desvenda a nós são raros nas escrituras. Ele é algumas vezes visto, mas não ouvido; outras vezes é ouvido, mas não visto. A qualquer momento, porém, Ele pode revelar a Sua presença e mensagem através de qualquer forma que vier a escolher.
Uma semelhança surpreendente
Como que Deus Pai se parece às vezes? – Embora eu nunca o visse aparecer de forma visível, física, creio – como acontece com o Espírito Santo – que Ele pode tomar a aparência que Jesus tinha na terra. De fato, muitos traços de caráter divino são mais bem conhecidos através da natureza humana, criada à imagem de Deus (Gn 1.26-27; Tg 3.9).
O livro de Hebreus fala de Cristo como sendo “o resplendor da glória e a expressão exata do seu Ser” (Hb 1.3). Só posso concluir: Quando vemos a Jesus, vemos também ao Pai. E creio que Jesus revela ao Espírito Santo, como revela ao Pai. Olhe para Jesus e verá também ao Espírito.
Algum dia, muito em breve, vou ter uma idéia exata. E creio que você está planejando estar ali também.
O Espírito Santo não é também uma brisa celestial ou uma nuvem obscura, flutuando para dentro e para fora de sua vida. Ele é Deus e reside em nós. Ele é igual ao Pai e ao Filho na Trindade. Ao descrever à igreja de Corinto, Paulo disse: “Não sabeis que sois santuário de Deus, e que o Espírito de Deus habita em vós”? Se alguém destruir o santuário de Deus, Deus o destruirá; porque o santuário de Deus, que sóis vós, é sagrado” (1 Co 3.16,17). Ele está dizendo que o Espírito vive no santuário de Deus. Nós somos esse santuário ou templo e o Pai e o Espírito estão igualmente em nós.
Co-igual com o Pai e o Filho
O Espírito Santo não é simplesmente uma pessoa, distinta do Pai e distinta do Filho.
Ele é muito mais. Ele é Deus, co-igual com o Pai e Cristo.
Primeiro, descobrimos que o Espírito Santo é onipresente. Em outras palavras, Ele pode estar em todos os lugares ao mesmo tempo. Os “espíritos” não são onipresentes, mas o Espírito Santo é. Ele é tão real, tão vivo, tão cheio de glória em Los Angeles quanto em Leningrado.
Algumas pessoas têm problemas desnecessários com Satanás. Elas acham o diabo onipresente. Deixe-me assegurar-lhe que ele não é.
Satanás não pode estar em todos os lugares ao mesmo tempo. Por quê? Porque os anjos não podem fazer isso, e o diabo era um anjo. Os anjos Miguel e Gabriel não são onipresentes, nem Satanás.
A onipresença do Espírito Santo é descrita nos Salmos:
“Para onde me ausentarei do Teu Espírito? Para onde fugirei da tua face? Se subo aos céus, lá estas; se faço a minha cama no mais profundo abismo, lá estás também, se tomo as asas da alvorada e me detenho nos confins dos mares; ainda lá me haverá de guiar a Tua mão e a Tua destra me sustentará” (Sl 139. 7-10).
Ele não é só onipresente; o Espírito Santo é onipresente – todo poderoso. O anjo disse a Maria: “Descerá sobre ti o Espírito Santo e o poder do Altíssimo te envolverá com a sua sombra” (Lc 1.35). O poder do “Altíssimo” fala do Espírito de Deus. Esse mesmo poder do Altíssimo é o Espírito Santo, e Ele é onipresente. Totalmente glorioso. Totalmente poderoso. Deus Todo – Poderoso!
O Espírito Santo é também onisciente. Ele tudo sabe. Emociono-me quando leio as palavras:
“Nem os olhos viram, nem ouvidos ouviram, nem jamais penetrou em coração humano o que Deus tem preparado para aqueles que o amam. Mas, Deus nô-lo revelou pelo Espírito; porque o Espírito a todas as cousas perscruta, até mesmo as profundezas de Deus. Por que, qual dos homens sabe as cousas do homem, senão pelo próprio espírito que nele está? Assim também as coisas de Deus ninguém as conhece, senão o Espírito de Deus” (1 Co 2.9 –11).
Pense nisso! O Espírito Santo perscruta a mente de Deus. Ele descobre o que se acha nela e conta a você. Ele diz – Eis o que encontrei. – Como Ele pode perscrutar as “profundezas de Deus”? Ele é onisciente.
Você precisa saber mais uma coisa sobre Satanás. Ele não pode ler a sua mente. Os anjos não podem ler as mentes e o diabo é um anjo. Se ele pudesse ler a sua mente, seria então um espírito onisciente. Mas essa posição está reservada ao Pai e ao Espírito Santo.
Satanás não pode ler a sua mente.
Ele deve ser Adorado?
Esta é uma pergunta importante que devo fazer. Se o Espírito Santo é onipresente, se Ele é onisciente, devemos adorá-lo como Deus? Ele merece nosso louvor e adoração?
Os cristãos enfrentam um grande problema ao tratar do tema da adoração ao Espírito Santo. Esse é um assunto que preferem não discutir. Se lhes perguntar: – Porque vocês não adoram o Espírito Santo? – parece que não encontram resposta. Talvez digam algo como – Bem, não se espera que façamos isso.
Para ser franco, tive o mesmo problema. Por quê? Porque o diabo me iludiu, como faz com muitos. Eu pensava – Como posso adorá-lo? Não aprendi isso.
O Espírito Santo, porém é muito mais que um pássaro voando no céu que lhe dá uma experiência pentecostal. Se Ele é todas essas coisas que estivemos discutindo – igual ao Pai e igual ao Filho, deve ser então adorado. Nós não adoramos ao Pai? E não adoramos ao Filho?
Você pode ficar imaginando: – Como o Espírito Santo deve ser adorado? – Pense bem, como você adora a Deus Pai? Como adora a Deus Filho? Não deve haver diferença.
Você deve dar a Ele sua devoção e amor.
A bíblia nos diz que a divindade – Pai, Filho e Espírito Santo - é auto existente: “Muito mais o sangue de Cristo que, pelo Espírito eterno, a si mesmo se ofereceu sem mácula a Deus, purificará a nossa consciência de obras mortas para servirmos ao Deus vivo!” (Hb 9.14).
Quando aprendemos sobre anjos, descobrimos que eles estão presentes por causa da existência de Jesus. Mas, tenho novidade para você. Deus, o Espírito Santo, pode ser mencionado como o “Eu sou”, da mesma forma que Deus Pai e Deus Filho.
Óleo, Água, Nuvem e Luz.
Desde o primeiro encontro como Espírito Santo, experimentei uma realidade crescente da sua presença. Cada passagem, cada encontro e cada revelação tornam meu andar no Espírito mais completo.
Há pouco tempo, durante um período de estudo da Palavra, eu disse à minha esposa: – Eu sinto a presença de Deus ao meu redor. – Foi isto que me tocou naquela noite em que eu estava procurando o sentido das palavras e sua ligação com o Espírito.
Eu pensava: - O que significa realmente “entristecer” o Espírito?
O que aprendi foi que o Espírito Santo não e apenas um espírito que pode ter forma.
Ele é tão real que é possível oferecer-lhe resistência. Muitas pessoas pensam que o Espírito Santo é um vento. Mas Ele não é. Esse é apenas outro em uma longa lista de símbolos descritos usados para comunicar ao Espírito – óleo, água, uma pomba, uma nuvem, luz, e inúmeros outros. Isso não significa de maneira alguma que Ele se pareça com o Seu símbolo.
O vento é invisível aos olhos, mas você pode resistir a ele. A palavra resistir significa opor-se. Você não pode ao opor ao vento. Tente opor-se ao vento e simplesmente ele passará por você. Todavia, você pode se opor ao Espírito Santo. Você pode impedi-lo de operar. Estevão em seu discurso ao Sinédrio, citou a Moisés quando disse: “Homens de dura cerviz e incircuncisos de coração e de ouvidos, vós sempre resistis ao Espírito Santo, assim como fizeram com vossos pais, também vós o fazeis”. (At. 7.51). Eles se opuseram a Ele e, infelizmente, tiveram sucesso. Lembre-se disto: você não pode resistir ao vento, ao óleo, ou mesmo a uma pomba, que simplesmente vai voando embora, mas pode resistir a uma pessoa, e é exatamente isso que o Espírito Santo é.
A seguir procurei as palavras entristecer e entristecido no grego original. O termo raiz é loopa, significando: sentir dor no corpo e na mente. Ele significa sofrer angustia mental e física.
O Espírito Santo é uma pessoa. Caso contrário, Paulo não teria dito; “Não entristeçais o Espírito de Deus” (Ef 4.30). O Espírito Santo não fica apenas magoado. A mágoa opera ao nível das emoções. Ele se entristece, e isso é muito profundo.
E não é apenas isso, mas o Espírito pode ser apagado. A palavra significa matar.
Paulo advertiu a igreja de Tessalônica: “Não apagueis o Espírito” (1 Ts 5.19). Você não pode apagar o vento ou outros símbolos. Mas você pode fazer parar uma pessoa. E é justamente isso que o Espírito Santo é.
Ele se magoa facilmente.
Você deve compreender também que o Espírito Santo pode ser afligido e atormentado. Ele pode ser contristado. Isaías falou sobre benignidade do Senhor e sua misericórdia em relação a Israel: “Mas eles foram rebeldes, e contristaram o seu Espírito Santo pelo que se lhes tornou em inimigo, e ele mesmo pelejou contra eles” (Is 63.10). É difícil imaginar isso, embora seja verdade. O Espírito Santo pode ser atormentado pelos seres humanos.
No idioma original, contristar ou vexar tem o sentido de cansar, perturbar e até afligir. Só uma pessoa pode tornar-se alvo de tais tormentos.
Um vento forte não pode ser acalmado, mas o Espírito Santo pode: “E me chamou, e me disse: Eis que aqueles... fazem repousar o meu Espírito” (Zc 6.8). O Espírito Santo é uma pessoa que responde aos seus desejos. Você pode pedir-lhe que se aquiete e Ele o fará.
Mas, corre então o risco de entristecê-lo.
Nas reuniões públicas, eu vi muitas vezes o Espírito Santo prestes a falar e depois calar-se por causa de alguma manifestação carnal. Em tais momentos sagrados senti o Espírito Santo se retraindo.
O Espírito Santo não é um lutador; Ele ama. Se resistir a Ele, irá embora. Ele não é como Satanás, que a bíblia diz “fugirá” de você se resistir -lhe. O Espírito Santo não se afastará com medo, mas sairá da sua presença com o coração ferido. Quando entristecido, Ele se retira mansamente. Se é apagado, parte em silêncio. Como é trágico pensar que as pessoas possam vexar ou tentar silenciar uma pessoa assim tão maravilhosa. Mas elas o fazem. Os filhos de Israel fizeram isso. E hoje, enquanto Ele ainda anseia pelo nosso amor e companhia, nós O ferimos com a nossa indiferença e rebelião.
Posso ouvir: “não O entristeçam. Ele é tudo o que tenho”.
Capítulo 7 – Vento para as suas velas
Se você vir um bêbado do mesmo lado da calçada, atravesse para o outro lado – Esse era o conselho que meu pai dava aos filhos, em minha infância na terra Santa.
Todas as manhãs meus irmãos e irmãs iam comigo até a escola católica. E aconteceu mesmo, mais de uma vez. Quase por instinto, sem uma palavra, nós nos lembrávamos das palavras de papai e passávamos para a outra calçada até que o bêbado estivesse longe.
Como sabíamos que estava embriagado? Nós não íamos até ele e perguntávamos – o Senhor está bêbado? – ou – queremos sentir o seu hálito. – Claro que não. Embora fôssemos crianças, sabíamos que estava embriagado. Tudo nele dizia isso – a maneira como andava, o seu olhar, as roupas em desordem.
A verdade sobre o seu comportamento ímpio era simplesmente esta: ele estava sendo controlado pelo poder errado. Havia cedido à influência errada.
O apóstolo Paulo não poderia ter sido mais claro do que quando disse: “E não vos embriagueis com vinho, no qual há dissolução, mas enchei-vos do Espírito” ( Ef 5.18). Que contraste entre a vida dissipada e a vida reta. A embriaguez, adverte Paulo, promove comportamento iníquo. Mas se o indivíduo, homem ou mulher, pode ser controlado pelo álcool, quanto mais pode o Espírito Santo controlar um homem ou uma mulher ?
É difícil determinar quem está no controle? De modo algum. Todos os dias encontramos pessoas cujas mentes e corações estão a anos-luz longe de Deus. Isso fica logo evidente. Você percebe pela sua linguagem, pelas suas ações. É como se o próprio Satanás estivesse guiando cada movimento de suas vidas.
A vida cheia do Espírito
E a pessoa que tem um encontro com o Espírito Santo? Quais são os sinais externos da vida cheia do Espírito? São vários e a transformação é surpreendente. Além de qualquer explicação. “Manifestações” positivas começam de repente se multiplicar.
Logo depois de dizer: “Enchei-vos do Espírito” Paulo descreve quatro resultados distintos que você pode esperar. É o mesmo que plantar sementes no solo do Espírito e colher uma safra celestial.
Você será transformado
A primeira manifestação que pode esperar de uma vida plena do Espírito é esta: seu modo de falar será diferente. O apóstolo disse que devemos falar uns aos outros “com salmos” ( Ef 5.19) . Você pode imaginar como o nosso mundo seria incrível se a nossa conversa se parecesse com o que lemos nos Salmos?
Um estudo recente mostrou que todas as palavras usadas em nosso idioma a mais freqüente é “Eu! Mas o cristão guiado pelo Espírito tem um novo vocabulário. Ele não é egocêntrico e sim centrado em Deus. Você de repente começa a dizer: “Louvai a Deus” (Sl 150.1) e “Todo ser que respira louve ao Senhor” (v.6).
Este é o segundo sinal que você deve esperar, diz Paulo: Você terá uma nova canção. Ele afirma que você ira “cantar e salmodiar ao Senhor em seu coração” (Ef. 5.19, Almeida – ed. ver. e corrigida). É muito mais que uma nova música, é uma mudança que tem lugar no seu coração. Quando você transforma interiormente, uma melodia surgirá espontaneamente.
Eu não pretendo ser cantor, mas tenho uma canção nos lábios desde o momento em que me encontrei com o Espírito Santo.
A terceira manifestação é que você começará a dar graças: “dando graças por tudo a nosso Deus e Pai, em nome do nosso Senhor Jesus Cristo” (20) De um momento para outro, você começará a agradecer a Ele por tudo. Vai agradecer pelo que é bom e pelo que não é tão bom assim. Você reconhece que Aquele que concede todos os dons, sabe exatamente o que você precisa. O resultado é uma transformação de sua atitude. Não importa o que aconteça, você vai dizer: “Obrigado”.
O quarto sinal evidente é que você se tornará um servo. Paulo diz: “Sujeitando-vos uns aos outros no temor de Cristo” (v. 21). É isso que significa “honrar uns aos outros em amor”. Seu coração desejará ajudar as pessoas. O Espírito Santo o levará ao ponto em que dirá – Chame a mim quando precisar; quero ajudá-lo!
O que significa ser “cheio do Espírito”? Algumas pessoas julgam tratar-se da mesma coisa que encher o tanque de um veículo com combustível num posto. Mas não é nada disso.
Tenho em meu púlpito um frasco de óleo. Eu faço uso dele, como ensina a escritura, para ungir aqueles que se aproximam para serem curados. É um frasco pequeno e simples, cheio de azeite de oliva. Mas quando uso até o fim, ele acaba. O frasco não se enche sozinho de novo.
A expressão “enchei-vos” em Efésios não está associado à idéia de um frasco ou uma garrafa sendo enchido. O tempo presente no grego é usado para informar que a plenitude do Espírito não é uma experiência de uma vez poro todas, mas contínua.
Você já passou um dia num barco a vela? É emocionante! O que acontece com o barco quando as velas se enchem? Ele começa a mover-se. É isso que Paulo está dizendo.
Ele quer que você fique cheio, não como um recipiente que fica imóvel, mas como uma vela que continua a ser enchida pelo vento, repetidamente. Ele quer que você avance, enquanto a brisa permanente do Espírito enche as suas velas espirituais.
Quem você pensa que é?
Ficar cheio do Espírito leva a ação. Isso se manifesta no seu modo de falar, em seu coração, em sua atitude, e nas suas atividades.
Que mudança! Suas palavras agora são edificantes, existe harmonia em seu coração, você dá graças ao Senhor, e com sinceridade e humildade serve às pessoas.
Como pode o homem ou a mulher cheios do Espírito usar palavras de baixo calão?
Como ele ou ela pode ter o coração cheio de inveja, amargura ou críticas? A pessoa cheia do Espírito não diz: “Quem você pensa que é para mandar em mim”? Ou “Como Deus pode tratar-me desse modo?” Esses são sinais de uma pessoa egocêntrica, “vazia do Espírito” e não “Cheia do Espírito”.
Quando Cristo voltou ao Pai, Ele não pretendia que você ficasse por sua própria conta. A ajuda estava a caminho! Afinal de contas, não é o seu poder ou a sua força que é importante: “Não por força nem por poder, mas pelo meu Espírito, diz o Senhor dos Exércitos” (Zc 4.6).
É pelo Espírito que você tem condição para glorificar a Jesus. É pelo Espírito que o seu coração se enche de música. É pelo Espírito que você diz: “Jesus eu Te agradeço por tudo”. E é pelo Espírito que você fica capacitado para dizer: “Perdôo você”. Como o amor de Deus é “derramado em nossos corações”? Pelo Espírito Santo.
Você nunca viu o vento, mas certamente já observou os resultados do vento. A árvore se inclina. A bandeira tremula. E o navio começa a mover-se. Como ele é forte!
Você não precisa ver o Espírito Santo para saber que Ele está vivo. Você pode sentir a evidência no poder que Ele lhe dá. Uma vez que Ele tenha enchido a você, buscar uma confirmação é perfeitamente dispensável. Um homem perguntou certa vez: – Benny, diga-me: Estou cheio do Espírito?
Eu respondi: – Irmão, se você não sabe, então não está! – Você não precisa perguntar para ver os resultados. Os que duvidam do fato de estarem cheio ou não, jamais receberam essa dádiva.
Tudo começa com a salvação
Você talvez pergunte: – Como me torno cheio do Espírito? Se falar em línguas, é esse o sinal?
O Espírito Santo está presente a partir do momento em que você pede ao Senhor Jesus Cristo que perdoe os seus pecados e limpe o seu coração. Paulo escreveu a Tito: “Eles nos salvou mediante o lavar regenerador e renovador do Espírito Santo, que ele derramou sobre nós ricamente, por meio de Jesus Cristo nosso Senhor, a fim de que, justificados por graça, nos tornemos seus herdeiros segundo a esperança da vida eterna” (Tt 3.5-7).
Estamos falando agora, porém, da plenitude do Espírito com a evidência experimentada por centenas de milhares de pessoas em todo o mundo. As estatísticas são esmagadoras. Sei que alguns ainda gostam de discutir esse ponto, mas o homem que passou pela experiência jamais fica à mercê de quem quer discutir.
Não vou me esquecer daqueles primeiros dias após ter nascido de novo. Eu parecia uma criança – e você sabe como elas são. Estão sempre caindo, chorando, pedindo ajuda. Eu era exatamente assim. Conversei com um membro da igreja a respeito da mesma dúvida que ouvi desde então da parte de outros: – Estou tão confuso!
Ele perguntou – O que houve? Respondi: - Não tenho certeza se fui cheio com o Espírito Santo.
Ele disse: – Benny, você pediu isso?
Repliquei: – Sim, pedi. Ele disse então: - É tudo o que precisa fazer.
Como vê, eu era uma criança em Cristo. Não sabia o que sei hoje.
Eu realmente não sabia o que estava buscando, mas ouvi alguém dizer: – O falar em línguas é tudo que precisa.
Aprendi mais tarde que falar em línguas é apenas um dos dons. Você não precisa tanto dos dons como o doador. Paulo escreveu à igreja em Roma: “Porque os dons e a vocação de Deus são irrevogáveis” (Rm 11.29). Os dons não irão jamais abandoná-lo, mas o poder do doador pode ser retirado – e será removido se o doador for negligenciado e entristecido.
Nunca se esqueça do que aconteceu ao rei Saul. O Senhor disse: “Arrependo-me de haver constituído rei a Saul; porquanto deixou de me seguir, e não executou as minhas palavras” (1Sm 15.11). E quando Davi foi ungido por Samuel para tornar-se o novo rei, “o Espírito do Senhor retirou-se de Saul” (1 Sm 16.14).
Entrega
Você consertou suas velas?
Você pergunta – Como devo aproximar-me do Espírito? Como posso preparar-me para recebê-lo?
Eu talvez deva também indagar a você: – O seu barco está pronto para navegar? Ele está em boas condições? Você consertou suas velas? Elas estão preparadas para receber o vento do Espírito, quando Ele começar a soprar sobre você?
É o mesmo que preparar-se para o casamento. Você passa o tempo todo pensando e se preparando para o momento em que ficará diante do altar sagrado. A seguir faz promessa de “receber e manter a partir deste dia”. Você na verdade se entrega ao seu cônjuge. É um ato altruísta de rendição amorosa. E a partir desse momento um vínculo único de comunhão é criado e só conhecido pelo marido e mulher.
Mas, o que acontece quando você retira aquela parte de sua pessoa que foi entregue ao casamento? – Você não pode ter isso! É meu! E se o cônjuge fizer o mesmo? Isso criará uma barreira no seu relacionamento. A união começaria a se desfazer. A comunhão vacilaria. Só uma entrega total produz comunhão total. Ela produz amor e compreensão.
Só há um meio de restaurar um relacionamento rompido. Com a vela no barco, você não pode permanecer tenso e preocupado. Pelo contrário, deve ser flexível e ceder – sendo novamente enchido de amor.
No momento em que você se rende ao Senhor, Ele irá enchê-lo com o Seu Espírito. Você não precisa suplicar nem chorar para obter isso. Basta a rendição total a Cristo e disposição para aceitar o Seu precioso Espírito Santo.
A entrega total resulta em total plenitude e a submissão total produz a comunhão total. Como no casamento, porém, você precisa trabalhar na relação a cada dia – Jesus Te amo, Deus Pai, eu Te adoro; precioso Espírito Santo, anseio pela Tua comunhão. – Se você negligenciar a comunhão num dia, será um pouco mais difícil da próxima vez.
Como uma faca afiada
O que acontece num casamento quando um cônjuge ignora o outro? Depois de algum tempo a amargura começa a penetrar o coração. As palavras começam a cortar como uma faca afiada. Em breve a animosidade se transforma em raiva, ciúmes e coisas piores.
Para muitos, isso acaba em separação, divórcio, e ódio. Mas a fenda pode ser facilmente reparada. Basta uma nova entrega que tenha origem em sua própria alma e uma renovação do voto de “amar, honrar e cuidar”.
A mesma coisa acontece quando você negligencia ao Senhor. Você irá sentir amargura e raiva. A sua comunhão com o Senhor desaparecerá de repente. Foi isso que ocorreu com os filhos de Israel no deserto. Eles começaram a se queixar: “Oxalá tivéssemos morrido na terra do Egito! Ou mesmo neste deserto! E por que nos traz o Senhor a esta terra, para cairmos à espada?” (Nm 14.2,3). E o Senhor disse a Moisés e Arão: “Até quando sofrerei esta má congregação que murmura contra mim?” (v.27)
Os filhos de Israel deixaram de dizer, “O Senhor é Deus” para queixar-se, “Não seria melhor voltar para o Egito?” O que causou a mudança? Eles deixaram de buscar a Deus e seus corações se endureceram.
Antes de perceberem o que estava ocorrendo, se esqueceram d’Ele.
Não deixe passar um dia sem uma nova entrega ao Senhor. Paulo escreveu: “Mesmo que o nosso homem exterior se corrompa, contudo o nosso homem interior se renova de dia em dia” (2 Co 4.16). A entrega deve ser um esvaziamento contínuo, permanente, em nosso “eu” ao Senhor. Uma vez que faça disso um hábito, começará a experimentar a perfeita união, perfeita comunhão, perfeita compreensão e perfeito amor de Deus.
Creio que a vontade de Deus para você seja continuamente cheio com o Espírito Santo. Praticamente ao mesmo tempo que diz “enchei-vos do Espírito”, Paulo declara, “Por esta razão não vos torneis insensatos, mas procurai compreender qual a vontade do Senhor” (Ef 5.17). Paulo não deixa dúvidas quanto a ser da vontade do Pai que o Espírito Santo habite no crente. Essa é a vontade de Deus para cada mãe, cada pai, cada jovem – e para você.
Relaxe, relaxe
Numa igreja perto de Toronto, lembro-me de ter visto um jovem orando para ser cheio do Espírito Santo. Jamais esquecerei a expressão de seu rosto retesada e tensa. Ele estava literalmente suplicando, repetidas vezes, por um encontro com o Espírito Santo.
Fui até ele e disse – Jovem, você não vai conseguir nada suplicando assim. Relaxe.
É tão fácil, quando você se rende. – Ele fez isso e quase que instantaneamente o Espírito desceu sobre ele. Foi uma cena belíssima. Um sorriso surgiu em sua fisionomia e ele começou a orar em linguagem celestial.
Como você se rende? Isso jamais acontecerá se você “tentar”.
É como aprender a nadar. Se esforçar-se para nadar, começará a afundar e pode até afogar-se. Essa a razão do instrutor de natação ensinar primeiro a criança a relaxar e aprender a flutuar. O ato de nadar vem naturalmente quando você não luta.
A rendição ou entrega é exatamente assim – ela surge naturalmente no coração que se rende. Quando você encontrou seu cônjuge, não “tentou” aproximar-se. Trata-se de algo que existe ou não existe. Você não tem de trabalhar nele, porque o amor se rende.
Quando Jesus é o Senhor, quando você O ama de todo o coração, não é difícil entregar-se a Ele. O mesmo se dá com o Espírito Santo. Cada dia em que se apresenta a Ele, Ele o completa de novo. Você permanece fresco como uma flor ao sol da manhã. Ele continua a dar-lhe vida e os botões jamais parecem fenecer.
Não posso dizer-lhe como abordá-lo, mas eu faço isso: entro muitas vezes em meu quarto, fecho a porta, e fico ali com os braços levantados para o céu. Ele sabe que o amo; eu sei que Ele me ama. E estou esperando com os braços abertos para recebê-lo.
Houve uma ocasião há alguns anos em que duvidei desse amor. Nunca, nunca vou me esquecer disso. Foi durante um período em que estava em dificuldades tremendas com a minha família. Minha mãe e meu pai não tinham nascido de novo e nossa relação era penosíssima. Certa noite, em meu quarto, levantei os olhos e disse: - Jesus, Tu dizes em Tua palavra que me amas... mas, peço-Te que me faças um favor: Fale que me ama. – E adormeci.
No meio da noite fui acordado com uma voz que parecia torrentes de águas. Só posso descrevê-la como um som forte e pesado. A seguir, uma voz audível, vinda do nada, mas ao mesmo tempo vinda de todos os lados, começou a falar. Acima da torrente eu ouvi uma voz tão clara como qualquer outra dizendo – Amo você! Amo você! Era a voz de Jesus. Naquele momento as paredes de meu quarto pareciam realmente estar sacudindo. Eu fiquei amedrontado porque a presença do Senhor era tão pouco usual.
Mas, a partir daquele instante, jamais duvidei do Seu amor. Creio que Ele nos dá experiências quando precisamos delas e não quando a desejamos.
Muitas vezes fico em eu quarto sem dizer palavra. Mantenho silêncio total. Estou certo de que já houve ocasiões que você não precisou pronunciar qualquer palavra para assegurar alguém de seu amor. Existem situações especiais entre duas pessoas, em que qualquer som que se fizesse ouvir teria destruído um momento inesquecível. O silêncio é freqüentemente a melhor linguagem.
Quantas vezes fico em eu quarto e de repente meus olhos se enchem de lágrimas.
Um calor e beleza inexplicáveis inundam o ar enquanto Ele começa a completar-me de novo. Como aconteceu? O que eu fiz? Não fiz nada realmente nada além de ficar na Sua presença e render-me interiormente. Mas o que começou em perfeito silêncio, continuou em forma de culto e adoração que eu não queria que acabassem.
Quando você é continuamente enchido pelo Espírito Santo de Deus, sua vida de oração toma uma dimensão que jamais sonhou ser possível. A fim de experimentar a brisa refrescante do Espírito que enche o seu coração de louvor, você precisa saber como aproximar-se do trono de Deus em oração.
Passo a passo
Os passos da oração são sete.
O primeiro é a confissão. Comece reconhecendo quem Deus é. Abrão o chamou de “o Senhor, O Deus Altíssimo, o que possuí os céus e aterra” (Gn. 14.22). Comece por declarar o poder do Todo Poderoso. Elias começou sua oração no Monte Carmelo com as palavras: “Senhor, Deus de Abraão, de Isaque e de Israel” (1 Rs18.36). Se quer que o fogo do céu caía, comece confessando quem Deus é .
O nível seguinte da oração é a súplica. Simplesmente “apresente o seu pedido ao Senhor”. Este passo é infelizmente aquele em que as pessoas costumam passar tempo demais. Toda a sua vida de oração parece concentrar-se em necessidades e desejos. É claro que os seus problemas pessoais são dignos da atenção de Deus, mas depois de falar deles, não está na hora do “amém”. O melhor está ainda por vir.
O terceiro passo – aquele que mais gosto – é a adoração. Esse deve ser um período de absoluta beleza e culto. Amá-lo. Adorá-Lo. Ele pode começar com as palavras “Jesus, eu Te amo”. Repetidamente, você sente a presença do Espírito Santo e duas horas mais tarde olha no relógio e diz: – Não posso acreditar que o tempo passou tão depressa! É tão real, tão vivo.
Quarto, há um tempo de intimidade. Ele é quase cheio demais de amor, de sagrado, de beleza, para ser descrito. Houve ocasiões em que envolvido na oração, senti como se alguém estivesse comigo, acariciando minha testa. Era como se o Senhor estivesse dizendo: - Obrigado, estou contente por me achar na sua companhia.
Lembre-se, o Espírito Santo jamais irá forçar Sua presença sobre você. Ele não faz exigências quanto à sua vida de oração. Mas se você disser: - Ajude-me a orar – Ele está pronto para responder.
Algumas vezes este nível continuou durante horas em minha vida. Mas a intimidade não é um ponto para começar. Nem é possível passar por cima dos primeiros passos para chegar a este.
O quinto nível da oração é a intercessão. Jesus disse que o Espírito nos revelaria coisas e foi isto que aconteceu comigo. Quando você convida ao Espírito para ajudá-lo a orar, ele não focaliza as suas necessidades e desejos egoístas. Nada disso! O foco é externo.
Ele colocou diante de mim os nomes e fisionomias de pessoas em que eu não pensava há anos. E intercedi por elas em oração.
Mas não pense que este é um período de alegria e adoração. Justamente o contrário.
A primeira vez que fiz intercessão, não estava certo de que queria isso. A comunhão acabou. A proximidade cessou. Durante esses momentos senti dor e angústia, difíceis de colocar em palavras. Literalmente lutei com todas as forças ao orar por minha família, amigos e ministros, e até por nações.
Quero advertir a você. É impossível chegar ao ponto de intercessão num piscar de olhos. Ela não vem instantaneamente, por ser uma associação com Deus que requer um relacionamento profundo e intensamente pessoal. O Espírito Santo guia a sua vida de oração, passo a passo. Isso não aconteceu comigo no primeiro dia, no segundo ou no terceiro. Levou pelo menos seis meses até que eu penetrasse nas profundezas da oração. A escritura ensina que, se formos fiéis nas pequenas coisas, Deus nos dará mais. É isso que Ele faz. Ele é o Pai perfeito. O mestre perfeito.
O que aconteceu em seguida valeu o esforço. O sexto passo na oração é o agradecimento. Paulo escreveu: “Graças a Deus que nos dá a vitória por intermédio de nosso Senhor Jesus Cristo” (1 Co 15.57).
Sempre passo tempo agradecendo ao Pai, ao Filho, e ao Espírito Santo.
Por último, o sétimo passo na oração é o louvor. Algumas vezes eu canto. Outras, falo em linguagem espiritual. Mas do fundo do meu ser minha atitude é de louvor total. É a forma mais pura de oração que já experimentei.
Você pode perguntar: – Benny, você sempre inclui os sete passos? – Minha resposta é – Sim! – É isto que é tão maravilhoso sobre o Espírito: Se permitir que Ele opere através de você na oração, descobrirá que não está fazendo grande parte dela, mas Ele parece estar fazendo tudo. Mesmo na intercessão, penosa como é, os braços do Espírito levantam-nos, dando alívio instantâneo ao terminar a oração.
Paulo estava certo quando disse: “Com toda oração e súplica, orando em todo o tempo no Espírito” (Ef 6.18). Ele sabia haver mais que um tipo de oração.
“Ei-Lo Aqui”
Não há substituto para a plenitude do Espírito surgida como resultado direto de sua vida de oração. É um poder que vai afetar tudo o que você fizer.
Fui recentemente convidado para falar na Colômbia, na América Latina. A cruzada durou três dias, e na noite do segundo dia, quarta-feira, eu estava pregando sobre o Espírito Santo. No meio da mensagem senti o poder do Espírito Santo mover-se sobre o culto. Senti Sua presença, parei de pregar e disse aos ouvintes: - Ele está aqui! – Os ministros na plataforma e as pessoas no auditório sentiram a mesma coisa – era como um sopro de vento que tivesse entrado e varrido o lugar.
As pessoas ficaram de pé numa explosão espontânea de louvor. Mas não permaneceram de pé por muito tempo. Em toda parte elas começaram a cair no chão sob o poder do Espírito Santo. Elas foram “mortas” no Espírito.
O que aconteceu a seguir foi exatamente o que vi a respeito em cultos por todo o mundo. As pessoas começaram a receber a Cristo como seu Salvador pessoal e curas passaram a ter lugar através do auditório.
Quando eu falo sobre o Espírito Santo uma unção invulgar segue-se ao ensino.
Sempre. Há uma incrível manifestação da presença de Deus – muito diferente das outras vezes. Os milagres parecem ser mais intensos. Um número maior de pessoas é salvo do que nas outras reuniões. O toque de Deus na vida das pessoas é mais pronunciado.
Nesses cultos, os chamados para o altar parecem tão fáceis. Não há súplicas nem rogos. As pessoas vão instantaneamente para frente para serem salvas. Exatamente como o Senhor prometeu, o Espírito atrai o povo para Cristo.
Depois dos cultos as pessoas sobem para dizer – Essa foi a reunião mais poderosa em que eu já estive! É como se o Espírito Santo tivesse honrado o culto por ser um hóspede muito esperado.
Durante essa mesma cruzada, o Pastor Colin, meu intérprete, foi procurar-me logo depois de uma aula matinal sobre o Espírito Santo com quase dois mil pregadores. Ele começou a soluçar, depois levantou a cabeça das mãos e disse emocionado: – Querido irmão, sei tão pouco sobre o Espírito Santo. Sinto-me como se ainda estivesse no jardim da infância. – A realidade da mensagem tomara conta dele.
Já vi, outras vezes, um interprete interromper-se no meio de minha mensagem a começar a chorar descontroladamente. É o poder do Espírito.
O que acontece num culto, pode ocorrer com você onde estiver. Essa é a razão de pedir-lhe que se renda inteiramente ao Espírito. Você começará a compreender o sentido das palavras de Paulo: “Enchei-vos do Espírito... falando entre vós com salmos... entoando e louvando de coração ao Senhor... dando sempre graças... a nosso Deus e Pai”. Saberá então porque ele diz: “Sujeitando-vos uns aos outros” (Ef 5.18-21).
Um segundo vento
Você está preparado para receber a brisa celestial que enfuna as suas velas? Ela começa com a salvação, quando você confessa os seus pecados e entrega sua vida, decidido a seguir a Jesus como o Senhor e Salvador. Cristo falou sobre o vento quando mencionou a redenção. Ele disse a Nicodemos, um membro do supremo conselho judeu: “Não te admires de eu te dizer: Importa-vos nascer de novo. O vento sopra onde quer, ouves a sua voz, mas não sabes donde vem, nem para onde vai; assim é todo o que é nascido do Espírito” (João 3.7-8).
Do mesmo modo que a salvação é descrita como um vento, o Espírito Santo é descrito como um segundo vento – um vento de poder. No dia de Pentecostes: “De repente veio do céu um som, como de um vento impetuoso, e encheu toda a casa onde estavam assentados” (At. 2.2). O vento do Espírito é impetuoso e poderoso. É um poder que porá sua vida em movimento.
Está na hora de você lançar o seu barco. Ice as suas velas e comece a ser enchido – continuamente enchido – com o vento do Espírito Santo.
Capítulo 8 - Uma entrada poderosa
Como era possível? Eu acabara de entregar minha vida ao Senhor e lutava para conseguir viver de modo cristão.
Quando penso no que está acontecendo comigo hoje, parece impossível. Em fevereiro de 1972, depois de minha experiência de um “novo nascimento”, eu sabia que meu coração tinha sido purificado, mas dificuldades que enfrentava pareciam insuperáveis.
Havia conflitos em casa, indecisão sobre o meu futuro e uma auto-imagem tão lá em baixo quanto o chão sob os meus pés.
Oh, como lutava com a minha vida! Era às vezes difícil dar todo o meu amor ao Senhor. Eu tinha tantos assuntos urgentes. Depois, duas semanas mais tarde, fui enchido com o Espírito. Esperei o céu na terra a partir daquele momento, mas isso não aconteceu.
Meus problemas diários continuaram.
Houve certamente ocasiões de grande alegria e exultação e eu não teria minha experiência espiritual por todo o petróleo da Arábia Saudita. Mas, bem lá no fundo, havia uma indagação inquietante que me perseguia mês após mês: – Será que é só isso? – me perguntava. A pergunta não ia embora: – Será que o Senhor não tem mais alguma coisa para mim?
A seguir, numa noite fria de dezembro, quase dois anos depois de encontrar a Cristo, aconteceu. O Espírito Santo fez uma entrada poderosa em meu quarto enquanto me achava no leito, na cidade de Toronto. Era como se fosse um choque elétrico e um cobertor quente ao mesmo tempo.
Levei apenas alguns segundos para compreender o significado do que ocorra. Minha luta terminara. Eu tinha encontrado a simplicidade da vida cristã – um relacionamento pessoal com o Espírito Santo.
Meu coração continua ainda hoje inquieto por uma razão muito diferente. Sinto-me angustiado porque milhares de cristãos jamais receberam sequer um dedal do que Deus tem em depósito para eles. Então perdendo a melhor parte. E jamais saberão quão maravilhoso pode ser o andar com Cristo, até que descubram a terceira pessoa da Trindade. Ele é aquele que nos ajuda a lutar.
Acabou-se a luta
No momento em que o Espírito entrou na minha vida, eu não tive mais de lutar com meus adversários. Eles continuavam ali, mas o esforço e a preocupação parecem que sumiram. O que me aconteceu foi o mesmo dito a Israel séculos atrás através do profeta Ezequiel. Vivendo numa época de conturbação política, o Senhor lhe disse: “Dar-vos-ei coração novo, e porei dentro de vós espírito novo; tirarei de vós o coração de pedra e vos darei coração de carne. Porei dentro de vós o meu Espírito, e farei que andeis nos meus estatutos, guardeis os meus juízos e os observeis” (Ez 36.26-27).
O problema continua existindo hoje! Milhares de pessoas lutam diariamente para guardar as leis de Deus e estão perdendo a guerra porque não compreendem o plano de batalha do Pai. Sua estratégia não poderia ser mais sucinta: “Porei em vós o meu espírito”, diz o Senhor. Qual a razão disso? Ele que fazer com que você, do mais íntimo do seu coração, siga os seus estatutos. Ele quer facilitar a observação das Suas leis.
Você acha difícil cumprir os mandamentos de Deus? Não pense que está sozinho. É absolutamente impossível conseguir isso pelo seu próprio esforço, e Deus não espera que o faça. Você precisa de ajuda! Mas a quem dirigir-se? Deus Pai está no céu e também Deus Filho. Você precisa de um amigo aqui e agora, e a pessoa da Trindade que habita na terra é o Espírito Santo. É a Ele que você precisa desesperadamente conhecer.
Se fizesse uma pesquisa e perguntasse às pessoas o que elas desejam mais de Deus, a resposta provavelmente seria – Quero que Deus se agrade de mim. – E foi isso que o Senhor prometeu ao profeta Ezequiel: “Já não esconderei deles o meu rosto, pois derramarei o meu Espírito sobre a casa de Israel” (Ez 39.29).
Desde o momento em que o Espírito Santo se torna parte de sua vida. Deus começa a olhar em sua direção. Seu rosto começará a brilhar sobre você. O grande desejo do Pai é que você O receba, fique cheio d’Ele, e tenha comunhão com Ele. Isso o torna feliz.
Comece a ler o livro de Atos e tomará conhecimento do plano de Deus. Os apóstolos tinham um grandioso relacionamento com o Espírito Santo e a evidência se encontra registrada em cada página. Mas talvez mais inspirador seja o fato que os “atos” continuam a acontecer ainda hoje. Se as obras milagrosas do Espírito Santo fossem todas registradas, não haveria uma biblioteca suficientemente grande para conter todos os volumes.
O que transpirou no Cenáculo não deveria ter sido surpresa. Antes de Sua ascensão, Jesus disse a seus seguidores que não saíssem de Jerusalém, mas esperassem pelo dom prometido pelo Pai, “O qual, disse Ele, de mim ouvistes. Porque João na verdade, batizou com água, mas vós sereis batizados com o Espírito Santo, não muito depois destes dias” (At 1.4-5).
Cristo descreveu até como seria essa experiência e com ela mudaria as suas vidas.
“Recebereis poder, ao descer sobre vós o Espírito Santo, e sereis minhas testemunhas tanto em Jerusalém, como em toda a Judéia e Samaria, e até aos confins da terra” (v.8).
A chegada do Espírito
Um vento Impetuoso
A vinda do Espírito Santo foi tão real quanto a chegada de Jesus à terra. Da mesma forma que os profetas predisseram o Messias, eles prognosticaram a vinda do Espírito.
Centenas de anos antes de Cristo, Deus disse ao profeta Joel:
“E acontecerá que derramarei do meu Espírito sobre toda a carne; vossos filhos e vossas filhas profetizarão, vossos velhos sonharão e vossos jovens terão visões; até sobre os servos e sobre as servas derramarei o meu Espírito naqueles dias”. (Joel 2.29-29).
O Espírito Santo veio. E como foi triunfal a Sua entrada! O som de um vento poderoso. Línguas como de fogo. Uma demonstração do poder de Deus. Sua chegada à terra foi verdadeiramente espetacular!
“Ao cumprir-se o dia de Pentecostes, estavam todos reunidos no mesmo lugar; de repente veio do céu um som, como de um vento impetuoso, e encheu toda a casa onde estavam assentados. E apareceram distribuídas entre eles, línguas como de fogo, e pousou uma sobre cada um deles. Todos ficaram cheios do Espírito Santo, e passaram a falar em outras línguas, segundo o Espírito lhes concedia que falassem” (Atos 2.1-4).
A profecia de Isaías cumpriu-se exatamente: “Pelo que por lábios gaguejantes e por língua estranha falará o Senhor...” (Is 28.11).
Quando Jesus nasceu, o momento foi marcado por paz e silêncio. Era uma linda noite em Belém, tão clara que os pastores seguiram a estrela até a manjedoura. Que contraste com o ruído poderoso que acompanhou a chegada do Espírito Santo. Ele criou tal clamor em Jerusalém que “afluiu a multidão, que se possuiu de perplexidade” (At. 2.6).
Eu costumava pensar que a frase “quando se fez ouvir aquela voz” significava que alguém percorreu a cidade dizendo: “Vem ver o que está acontecendo!” Mas, não é isso. O ruído foi literalmente ouvido na cidade inteira. “Ora, estavam habitando em Jerusalém judeus, homens piedosos, de todas as nações debaixo do céu” (v.5). Pode imaginar o que eles devem ter pensado?
A palavra diz que, ao ouvirem este som, eles correram para a cena do mesmo, atônitos, “porquanto cada um os ouvia falar sua própria língua” (v.6).
Perplexos, eles perguntaram. “Não são porventura galileus todos esses que aí estão falando? E como os ouvimos falar, cada um em nossa própria língua materna?” (vv.7-8).
Quando os ouviram declarar as grandezas de Deus em suas próprias línguas, perguntaram uns aos outros: “Que quer isto dizer?” (v.12).
Por que 120?
Sua vinda poderosa não foi programada para um templo feito de pedra. Em vez disso, o Espírito Santo desceu sobre os 130 crentes que se tornaram o novo templo de Deus.
Você lembra que, ao terminar o seu templo, Salomão tinha “cento e vinte sacerdotes, que tocavam a trombetas?” (2 Cr 5.12). A escritura registra que “então sucedeu que a casa do Senhor se encheu de uma nuvem; de maneira que os sacerdotes não podiam estar ali para ministrar, por causa da nuvem, porque a glória do Senhor encheu a casa de Deus” (vv. 13-14).
Isso aconteceu de novo no Cenáculo. Cento e vinte fiéis se reuniram e o Espírito de Deus encheu o templo. Por que 120? É o número do término da era da carne e do início da era do Espírito. Em Gênesis, onde Nóe levou 120 anos para construir a Arca, a era da carne terminou. Deus disse, “O meu espírito não agirá para sempre no homem, pois este é carnal; e os seus dias serão cento e vinte anos” (Gn 6.3).
Foi precisamente com este propósito que o Senhor reuniu 120 pessoas no Pentecostes, a fim de que Deus o Espírito Santo pudesse ser solto entre as nações. Isso marcou o início da era do Espírito.
Os observadores não conseguiam compreender o que estava ocorrendo. Alguns zombaram, dizendo: “Estão embriagados!” (At 2.13). Então se levantou Pedro, com os onze; e, erguendo a voz, advertiu nestes termos: “Varões judeus e todos os habitantes de Jerusalém, tomai conhecimento disto e atentei nas minhas palavras. Estes homens não estão embriagados, como vindes pensando, sendo esta a terceira hora do dia. Mas o que ocorre é o que foi dito por intermédio do profeta Joel “(v. 14-16)”.
Os 120 estavam tão cheios do Espírito que não podiam ficar de pé sozinhos. O Espírito era tão poderoso que passou a controlar os atos dos crentes. Ele operou mudando sua maneira de falar, suas emoções, e o seu comportamento. O que Jerusalém testemunhou não foi embriaguez, mas a incrível alegria que se manifesta quando o Espírito toma o controle. Eu já fui também acusado de certas coisas.
Que transformação no íntimo de Pedro. Ela trouxe à luz o “pregador” que havia nele, “levantou a voz” e discursou com intrepidez para a multidão. Quem você pensa que lhe deu as palavras? A mensagem cativante era do Espírito Santo. “Porque o nosso evangelho não chegou até vós tão somente em palavra, mas, sobretudo em poder no Espírito Santo” (1Ts 1.5). Lembre-se, a palavra diz que o Espírito “trabalhava com eles”. É Ele quem faz a obra.
Veja agora o que aconteceu repentinamente no livro de Atos. O Espírito Santo dá enorme autoridade aos que o recebem. Pedro e João estavam subindo para o templo às três da tarde, quando “era levado um homem, coxo de nascença, o qual punham diariamente à porta do templo, chamada Formosa, para pedir esmola aos que entravam”. (At. 3.2).
“Pedro, fitando-o, juntamente com João, disse: Olha para nós”. (v.4). É maravilhoso alguém completamente entregue ao Espírito Santo. Pedro estava cheio de uma firmeza e poder que nunca tivera antes, ao olhar profundamente para a alma do pobre homem – através dos olhos d’Ele.
O mendigo sabia que Pedro e João não brincavam. Os apóstolos estavam investidos de uma coragem santa. Quando Pedro disse: “Olha para nós”, o homem imediatamente os olhava atentamente, esperando alguma coisa (v.5).
A seguir Pedro disse: “Não possuo nem ouro nem prata, mas o que tenho, isto te dou: em nome de Jesus Cristo, o Nazareno, anda! (v.5). Ele tomou a mão direita do homem e ajudou –o a levantar-se. Instantaneamente os pés e tornozelos do homem se firmaram. De um salto, se pôs em pé, passou a andar e entrou com eles no templo, saltando e louvando a Deus” (vv.7-8)”.
Você pode imaginar a consternação no templo? O mendigo fez uma entrada triunfal!
Eles o reconheceram na mesma hora e “se encheram de admiração e assombro, por isso que lhe acontecera”. (v.10).
Não foi uma experiência de “ontem”.
O poder e autoridade que os apóstolos receberam começaram a tocar as vidas em toda a parte. O ministério deles foi seguido de “sinais e prodígios ... entre o povo”. (At 5.12). E qual o resultado disso? “Crescia mais e mais a multidão de crentes, tanto homens como mulheres, agregados ao Senhor”. (v.14). Os sinais que se seguiram à vinda do Espírito Santo levavam as pessoas diretamente a Cristo. Esse é um fato importante a ser lembrado.
O que aconteceu no Cenáculo não foi uma experiência única; nem uma nota de rodapé da história. Os crentes cheios do Espírito estabeleceram uma relação contínua com o Espírito Santo. Eles continuaram a ser enchidos. Quando Pedro foi chamado diante do Sinédrio por causa da cura do mendigo, eles perguntaram: “Com que poder, ou em nome de quem fizeste isso?” Pedro estava “cheio do Espírito Santo” quando falou (At. 4.7-8). Não em tempo passado, mas sim presente. “Cheio” descreve o apóstolo naquele exato momento.
Repetidamente na Escritura, quando os seguidores de Cristo são descritos como “cheios do Espírito”, a referência é uma nova plenitude, e não digo que aconteceu ontem ou no mês anterior.
Pedro estava tão cheio do Espírito no templo, que teve autoridade sobre os críticos.
Cheio de coragem, ele disse: “Autoridades do povo e anciãos: Visto que hoje somos interrogados a propósito do benefício feito a um homem enfermo e do modo por que foi curado, tomai conhecimento e todo o povo de Israel de que, em nome de Jesus Cristo, o Nazareno, a quem vós crucificastes, e a quem Deus ressuscitou dentre os mortos, sim, em Seu nome é que está curado perante vós” (At. 4.8-10).
Você compreende que o poder do Espírito pode enchê-lo de tal forma que não precisará temer quem quer que seja? É possível estabelecer tal comunhão com Ele que nem mesmo a necessidade de dirigir-se ao presidente de um país iria causar apreensão. O Espírito levantará sua cabeça, endireitará os seus ombros, e colocará em você uma confiança inesperada.
Quando viajei para Roma, para encontrar o papa no Vaticano, pensei que ficaria nervoso. Mas, isso não aconteceu, porque eu estava completamente absorvido em meu assunto. E senti entre os líderes do Vaticano um desejo pelas coisas espirituais.
Pedro, o poderoso
Pedro estava enfrentando mais que os sacerdotes do templo. Ele, na verdade, confrontava o governo de Israel. De fato, na noite que aconteceu o seu discurso aos sacerdotes, ele e João foram postos na prisão.
Mas, ao falar, suas palavras foram cortantes. Ele lhes disse que o Senhor era a “pedra rejeitada por vós, os construtores, a qual se tornou pedra angular”. Essa foi uma citação direta do Salmo 118.22.
Seria esse mesmo Pedro que, semanas antes, naquele mesmo lugar, diante das mesmas pessoas, se acovardara com as palavras da criada e negara ao seu Mestre? Ali estava agora, cheio do Espírito. Em completo destemor, desafiando os assassinos de Jesus.
Ele não era mais Pedro, o fraco. Mas Pedro, o poderoso. Que mudança o Espírito fizera!
Tão grande foi essa comunhão com o Espírito Santo, que Pedro desafiou diretamente a Ananias. Ele disse: “Ananias, por que encheu Satanás o teu coração, para que mentisses ao Espírito Santo?” (At 5.3). As palavras de Pedro e os atos de Deus foram tão poderosos que sobreveio “grande temor a todos os ouvintes” (v.5).
Sua proximidade
Posso contar-lhe por experiência própria que chega a um ponto onde a comunhão com o Espírito torna-se tão real, tão profunda e tão grande que suas palavras e atos se conformam às palavras e atos d’Ele. Quando você sabe, por exemplo, que Ele foi entristecido, você fala corajosamente a favor d’Ele, sabendo que Ele está fluindo através de você nesse exato momento. Você estará tão próximo d’Ele que sentirá que Ele está respondendo ao que você disse.
Acredito que está chegando o dia em que os homens e mulheres de Deus ficarão tão perto do Espírito que irão testemunhar muito mais do que curas e milagres.
Testemunharemos o Espírito quando Ele afugentar aqueles que ousarem enfrentá-lo.
Nunca se esqueça de Ananias. Ele “caiu e expirou” (At. 5.5). E nunca se esqueça de Geazi. Ele mentiu para Eliseu a respeito dos presentes que Naamã levara. Naamã foi curado, mas o Espírito levou Eliseu a dizer “A lepra de Naamã se apegará a ti e à tua descendência para sempre” (2 Rs 5.27). E foi exatamente o que aconteceu.
Jesus fez uma poderosa declaração quando disse: “Assim como o Pai me enviou, Eu também vos envio. E havendo dito isto, soprou sobre eles, e disse-lhes: Recebei o Espírito Santo. Se de alguns perdoardes os pecados, são-lhe perdoados: se lhos retiverdes, são retidos” (João 20.21-23). Este conceito deve ter exigido muita reflexão por parte dos apóstolos.
O rosto de um anjo
Pedro era tão íntimo do Espírito que disse a seus acusadores: “Ora, nós somos testemunhas destes fatos e bem assim, o Espírito Santo, que Deus outorgou aos que lhe obedecem”. (At 5.32).
O Espírito Santo possuiu de tal forma a Estevão que, ao ser levado perante os sacerdotes, “Todos os que estavam assentados no Sinédrio, fitando os olhos em Estevão, viram o seu rosto como se fosse rosto de anjo” (At 6.15). Mas, e as palavras que proferiu?
“Homens de dura cerviz e incircuncisos de coração e de ouvidos, vós sempre resistis ao Espírito Santo, assim como fizeram vossos pais, também vós o fazeis” (At 7.51). Por que ele disse isso? Em vista do que estava cheio: “Mas Estevão, cheio do Espírito Santo, fitou os olhos no céu e viu a glória de Deus, e Jesus, que estava à direita” (v. 55)”.
A presença do Espírito tornou-se tão poderoso na vida de Estevão que ele pôde levantar os olhos e ver a glória de Deus. Ele assumiu até as emoções e atributos do Espírito quando estava sendo apedrejado.
Estevão disse: “Senhor, não lhes imputes este pecado” (At 7.60). Você pode imaginar esse tipo de reação? Ele não disse a Deus: - Julgai-os. Matai-os. – O Espírito Santo fez a diferença.
Estou convencido de que há um ponto em seu relacionamento com o Espírito quando a unção se tornar tão pesada sobre você – Sua presença tão próxima de você – que você pode levantar os olhos e ter uma visão de Deus. A realidade d’Ele chega a esse ponto.
Durante a sua dramática conversão, Saulo teve uma experiência pessoal com o tremendo poder do Espírito Santo. Quando seguia para Damasco, respirando ameaças e morte contra os seguidores de Cristo, “subitamente uma luz do céu brilhou ao seu redor, e caindo por terra, ouviu uma voz que lhe dizia: Saulo, Saulo, por que me persegues? (At 9.3-4)”.
Ele estava trêmulo e atônito. “Quem és tu, Senhor?” (v.5) perguntou Saulo. “Eu sou Jesus, a quem tu persegues; mas, levanta-te, e entra na cidade, onde te dirão o que te convém fazer” (At 9.5-6). Os homens que viajavam com Saulo ficaram pasmos e sem fala.
Depois dessa experiência, Saulo ficou cego por três dias até que Deus o curasse e ele fosse “cheio do Espírito Santo” (v. 17).
O Espírito fez novamente uma entrada triunfal. Ele transformou Saulo, o inimigo, em Paulo, o apóstolo. De fato, o efeito fez-se sentir em toda a terra. “A igreja, na verdade, tinha paz por toda a Judéia, Galiléia e Samaria, edificando-se e caminhando no temor do Senhor e, no conforto do Espírito Santo, crescia em número” (At. 9.31).
Fico pensando no que aconteceria se todo ministro na terra caísse prostrado e buscasse uma relação pessoal com o Espírito Santo. Acredito que isso revolucionaria de tal forma a igreja que os santuários não conseguiriam acomodar os fiéis.
Graças a Deus pelos pastores que estão “vivos” no Espírito, Mas ouvi falar de alguns ministros que, para ser honesto, serviriam melhor como agentes funerários! Uma comunhão constante com o Espírito faz a diferença. As pessoas estão buscando uma realidade que só o Espírito Santo torna possível.
Ele nunca deixa de trabalhar
A partir do Pentecostes, o Espírito começou sua obra na terra e jamais parou.
Nunca! É incrível como Ele interferiu na vida de Pedro.
Quando este orava num eirado, Deus lhe deu uma visão e, “Enquanto meditava Pedro acerca da visão, disse-lhe o Espírito: Estão aí três homens que te procuram; levanta-te, pois, desce e vai com ele nada duvidando, porque eu os enviei” (At 10.19-20).
Os três mensageiros haviam sido enviados por um homem temente a Deus, Cornélio, centurião do regimento romano. Ele também teve uma visão: “Observou claramente ... um anjo de Deus que se aproximou dele e lhe disse ... Agora envia mensageiros a Jope, e manda chamar a Simão, que tem por sobrenome Pedro” (At 10.3,5).
Mas, não era o anjo que falava. Era o Espírito Santo, falando através do anjo. Você lembra?
O Espírito disse: “Eu os enviei” (vv. 19-20).
O Espírito Santo é uma pessoa ativa. Ele jamais pára de trabalhar. Ele enviará um anjo a você se é disso que precisa. O que acontece na terra é obra do Espírito. Ele é o representante do Pai e do Filho.
Pedro pregou na casa de Cornélio a morte, sepultamento e a ressurreição de Cristo.
“Ainda Pedro falava estas cousas quando caiu o Espírito Santo sobre todos os que ouviam a palavra” (At 10.4). Os crentes em sua companhia “admiraram-se, porque também sobre os gentios foi derramado o dom do Espírito Santo; pois os ouviam falando em línguas e engrandecendo a Deus” (vv. 45-46). Jamais esqueça que a palavra vem em primeiro lugar.
A mensagem de Cristo tem preeminência. O evangelho é o fundamento para tudo que Deus Espírito Santo foi enviado a fazer.
O Espírito se interessa pela sua vida, até mesmo pelo seu futuro. Ele quer guiar, proteger e até advertir a você do que o espera. Você pergunta: – O Espírito Santo pode profetizar sobre as coisas que virão? Veja o que aconteceu quando Barnabé foi para a grande cidade de Antioquia. Mais de meio milhão de pessoas vivia ali, na época. Barnabé e Saulo pregaram durante um ano inteiro a um número enorme de pessoas naquela igreja que crescia com grande celeridade.
Naqueles dias desceram alguns profetas de Jerusalém para Antioquia e, apresentando-se um deles, chamado Ágabo, dava a entender, pelo Espírito, que estava para vir grande fome por todo o mundo, a qual sobreveio nos dias de Cláudio. Os discípulos, cada um conforme as suas posses, resolveram enviar socorro aos irmãos que moravam na Judéia (At 11.27-29).
O Espírito Santo participava então de perto da sua vida diária. Ele revelou uma seca iminente e permitiu assim que se preparassem para ela. O Espírito é uma pessoa e Ele se preocupa profundamente com as pessoas. Ele sabe o que está acontecendo em sua vida e tem grande interesse por você.
O espírito e o Feiticeiro
Não está na hora de você permitir que o Espírito dirija seus passos? Por que tentar planejar seu próprio curso quando Ele conhece cada centímetro da estrada à sua frente, cada curva perigosa, cada buraco. Foi isso que os cristãos de Antioquia aprenderam: “E, servindo eles ao Senhor, e jejuando, disse o Espírito Santo: Separai-me agora a Barnabé e a Saulo para a obra a que os tenho chamado” (At 13.2). Eles responderam imediatamente:
“Enviados, pois, pelo Espírito Santo, desceram a Selêucia e dali, navegaram para Chipre” (v.4).
Os discípulos estavam fazendo a obra do Pai, mas quem os enviou? Eles receberam instruções diretas do Espírito e durante a sua jornada o Espírito não deixou de trabalhar. Ele até lhes deu poder sobre um falso profeta.
Elimas era um feiticeiro e mágico judeu. Ele tentou sustar o que o poder de Deus estava operando em Chipre. “Todavia Saulo, também chamado Paulo, cheio do Espírito Santo, fixando nele os olhos disse: Ó filho do diabo, cheio de todo o engano e de toda a malícia, inimigo de toda a justiça, não cessarás de perverter os retos caminhos do Senhor?” (At 13.9-10).
Que acusação! De fato, o Espírito era tão forte em Paulo que ele informou ao feiticeiro que ficaria cego. E ficou mesmo. Mas, como resultado direto, as pessoas começaram a se voltar para Cristo. “Os discípulos, porém transbordavam de alegria e do Espírito Santo” (v 52).
Você pergunta: – Devo deixar que o Espírito Santo tome todas as decisões? Afinal de contas, Deus não me deu a capacidade de raciocinar? – É claro que deu. Mas o que faz sentido para você deve fazer também para o Espírito. O conselho da igreja de Jerusalém escreveu: “Pois, pareceu bem ao Espírito Santo e a nós...” (At 15.28).
O Espírito Santo irá confirmar quando as coisas estiverem certas, e você saberá qual a direção a tomar.
A mensagem e o mensageiro
Se o Espírito era tão necessário para Cristo, Ele deveria ser igualmente importante para você. Jesus nasceu do Espírito, foi ungido pelo Espírito, expulsou demônios pelo Espírito, recebeu sua plenitude pelo Espírito e operou milagres pelo Espírito. Foi pelo Espírito que Ele ensinou, deu ordens, capacitou e governou a igreja, ofereceu-se a Si mesmo na cruz, e foi ressuscitado.
“Muito mais o sangue de Cristo que, pelo Espírito eterno, a si mesmo se ofereceu sem mácula a Deus, purificará a nossa consciência de obras mortas para servimos ao Deus vivo!” (Hb 9.14). O mesmo Espírito que mostrou-se essencial para a obra terrena de Cristo é necessário para você. Ele é indispensável.
A sua experiência de salvação está alicerçada em Cristo, na cruz e em sua confissão.
Mas, como você recebeu a realidade da sua regeneração? Como soube que seu coração tinha sido purificado? Isso, meu amigo, é obra do Espírito Santo. É o Espírito do Senhor que coloca a mensagem em sua alma. Não é possível encontrar palavras adequadas para descrever ou explicar isso, mas você sabe que é algo tão válido quanto a própria vida.
Se essa realidade é tão forte, tão profunda e tão pessoal, então quão real é aquele que proporciona? Essa é uma pergunta importante. Quão real deve ser o mensageiro já que a mensagem é assim tão real?
O Espírito Santo anseia por um relacionamento pessoal diário e contínuo com você.
Ele quer fazer uma entrada – uma entrada triunfal – em sua vida.
Capítulo 9 – Espaço para o Espírito
Há várias gerações, as pessoas estão sendo levadas a pensar que o Espírito Santo não é uma pessoa. Com base em milhares de vozes, milhões de palavras escritas e uma atitude que vem permeando a fé cristã, fomos sendo programados para pensar que o Espírito Santo é uma coisa e não uma pessoa.
Ouvi recentemente um estribilho de um hino que dizia; “Dá-me mais de Ti”. E pensei – Isso não é bíblico! – Não é possível tirar uma parte d’Ele. Ele é uma pessoa. Você não pode quebrá-lo em pedacinhos, um braço esta semana, e uma perna na próxima. Não podemos dizer, dá-me mais de Ti, mas justamente o oposto. Você deve chamar ao Espírito – Por favor, tire mais de mim. – Ele não se rende a você! Nada disso. Você se entrega a Ele.
Um espaço para Ele
A mensagem mais negligenciada da igreja hoje, sem dúvida é que o Espírito Santo é real e devemos abrir espaço para Ele.
É lamentável, mas milhares de ministros do evangelho não entendem a obra do Espírito no planeta Terra. Temo que tenham sido programados. Desde a escola dominical até o seminário, eles foram levados a crer que o Espírito é um membro menor da Divindade que veio no Pentecostes e ficou flutuando nas nuvens desde então. Muitos na verdade evitam falar no Seu nome para que as pessoas não os confundam com um desses carismáticos.
Deus queria que a igreja fosse viva e vibrante. Pouco antes de voltar ao céu, Jesus pronunciou palavras inesquecíveis: “Estes sinais hão de acompanhar aqueles que crêem...” (Mc 16.17). A pergunta talvez mais complexa que tenho a fazer como ministro é esta: Se o Espírito Santo foi enviado para dar aos cristãos poder para viverem uma vida vitoriosa, por que tantos deles se mostram desanimados e derrotados?
Nos tempos em que era evangelista, eu ia a uma igreja, conduzia uma campanha, orava pelas necessidades do povo, e voltava para casa. Eu não sabia na verdade o que estava acontecendo na vida das pessoas. Mas agora que sou pastor, minha perspectiva mudou completamente e fico perturbado com o que vejo.
Compreendo agora que um número infinitamente maior de pessoas têm grandes problemas, os quais eu jamais sonhei. O fato de tantos crentes estarem desanimados, abatidos e à beira da falência espiritual é quase inconcebível. Vejo repetidamente probleminhas se insinuarem na vida das pessoas e de repente surgirem como verdadeiros gigantes ou montanhas enormes.
– Deus Pai, – pergunto, - onde está a vitória? Onde está a alegria? Na semana passada nossa congregação experimentou um grande derramamento do Espírito na noite de domingo. Quando eu ministrava ao povo, senti uma unção pouco usual. No caminho para minha casa eu me coloquei a gritar – Aleluia! – Eu disse à minha mulher, – Suzanne, que culto maravilhoso! Não é esplêndido o que Deus está fazendo aqui? – Mas no momento em que entramos em casa o telefone tocou. Durante os trinta minutos seguintes ouvi a história de um homem que participara daquele mesmo culto. Ele chorou muito, enquanto me dizia – Não sei mais o que fazer.
Isso acontece muitas e muitas vezes.
Quem tem o poder?
O que está errado? Por que a primeira igreja teve tanto poder e nós temos tão pouco? Com uma palavra eles expulsavam demônios, e nós parecemos tão temerosos e alarmados. Basta mencionar demônios e os cristãos saem correndo. Muitos pastores não querem nem falar neles, como se ignorar o tópico pudesse expulsá-los.
É difícil entender. Em vez de pregar para as pessoas que elas podem libertar-se, muitos ministros mantêm silêncio, mantendo-as algemadas. Em lugar de obedecer às palavras de Cristo: “Expelirão demônios” (Mc 16.17), eles dizem que o que está realmente acontecendo não existe – que não passa de imaginação. E o povo murmura: – Senhor, não encontro uma resposta. Não consigo encontrar ajuda!
É de admirar que alguns adeptos do ocultismo tenham mais poder que certos cristãos? Devemos surpreender-nos quando os seguidores de Satanás demonstram mais do mundo sobrenatural do que muitos seguidores de Cristo? Como isso é possível? Se Deus é onipotente e Satanás tem uma fração mínima do poder, como um discípulo do diabo pode operar com qualquer autoridade?
Tudo na verdade muito simples. A pessoa que usa cem por cento de uma pequena fração tem mais poder do que alguém que pode extrair a energia do universo, mas nem sequer tenta. Fico profundamente perturbado quando penso sobre o fato de um pecador receber mais de Satanás do que um crente que nada pede a Deus recebe.
Está na hora de você começar a exercer o poder do Todo poderoso. Você precisa saber que Deus é maior do que qualquer demônio e que uma só palavra de Jesus destrói o diabo. Um só dos Seus anjos pode prender a Satanás no abismo (Ap 20. 1-3). Deus não é fraco - o seu povo é.
Esta é a única conclusão a que consegui chegar. A razão da igreja e tantos de seus membros estarem tão desanimados é que ela ignorou a pessoa mais poderosa do universo – O Espírito Santo. Eu repito: “Não por força nem por poder, mas pelo meu Espírito, diz o Senhor dos Exércitos” (Zc 4.6). As palavras seguintes são também emocionantes: “Quem és tu, ó grande monte?... serás uma campina” (v. 7).
Você precisa mais do que um trator para nivelar a enorme pilha de pedras à sua frente. É uma montanha gigantesca de futilidade e medo. A escavação que precisa fazer, só será possível através do poder dinâmico do Espírito Santo.
Real e não falso
Através de Sua palavra, Deus dá uma receita para quebrar o jugo da escravidão. Ele sabe exatamente o que é necessário para levantar o seu pesado fardo. Isso é chamado de unção: “Acontecerá naquele dia, que o peso será tirado do teu ombro, e o seu jugo do teu pescoço, jugo que será despedaço por causa da gordura” (Is 10.27).
Da mesma forma que removeu o fardo de Israel, Deus removerá igualmente o seu.
Foi o traiçoeiro Satanás que colocou o jugo pesado sobre você. Mas Jesus, que declarou que o cativeiro seria destruído, disse: “Porque o meu jugo é suave e o meu fardo é leve” (Mt 11.30).
O jugo apertado pode ser quebrado pelo Espírito. Mas não por apenas um momento, não se trata de uma solução temporária. Ele permanece com você, continuando a levantar o fardo e a guiá-lo por um caminho completamente novo. O apóstolo João, falando do Espírito, escreveu: “Quanto a vós outros, a unção que d’Ele recebeste permanece em vós, e não tendes necessidade de que alguém vos ensine, como a Sua unção vos ensina a respeito de todas as cousas, e é verdadeira, e não falsa, permanecei n’Ele, como também ela vos ensinou” (1 Jo 2.27).
Não é preciso ser doutor para perceber quem tem e quem não tem a unção. Até um pecador não regenerado, girando o botão do aparelho de TV na manhã de domingo, durante o programa religioso, conhece o toque do Espírito quando o vê. Ele o reconhece; como um diamante, ele é muito raro.
Não há nada mais trágico do que as pessoas que não têm a unção e tentam produzi-la. Eles tentam forçá-la, mas o toque do Senhor não se acha ali. Quantas vezes você viaja para ouvir um grande orador ou professor bíblico e acaba descobrindo que a pessoa não passa de uma concha vazia; que não há nada dentro dela senão conhecimento. Cheia de fatos e informação, mas absolutamente sem vida. Elas andam e falam, mas suas palavras são mortas.
Jamais esquecerei o ocorrido numa conferência que assisti na costa oeste. Numa sessão à tarde, foi apresentado um jovem cantor. Com uma voz muito bem treinada, ele cantou “O Rei está chegando!” Todos gostaram e aplaudiram muito ao terminar.
Não sei o que aconteceu, mas na sessão noturna, uma senhora cantou exatamente a mesma música. Ela não parecia uma cantora, sua voz era um tanto anasalada e desafinada às vezes. Mas ela tinha alguma coisa que supria todas essas deficiências. Quando chegou à segunda estrofe, as pessoas estavam de pé, com as mãos levantadas para o céu.
O poder naquele lugar era eletrizante e não se interrompeu quando ela terminou de cantar. Nós louvamos repetidamente ao Senhor. Depois começamos a aplaudir durante muito tempo. Mas não estávamos ovacionando a cantora e sim, aplaudindo o Doador da música.
O que fez a diferença? Meu amigo, foi a unção. Foi o poder do Espírito na vida daquela mulher. Durante meu ministério no Canadá, nosso grupo foi um dos patrocinadores de uma cruzada de Billy Graham. Os preparativos para os encontros foram organizados até os últimos detalhes e os cultos propriamente ditos foram “mansos”, comparados aos que eu estava acostumado. Quando Graham começou a falar, porém, havia um toque indiscutível do Espírito em sua mensagem. O conteúdo era Cristo, mas eu senti estar na presença de um homem que tinha comunhão pessoal profunda como Espírito.
Palavras que surpreenderam a Sinagoga
Desde a criação, as pessoas ficaram fascinadas pela unção. Ela tem sido objeto de admiração, tem sido manifestada e até imitada. Mas a verdadeira unção sempre foi e continua sendo uma função de Deus Espírito Santo.
Qual o seu propósito? A fim de que você possa proclamar a mensagem com poder.
“O Espírito do Senhor está sobre mim; porque o Senhor me ungiu; para pregar boas novas aos quebrantados: Enviou-me a curar os quebrantados de coração, a proclamar libertação aos cativos e por em liberdade os algemados; a apregoar o ano aceitável do Senhor ...” (Is 61. 1-2).
Mas essas não são apenas palavras de um profeta do Antigo Testamento. Jesus citou-as para uma audiência atônita na sinagoga de Nazaré (Lc 4.18-19).
Não se esqueça que para compreender o Espírito Santo você deve saber que Ele é Deus. Essa descrição pode parecer estranha para você, mas ela é tão básica quanto a própria palavra. E tem o poder de criação. Você lembra das palavras no livro de Jó? “O Espírito de Deus me fez; e o sopro do Todo Poderoso me dá vida” (Jó 33.4).
Enquanto Deus Pai estava no céu no trono da glória, dizendo: “Façamos o homem”, o Espírito Santo fazia a sua obra na terra. O segundo versículo declara que na criação “o Espírito de Deus pairava por sobre as águas” (Gn 1.2). Ao falar das criaturas na terra, o salmista escreveu: “Envias o teu Espírito, eles são criados, e assim renovas a face da terra” (Sl 104.30).
Crescimento espiritual
Se você quer que a unção do Espírito se torne evidente em sua vida, tudo começa com a compreensão de que Ele é, e como você pode entrar em comunhão com Ele. O Espírito Santo não foi enviado apenas para fazer você sentir-se bem. Ele fará certamente isso, mas é muito mais que isso. Ele tem uma posição de igualdade na Divindade e merece nossa adoração tanto quanto Deus Pai e Deus Filho. Esse é, no entanto, apenas o início. O seu crescimento espiritual não difere de um carvalho gigante. Ele precisa se alimentado e nutrido.
O que faço agora
Um homem falou-me recentemente: – Benny, quero agradecer por ter-me apresentado ao Espírito Santo em 1978.
Respondi: – Que bom. O que vem acontecendo desde então?
Sua expressão não mudou quando respondeu: - na verdade nada. Só me lembro como foi quando o conheci. – Por que você acha que não aconteceu nada? – perguntei.
Não vou esquecer a sua resposta: – Acho que eu não sabia o que fazer. Eu talvez tenha esperado que toda a pessoa apresentada ao Espírito reagisse ao Espírito como eu reagi. Eu literalmente isolei-me com a palavra e o Espírito e absorvi o que Ele tinha a oferecer como uma esponja. Levou tempo, centenas e centenas de horas com o precioso Espírito Santo.
Compreendo que para muitas pessoas é quase impossível encontrar tempo para examinar atentamente as escrituras. Mas, ao ler este livro, você está recebendo de maneira resumida o que levou anos para o Espírito compartilhar comigo. Existe, porém, algo que não posso fazer por você. Não posso brandir uma vara espiritual sobre a sua cabeça e ungi-lo.
Isso só vem através de um encontro pessoal, profundamente privado com o Espírito. E continua e cresce com uma amizade e comunhão que só você pode estabelecer.
O seu crescimento no Espírito começará no momento em que entender que o Espírito de Deus é verdadeiramente Deus. Não posso repetir demais essa idéia, pois o quadro mental de uma personalidade fraca foi plantada em nossa psique desde a infância.
“O Espírito Santo é um servo do Corpo de Cristo”. Esse é o tipo de erro de que falo. Ele não é um servo. É o encarregado. É o líder do Corpo de Cristo.
Quero contar-lhe algo que vim a saber. O Espírito Santo não é apenas Deus, Ele é também o Pai do Senhor Jesus Cristo. Antes que você diga: - Espere aí! O que é isso? – Permita que lhe indique a palavra.
Você diz: - Pensei que Deus Pai era o Pai de Jesus – Você está certo, mas também errado. Vou mostrar-lhe a razão. No primeiro capítulo dos evangelhos, aprendemos que o Espírito Santo é o Pai do Senhor. “Ora, o nascimento de Jesus Cristo foi assim: Estando Maria, Sua mãe, desposada com José, sem que tivessem coabitado antes, achou-se grávida do Espírito Santo” (Mt 1.18).
Até Maria ficou preocupada. Ela disse ao anjo, “Como será isto, pois não tenho relação com homem algum?” E o anjo respondeu, dizendo: “Descerá sobre ti o Espírito Santo e o poder do Altíssimo te envolverá com a sua sombra; por isso também o ente santo que há de nascer, será chamado Filho de Deus” (Lc 1.34-35). Isso é tudo. Ele é chamado Filho de Deus, mas foi o Espírito Santo que desceu sobre a mãe de Cristo. Essa a intimidade da Trindade – o filho de Deus Pai e o filho do Deus Espírito Santo em um só.
Os atributos de Jesus também lhe foram dados pelo Espírito. Ao falar do Cristo que viria, Isaías escreveu:
“Do trono de Jessé sairá um rebento e das suas raízes um renovo. Repousará sobre ele o Espírito do Senhor, o Espírito da sabedoria e do entendimento, o Espírito de conselho e de fortaleza, o Espírito de conhecimento e de temor do Senhor” (Is 11.1-2).
Que é o Pai?
Jesus Cristo é o filho do Espírito. Da mesma forma que os pais terrenos amam seus filhos recém nascidos, o Espírito Santo amou ao Senhor. Você já viu um pai orgulhoso carregar seu filho nos braços, apertá-lo e mostrar o seu amor? Acho que nos esquecemos que o Espírito Santo tem emoções também. Ele ama o que criou; essa a razão de querer colocar os seus braços ao redor de você.
Pode imaginar Deus Pai no céu, dizendo ao Espírito: – Tome meu filho e o encarne?
– Foi o milagre dos milagres. O Espírito Santo tomou essa semente e a plantou no corpo de Maria. Mas Ele não foi somente o Pai do Senhor, foi também aquele que ungiu.
Imagine, se quiser, Deus Pai sentado em seu trono no céu e Jesus na terra curando doentes e realizando milagres . E o Espírito Santo?
Ele é o canal, o contato entre ambas as personalidades. O Pai pega agora o telefone (como se Ele precisasse de um) e diz: - Espírito Santo?
Sim Senhor – diz o Espírito, pegando o aparelho. Deus fala: – Quero que leve Jesus ao deserto, porque vou enviar o diabo para testá-lo.
O Espírito responde: – Sim, Senhor – e se apressa ao encontro de Cristo. – Jesus, venha comigo – diz Ele.
Esta vendo como o Espírito Santo é o contato entre as duas personalidades?
Ou imagine isto: Jesus está passando por um homem muito doente. O Pai pega de novo o telefone e diz: - Espírito Santo? Faça Jesus parar! Diga-lhe para ficar onde está.
O Espírito diz – Está bem. - Jesus, pare!
Ele fala ao telefone: - Pai, o que Ele deve fazer? - Diga-lhe para curar esse homem – responde a voz de Deus.
Jesus imediatamente impõe as mãos sobre o homem, com o poder do Espírito fluindo através d’Ele, e o homem é milagrosamente curado.
O ponto vital para você compreender é este – e, quando entender, o véu que está sobre os seus olhos no que se refere ao papel do Espírito Santo será levantado.
Na terra
Jesus era completamente homem. Ele não tinha “conhecimento revelador” sem a voz do Espírito e não podia mover-se a não ser que o Espírito Santo o movesse.
Você já se perguntou por que alguns não foram curados quando Jesus passou por eles? Por que não orou a favor deles? Por que não estendeu as mãos e os tocou? Foi porque o Pai não solicitou ao Espírito Santo para pedir a Jesus que fizesse isso. Cristo disse “para que o mundo saiba que eu amo ao Pai e que faço como o Pai me ordenou” (Jô 14.31)
Jesus dependia do Espírito. Ele era a corda de salvação entre Jesus e o Pai.
Cristo podia pecar?
Mesmo antes de enfrentar o Gólgota, Ele se ofereceu ao Pai através do Espírito Santo. Ao comparar o sangue de Cristo ao sacrifício de animais, o livro de Hebreus diz:
“Muito mais o sangue de Cristo que, pelo Espírito eterno a si mesmo se ofereceu sem mácula a Deus, purificará a nossa consciência de obras mortas para servimos ao Deus vivo” (Hb 9.14).
Se Ele não tivesse se oferecido mediante o Espírito Santo, não seria aceito aos olhos de Deus Pai. Nem teria suportado os sofrimentos da cruz. Se não tivesse se apresentado através do Espírito Santo, seu sangue não teria permanecido puro e sem mácula.
Quero acrescentar: Se o Espírito Santo não estivesse com Jesus, Ele talvez tivesse pecado. É isso mesmo. O Espírito Santo foi o poder que o manteve puro. Ele não foi só enviado pelo céu, mas foi chamado de Filho do homem - e como tal podia operar. O fato de não ter pecado não significa que não podia fazê-lo.
Se você acredita que Jesus não podia pecar, então por que Satanás perderia tempo em tentá-lo? O diabo sabia o que estava fazendo. Sem o Espírito Santo, Jesus talvez não cumprisse o seu propósito.
Jesus na verdade se ofereceu através do Espírito Santo para permanecer sem pecado.
Ele dependeu do Espírito Santo até para ressuscitá-lo. Lembra-se do que Paulo disse?
Cristo foi “poderosamente demonstrado Filho de Deus, segundo o espírito de santidade, pela ressurreição dos mortos” (Rm 1.4).
Cristo foi ressuscitado pelo poder do Espírito. A escritura diz: “Se habita em vós o Espírito daquele que ressuscitou a Jesus dentre os mortos, esse mesmo que ressuscitou a Cristo Jesus dentre os mortos, vivificará também os vossos corpos mortais, por meio do seu Espírito que habita em vós” (Rm 8.11). O Espírito Santo não só ressuscitou a Cristo, é Ele quem vai ressuscitar a você! Podemos colocar n’Ele a nossa esperança.
O plano mestre de Deus
Mesmo depois de ter mudado o curso da história, saindo do túmulo vazio, Cristo continuou a depender do Espírito. De fato, Ele disse aos discípulos que não saíssem de Jerusalém até receberem poder do alto. Ordenou que “esperassem a promessa do Pai, a qual... de mim ouvistes. Porque João na verdade, batizou com água, mas vós sereis batizados com o Espírito Santo, não muito depois destes dias” (At 1.4-5).
Cristo estava sob controle de Deus, ao falar essas palavras. Ele repetiu o que o Pai disse ao Espírito Santo.
Cristo dependia tanto do Espírito Santo que o consultou antes de dar instruções aos seus seguidores. A escritura diz que Ele foi levado ao céu depois desses mandamentos aos apóstolos “por intermédio do Espírito Santo” (At 1.2).
Não me entenda mal! Não estou dizendo de forma alguma que Cristo tinha uma posição inferior à do Espírito. Absolutamente não. Jesus não é menos que o Espírito Santo, nem este é inferior a Jesus.
Existe igualdade completa na Trindade. Cada membro tem características e propósitos únicos.
O que quero que saiba é que o Espírito não é fraco. Ele não é imaturo ou incapaz de falar por Si mesmo. O Espírito Santo é perfeito, poderoso e glorioso.
O Espírito merece a nossa adoração. Devemos pôr em prática o que temos cantado durante gerações: “Louvemos a Deus de quem fluem todas as bênçãos... Louvemos ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo”.
Como você pode reconhecê–lo? É tão simples quanto aquela vozinha que ouve quando vai dormir, a voz que o faz lembrar: “Você não orou hoje”. Ou Ele talvez diga:
“Você não leu a bíblia hoje”. É o Espírito falando, tocando a sua alma. Você já o conhece, mas Ele quer que o conheça ainda melhor.
O Senhor predisse o que aconteceria quando você desse lugar ao Espírito Santo:
“Quem crer em mim como diz a escritura, do seu interior fluirão rios de água viva” (Jo 7.38). E qual era a unção de que Ele falou? “Isto que ele disse com respeito ao Espírito que haviam de receber os que nele cressem” (v.39).
Você tem um plano mestre detalhado para a sua vida. A Sua unção e o Seu Espírito estão inclusos no plano: “Mas aquele que confirma convosco em Cristo, e nos ungiu, é Deus, o qual também nos selou e nos deu como penhor o Espírito em nossos corações.” (2 Co 1.21-22).
Você abriu espaço para o Espírito Santo? Tudo o que ele pede é um lugar no seu coração.
Capítulo 10 – A pouca distância
Por que Deus não responde à minha oração? – Por que não posso receber livramento e cura? A resposta para a sua necessidade mais urgente está perto – muito mais perto do que você imagina. Apenas uma palavra, dita do fundo do seu coração, pode fazer desaparecer rapidamente as nuvens mais negras em sua vida. Está na hora de parar de pensar que Deus é um Espírito inatingível, residindo a milhares de quilômetros de distância. O Pai está tão perto, que você pode falar com Ele a qualquer momento e Seu Espírito está tão próximo que Ele pode dar-lhe conforto, paz e orientação. Tudo o que você precisa é pedir e confiar em que Ele vai agir.
O que descobri no Espírito não é um segredo envolto em mistério. É algo tão real quanto a própria vida e tão próximo quanto as batidas de seu coração. Essa razão do meu desejo de compartilhar essa descoberta com você.
A obra da divindade
“Fraqueza” ou “Vontade”?
Vamos começar com este fato sobre a Divindade. O que se aplica a um não se aplica necessariamente aos três. Eles são algumas vezes diferentes, até de maneira como se movem e como se falam. Já discutimos o fato dos membros da Divindade serem pessoas distintas – todavia, Eles são Um. Mas quando se trata de nossa relação e comunicação pessoal com “Deus”, é essencial ao Pai, ao Filho e ao Espírito.
Toda vez em que você vê Deus trabalhar, você vê como um só Deus. Mas você começa a perceber algumas diferenças no modo como pensam e como agem.
Por exemplo, quando o povo judeu sob a Antiga Aliança pecou deliberadamente na presença do Pai, lembra o que aconteceu? A escritura registra que eles foram mortos ou castigados.
Mas Cristo tratou de maneira diferente com aqueles que pecaram deliberada e conscientemente. Exemplo: Considere os fariseus.
Cristo os matou? Não! Ele os repreendeu.
Você diz: – Benny, sempre acredita que Cristo perdoava a todos? – A bíblia não registra se Jesus perdoou o pecado dos fariseus. Mas ele perdoou o ladrão na cruz, quando este clamou sinceramente – Sou um pecador!
Não confunda. Deus Pai perdoou, mas ele também matou ou castigou os que se negaram a deixar de rebelar-se contra Ele. Deus Filho, porém, respondeu de outra maneira.
Em vez de matar ou julgar o pecador deliberado, Ele simplesmente o censurou.
Você pergunta: - Mas, e o Espírito Santo? Qual sua reação a uma pessoa que peca consciente e deliberadamente? Ele reage de modo diverso do Pai e do Filho. O Espírito não os remove ou repreende – Ele os condena e retira o poder de Sua presença.
Para onde devo olhar?
A Trindade, como vemos, é composta de três pessoas distintas e únicas. Mas você precisa compreender a Sua Unidade. É essencial que reconheça que a unidade abrangente de que falamos está ligada à obra e essência da Divindade.
A palavra deixa claro que há diferenças ou diversidades de administração da Divindade, todavia Eles são UM. Paulo explicou isto à igreja de Corinto: “E também há diversidade nos cultos, mas o Senhor é o mesmo. E há diversidade nas realizações, mas o mesmo Deus é quem opera tudo em todos” (1 Co 12.5-6). E a seguir escreve: “A manifestação do Espírito é concedida a cada um, visando um fim proveitoso” (v.7).
Paulo estava desvendando a operação da Divindade. Ele explicou que o Senhor Jesus é o administrador, o Pai é o operador, e o Espírito Santo é o manifestador. Essa é uma das poucas vezes na palavra em que Jesus é mencionado em primeiro lugar e o Pai em segundo na ordem de reconhecimento.
Vamos colocá-los de volta na ordem bíblica “usual”:
Qual a principal obra do Pai? Ele opera.
E do Filho? Ele administra a operação do Pai.
E o Espírito Santo manifesta a administração dessa operação.
Se você precisa de vida, a quem pede? Pede ao Pai porque Ele é o doador de toda boa dádiva e todo dom perfeito. Você diz: - Benny, eu pensava que devíamos pedir a Jesus.
– Não. A fonte é o Pai. Mas o doador dessa fonte é Cristo. E o poder da fonte é o Espírito Santo.
Portanto, quando você precisa de vida, eis o que acontece: Você olha para o Pai e diz: - Pai, dê–me vida! Ou cura, ou livramento. Veja bem, Deus é a fonte da vida.
Jesus disse: “Pedi ao Pai em meu nome”. Mesmo que esteja se aproximando de Deus através do Filho, é ainda ao Pai que você está pedindo a dádiva. E o seu pedido vai através do Filho para o Pai.
Como essa dádiva é devolvida? Digamos que o seu pedido é de cura. Deus Pai – lembre que Deus é três pessoas – olha para Deus Filho e diz – Quer, por favor, curá-lo?
Cristo entrega a cura. Por quê? Porque esse é o papel do administrador. A própria palavra administrar significa ministrar ou servir. O Pai entrega então a cura ao Filho e o Filho a serve a você.
Você pode imaginar-se estendendo as mãos para receber a sua cura e, de alguma forma, parece que ela está fora do seu alcance? Você estica os braços o mais possível, mas o dom de parece escapar-lhe. Tão perto e ao mesmo tempo tão distante. O que aconteceu?
O que faltou?
É nesse ponto que a obra do Espírito entra em cena. Ele se apresenta para manifestar a cura que foi provida por Deus e servida por seu Filho. É o Espírito que completa o processo de cura.
Ele está ao seu lado
O início foi o Pentecostes. O Espírito Santo desceu do céu para manifestar a palavra da Divindade. E onde está exatamente o Espírito Santo hoje? Onde Ele reside? O Espírito não está ao lado de Jesus, como muitas pessoas bem intencionadas acreditam. E Ele não está ao lado do Pai. Ele foi dado a você e a mim como o Consolador ou “aquele que está ao seu lado”.
O Espírito Santo é o seu ajudador. Ele é o seu assistente, para ajudar você a receber a vida, a cura ou o livramento de que precisa tão desesperadamente.
Muitas vezes alguém pergunta: - Benny, a quem devo orar? Minha resposta é: - Não confunda as coisas. Você deve orar ao Pai. – Mas,... – replica o interlocutor, - você disse que devemos falar ao Espírito.
Tenho de ensinar: - Há uma enorme diferença entre falar e orar. Eu jamais orei ao Espírito Santo.
Você sabe qual o significado da palavra oração? Oração significa petição. Em outras palavras, você apresenta a sua necessidade, e pede uma resposta. Você procura e espera receber. Você nunca procura ao Espírito – é Ele quem ajuda a você procurar.
Eu ainda não disse: Espírito Santo, dá–me. – Mas posso contar as vezes em que eu disse: - Precioso Espírito Santo, ajuda-me a pedir!
Você está começando a entender que a sua resposta está bem perto? Apenas uma palavra, esperando para ser dita. Pode ser um problema físico que esteja atormentando você há anos. Ou talvez seja um hábito que parece impossível abandonar. A resposta que você precisa está bem próxima.
Não está na hora de voltar-se para o Espírito de Deus e dizer: - Espírito Santo. Tu és meu ajudador. Preciso de Ti. Quer ajudar-me agora? – No momento em que pronunciar essas palavras com sinceridade, o Espírito Santo porá a Sua mão sobre você e algo maravilhoso acontecerá. De repente, você vai encontrar-se literalmente “no Espírito” – absorvido na Sua presença e na Sua pessoa.
Três pequenas palavras
Quando o Pai dá algo a você, ela vem do Pai. Quando o Filho lhe dá algo, isso é geralmente descrito como vindo através de Jesus. Mas quando o Espírito Santo supre, isso é dado n’Ele. De, através, em – três pequenas palavras, mas elas são fortes e poderosas.
Quando lemos a Palavra de Deus, o padrão é surpreendente. Sempre que o Pai é mencionado, isso é feito em termos de “o amor de Deus”, “o poder de Deus”, “a graça de Deus”. É Assim que Deus é apresentado, repetidamente.
Mas, como Cristo é descrito? A escritura nos ensina muitas vezes que “louvamos através do Filho”, recebemos por intermédio do Filho, e assim por diante.
Quando se trata do Espírito Santo, todavia, a terminologia muda. É usada a palavra “em” ou “no”. “Andai no Espírito, e jamais satisfarei a concupiscência da carne” (Gl 5.16).
E “Se vivemos no Espírito, andemos também no Espírito” (v.25).
Cristo disse à Samaritana junto ao poço:- “Mas vem a hora, e já chegou, quando os verdadeiros adoradores adorarão ao Pai em espírito e em verdade; porque são estes que o Pai procura para seus adoradores” (Jô 4.23). A palavra ‘em’ aqui significa simplesmente “um com ele”. Ou seja, Cristo disse que o Pai procura aqueles que adoram e têm unidade com o Espírito”.
Você está andando em comunhão com o Espírito? Você está vivendo em comunhão com o Espírito? Alcançar esse relacionamento não é difícil. É tão simples quanto dizer ao grande ajudador: - Ajuda-me!
É então que o Espírito de Deus irá tocar a você e assisti-lo quando estender as mãos para receber aquilo que Deus quer que receba.
O importante em tudo isso é que você compreenda que a Trindade está verdadeiramente operando em conjunto para cumprir um alvo – satisfazer a sua necessidade. Eles são o Pai, o Filho e o Espírito Santo, mas são Um. São uma equipe de pessoas, unidas com uma natureza, trabalhando juntas de completo acordo e em eterna harmonia.
Uma relação de aliança
Você conserva a cura, o livramento que recebeu, porque o Espírito Santo está na terra ao seu lado. Foi por esse motivo que Jesus pôde voltar ao céu e, todavia, você reteve o dom que Ele deu. Se você quer saber como manter um relacionamento íntimo com o Espírito Santo, ouça as palavras do grande profeta Ageu: “Segundo a palavra da aliança que fiz convosco, quando saístes do Egito. O meu Espírito habita no meio de vós; não temais” (Ag 2.5).
Quando você pede ao filho de Deus para entrar em seu coração, está fazendo uma aliança pessoal com Deus. Não se trata de uma conversa unilateral. Deus também faz um acordo de aliança com você. Ele sempre agiu desse modo.
O Pai iniciou alianças com Adão, Noé, Abraão, Isaque, Davi e muitos outros. Do mesmo modo que Deus procurou fazer acordos, a humanidade também buscou a Deus. É isso que descobrimos ao estudar a vida de Jacó, Josué, Elias e dos israelitas.
Ao confessarem seus pecados a Deus, os israelitas disseram: “Agora, pois, ó nosso Deus grande, poderoso e temível, que guardas a aliança a misericórdia... estamos em grande angustia” (Ne 9.32,37).
Neemias disse então ao Senhor: “Por causa de tudo isso estabelecemos aliança fiel, e a escrevemos; e assim selaram-na os nossos príncipes, os nossos levitas e nossos sacerdotes” (v.38).
A aliança foi assinada por não menos que 84 líderes, os quais “convieram numa imprecação e num juramento, de que andariam na lei de Deus, que foi dada por intermédio de Moisés, servo de Deus; de que guardariam e cumpririam todos os mandamentos do Senhor, nosso Deus...” (10.29).
As alianças com Deus eram confirmadas por diversos atos, inclusive ficar de pé (Ed 10.14; na bíblia em português a idéia inferida – N.T), tirar o calçado (Rt 4.7 –11), dar um banquete (Gn 26.30) , erigir um monumento (Gn 31.45-53) e fazer um juramento (Js 2.12-14).
A aliança mais importante de todas talvez tenha sido a que Deus fez com você através de seu Filho, quando Ele trouxe “dentre os mortos a Jesus nosso Senhor... pelo sangue da eterna aliança” (Hb 13.20).
Uma palavra de aviso
Do mesmo modo que Deus tem uma aliança relativa à sua salvação, você pode fazer um voto ou juramento com o Deus que trata das suas necessidades pessoais. Tomei vários compromissos com Deus e creio que Ele reconhece a sinceridade do compromisso quando você declara categoricamente o que está disposto a fazer em resposta à sua benção.
Um fato é evidente, o Antigo Testamento está repleto de alianças que agradaram a Deus. Por que isso é importante para você? Porque Deus opera de acordo com as alianças e através delas, e você pode entrar em aliança com Ele em relação a qualquer necessidade especial. Você vai descobrir que o Pai está mais do que disposto a manter a sua palavra.
Vim a crer que o Espírito Santo entra em sua vida como resultado da aliança eterna que Deus fez com você no que se refere à sua salvação. Ele é o mensageiro de Deus e de Cristo para você, a partir desse momento. Esse acordo deve ser levado a sério. Lembre-se do que aconteceu com Sansão. Depois de Dalila ter mandado raspar a cabeça dele enquanto ele dormia, ela gritou: “Os filisteus vêm sobre ti, Sansão! Tendo ele despertado do seu sono, disse consigo mesmo: Sairei ainda esta vez como dantes, e me livrarei; porque ele não sabia ainda que já o Senhor se tinha retirado dele” (Jz 16.20). Quem partira fora o mesmo “Espírito do Senhor” que de tal maneira se apossara dele antes (Jz 15.14).
Você pode imaginar-se nessa dificuldade? Você pensa que está cheio, mas não está.
Acredita estar ungido, mas o Espírito foi embora. Sansão não percebera absolutamente que havia traído seu chamado e sua aliança com Deus. Ele julgava ter ainda força, mas o Espírito desaparecera de sua vida.
A mesma coisa aconteceu com Saul. O Senhor rejeitou a Saul como rei “porquanto deixou de me seguir, e não executou a minhas palavras” (1 Sm 15.11). O Espírito não só abandonou a Saul, como algo pior aconteceu: “Tendo-se retirado de Saul o Espírito do Senhor, da parte deste um espírito maligno o atormentava” (1Sm 16.14).
O vácuo será preenchido
Você sabia que todo incrédulo é influenciado por demônios? Isso parece chocante, mas é o que a bíblia diz: “Ele vos deu vida, estando vós mortos nos vossos delitos e pecados, nos quais andastes outrora, segundo o curso deste mundo, segundo o príncipe da potestade do ar, do espírito que agora atua nos filhos da desobediência” (Ef 2.1-2).
Você pode dizer: - Mas isso nunca aconteceria comigo! Estou cheio com o Espírito Santo. – Isso talvez seja verdade, mas se por qualquer razão a presença do Espírito Santo abandonar você, surge um vácuo e é justamente isso que Satanás está esperando. A sua influência se transforma em opressão.
Ninguém gosta de falar de demônios. Os pregadores não fazem sermões a esse respeito. Os cristãos não o discutem. Os pecadores apagam este terrível tópico de suas mentes. É o mesmo que faz o político quando evita o problema das drogas e da criminalidade, pensando que de alguma forma ele vai desaparecer. Mas Cristo falou do assunto sem medo. Ele falou que os demônios estão ansiosos para invadir nossas vidas.
Jesus disse aos fariseus: “Quando o espírito imundo sai do homem, anda por lugares áridos procurando repouso, porém não encontra. Por isso diz: Voltarei para minha casa donde saí. E, tendo voltado, a encontra vazia, varrida e ornamentada. Então vai, e leva consigo outros sete espíritos, piores do que ele, e, entrando, habitam ali” (Mt 12.43-45).
Preste atenção no que o Senhor diz em seguida: ”E o último estado daquele homem torna-se pior do que o primeiro” (v.45).
O plano de ataque de Satanás é este: Todo demônio que partiu volta para uma visita, para ver se ainda há oportunidade. Se houver uma chance, ele trará outros em sua companhia. É uma situação amedrontadora, mas você pode evitá-la mantendo-se sempre completa e totalmente cheio do Espírito Santo e jamais quebrando a aliança com Deus.
Está lembrando da história dos discípulos que falharam na sua tentativa de curar uma criança? Isso aconteceu quando Cristo estava no Monte da Transfiguração sendo glorificado. Quando o mestre desceu do monte, o pai do menino disse: “Senhor, compadece-Te de meu filho, porque é lunático e sofre muito; pois muitas vezes cai no fogo, e outras muitas na água. Apresentei-o aos discípulos, mas eles não puderam curá-lo” (Mt 17.15-16).
Havia, porém, necessidade de mais que uma cura física. Cristo disse: “Trazei-me o menino. E Jesus repreendeu o demônio, e este saiu do menino: e desde aquela hora ficou o menino curado” (vv. 17-18).
O Senhor não quer somente remover Satanás e aos seus demônios de sua vida – aquelas coisas que são uma barreira para sua cura e livramento – mas Ele quer encher esse vácuo. Essa razão de ter enviado o Consolador. Ele quer que você seja cheio com o Espírito.
O Espírito está neste momento na terra. De fato, Ele aguarda pacientemente seu convite.
Basta apenas uma palavra ou até um sussurro – Espírito Santo, por favor, me ajude!
A sua resposta está a pouca distância.
Capítulo 11 – Por que choras?
Benny, a blasfêmia contra o Pai pode ser perdoada? – um cristão novo perguntou recentemente.
Sim – respondi. E a blasfêmia contra o Filho? – Ela também pode ser perdoada – disse eu. – Então me diga por que a blasfêmia contra o Espírito Santo não pode ser perdoada?
Libertação do medo
O assunto é inquietante para inúmeras pessoas. Mas o Espírito me libertou do medo de cometer o “pecado imperdoável”. Ele me esclareceu com tamanha revelação que eu não me preocupo mais com o problema.
Eu estava orando quando, de repente, soube que o Espírito de Deus se achava em meu quarto e senti que Ele chorava. Sei que parece estranho, mas devo confessar que não compreendo bem o que se passou. Lembro-me, porém, que estava de joelhos quando sentia a Sua presença e tive a sensação de que chorava baixinho.
Você pergunta: - Como você sabia que era o Espírito? – Para mim, duvidar da realidade daquele momento seria duvidar da minha salvação, essa é a medida da realidade daquela experiência. Não posso explicá-la nem entendê-la, mas sei que isso aconteceu.
A experiência foi tão real que eu virei literalmente o rosto para a esquerda e disse: – Espírito do Senhor, por que estás chorando?
Não houve resposta. Naquele momento as lágrimas começaram a correr pela minha face. Com os olhos molhados, indaguei novamente: - Espírito Santo, por que estás chorando?
Então, repentinamente, todo o meu ser começou a clamar. Não era mais apenas lágrimas, a realidade do que eu sentia era tão grande que me pus a gemer. O sentimento vinha do fundo do meu coração. Era como se eu tivesse sido quebrantado, como uma pessoa que acabou de perder um filho ou uma filha.
Os soluços fortes não paravam. Eu estava chorando de noite e não conseguia dormir. Aquilo continuou durante dias e não apenas horas. Não era nada planejado, e eu, com sinceridade, não compreendia porque as lágrimas eram tão incontroláveis. Ao todo, a experiência durou por mais de três semanas.
O fardo tornou-se cada vez mais pesado. Eu sentia como se alguém tivesse colocado um peso de mil quilos em minhas costas, apertado os cordões, fechado com uma chave e me deixado sozinho. Parecia como se eu estivesse carregando um pesado e opressivo fardo de tristeza. Essa é a única maneira de descrevê-lo: um fardo de tristeza.
Andando de lá para cá
Eu me sentia como o salmista quando ele escreveu: “Estou cansado do meu gemido; toda noite faço nadar em lágrimas a minha cama, inundo com elas o meu leito.” (Sl 6.6)
Lá estava eu, sofrendo sem saber o porquê, andando de lá para cá e procurando uma razão.
Levantei os olhos e exclamei: - Senhor, por quê? – Orei para ser libertado daquele peso inexplicável sobre os meus ombros. Naquele momento o Deus Todo–Poderoso transformou o peso da tristeza em um fardo pelas almas perdidas que nunca havia conhecido antes.
O que aconteceu com a minha pergunta ao Espírito Santo: “Por que estás chorando?”. Terminou com um fardo que transformou minha vida. Um fardo pelos perdidos que nunca mais me abandonou nenhuma vez, até hoje.
Saí daquela experiência (embora não a compreenda ainda inteiramente), convencido de que o Espírito Santo sofre pelo mundo. Estou persuadido de que Ele busca, em lágrimas, servos que divulguem o amor de Deus. Creio que o coração do Espírito do Pai está quebrantado pelas necessidades dos homens. Talvez naquelas semanas Ele me permitisse um vislumbre de Sua agonia pelos perdidos.
Não havia mais dúvidas quanto ao futuro de Benny Hinn. Eu sabia que estava obrigado a pregar a mensagem do Pai, do Filho e do Espírito Santo. E não deixei mais de fazer isso.
O Espírito é tão especial que, quando encontra uma pessoa que pode usar, Ele permite que ela sinta as batidas do Seu coração. Depois de você ter sentido a dor que o Espírito Santo sente, ela se apega à sua consciência e não mais o deixa. Você não verá apenas a necessidade do ser humano, mas sentirá essas necessidades desesperadas como nunca antes.
Acredito, entretanto, que houve outro motivo para Deus permitir que passasse por aquela lição. Ela abriu meus olhos para ver a razão do Espírito ser um membro da Trindade e, todavia, diferente do Pai e do Filho. Pude então juntar as peças do quebra-cabeças chamado “o pecado imperdoável”.
Insulto e blasfêmia
O que a Escritura diz exatamente? Falando aos fariseus, Jesus, disse: “Quem não é por mim, é contra mim, e quem comigo não ajunta, espalha. Por isso vos declaro: Todo pecado e blasfêmia serão perdoados ao homem; mas a blasfêmia contra o Espírito não será perdoada” (Mt 12.30,31). Ele esclareceu ainda mais: “Se alguém proferir alguma palavra contra o Filho do homem ser-lhe–á isso perdoado; mas se alguém falar contra o Espírito Santo, não lhe será isso perdoado, nem neste mundo nem no por vir.” (v. 32).
O que o termo blasfêmia abrange? A palavra tem vários significados, incluindo: Falar mal de alguém. Zombar. Insultar – abusar, censurar, rogar pragas. Difamar – injuriar. Caluniar – acusar falsamente. Ultrajar.
Alguém pode perguntar: – Como você difama o Espírito Santo? – ou – Como o insulta? – Esse é um ato deliberado.
O livro de hebreus fala diretamente do assunto:
“Porque, se vivermos deliberadamente em pecado, depois de termos recebido o pleno conhecimento da verdade, já não resta sacrifício pelo pecado; pelo contrário, certa expectação horrível de juízo e fogo vingador prestes a consumir os adversários. Sem misericórdia morre pelo depoimento de duas ou três testemunhas quem tiver rejeitado a lei de Moisés. De quanto mais severo castigo julgais vós que será considerado digno aquele que calcou aos pés o Filho de Deus, e profanou o sangue da aliança com o qual foi santificado, e ultrajou o Espírito da graça?” (Hb. 10.26-29). As palavras são seguidas por advertências severas: “Ora, nós conhecemos aquele que disse: A mim pertence a vingança, eu retribuirei”.
E outra vez: “O Senhor julgará a seu povo. Horrível cousa é cair nas mãos do Deus vivo” (vv.30-31).
Que diferença
Por que não há perdão para a blasfêmia contra o Espírito Santo? Através das páginas deste livro compartilhei com você, segundo as escrituras, que há uma peculiaridade – uma diferença – no Espírito Santo. Ele não é superior nem inferior ao Pai ou ao Filho, mas precisamos conhecer as Suas características.
Deus Todo Poderoso, o Pai, é o grande Deus dos céus e deve ser adorado, louvado, glorificado, magnificado e exaltado. Jesus, seu Filho, é o Senhor da glória, a quem até os anjos devem considerar. Creio também que o Espírito Santo tem capacidade de sentir emoções humanas – dor, tristeza e angústia – com uma intensidade que só Ele conhece.
Você diz: - Está querendo dizer que o Espírito Santo pode sofrer de maneira diferente do Pai e do Filho? – A bíblia não diz: “Não entristeça ao Pai ou ao Filho”, mas sim, “Não entristeçais o Espírito” (Ef 4.30). Por quê? Creio que é porque Ele é tocado de maneira profunda, diversa de algum modo dos sentimentos que os outros membros da Divindade experimentam.
O fato de Jesus ter dito “Se alguém proferir alguma palavra contra o Filho do homem ser–lhe–á isso perdoado; mas se alguém falar contra o Espírito Santo, não lhe será isso perdoado, nem neste mundo nem no porvir” (Mt 12.32), indica que o Espírito Santo pode ficar machucado.
Por que será que o Pai teria dito: “Vocês contristaram o meu Espírito?” Em outras palavras, o Espírito de Deus foi afligido ou atormentado. A escritura registra que “se lhe tornou em inimigo, e Ele mesmo pelejou contra ele” (Is 63.10). Por que o Espírito Santo parece ser tão protegido? Talvez porque Deus Pai sabe quão terno Ele é. É quase como se Deus Pai estivesse dizendo – Se você tocar n’Ele, não vou perdoá-lo”.
Por que o Espírito Santo é tão defendido por Cristo, que Jesus disse: “Meu sangue lavará todo pecado menos esse?” Ele disse até: “Aquele que blasfemou contra o Espírito Santo não tem perdão para sempre, visto que é réu de pecado eterno” (Mc 3.29). Por quê? É novamente porque o Espírito Santo é diferente e o Seu coração pode sofrer com facilidade.
Posso dizer-lhe uma palavra de consolo? Antes de Jesus falar sobre blasfêmia, Ele fez uma declaração muito importante que você deve ler outra vez: “Quem não é por mim, é contra mim; e quem comigo não ajunta, espalha” (Mt 12.30).
Se você está trabalhando por Cristo, não se enquadra na Sua advertência. Quando o Senhor falou sobre blasfêmia, deixou absolutamente claro que admoestava as pessoas que não estavam trabalhando com Ele.
Pergunte a si mesmo – Estou com Ele? – Se a resposta for sim, pergunte então: – Colho almas para Ele? - Se a resposta continuar sendo sim, você pode dizer: - Então jamais irei blasfemar contra o Espírito.
Você esta preocupado?
Uma adolescente veio procurar-me, convencida de havia blasfemado contra o Espírito Santo. – Você está preocupada? – perguntei. – Sim, - respondeu com o olhar perturbado. – Senhorita, - eu lhe disse, - o próprio fato de estar preocupada mostra que não cometeu blasfêmia contra o Espírito.
Veja bem, blasfêmia é um ato de vontade que não inclui preocupação. Blasfemar é maldizer Jesus, como se afirmando: - Não me importa o que Ele fez! – É dizer: - O que importa o valor desse sangue? – Blasfemar é insultar deliberadamente o que Deus fez.
Você diz: – Olhe Benny, como posso saber que jamais vou cometer esse pecado? – Você não cometerá esse pecado enquanto não desejar cometê-lo.
Observe cuidadosamente o que Cristo disse. Ele disse que se alguém “falar” contra o Espírito não será perdoado. Essa palavra é vital para a mensagem de Cristo. Falar indica um ato deliberado. É mais do que um pensamento ocioso. Todo o seu corpo se envolve no ato de preferir uma palavra.
Se houver blasfêmia contra o Espírito, Ele é ultrajado por aqueles que tomaram a decisão de blasfemar. Trata-se de uma volição, uma escolha que você faz.
Onde Satanás se coloca em tudo isso? Em minha interação com as pessoas no papel de ministro, sei como o diabo se aproxima delas e tenta encher a sua mente com maus pensamentos sobre o Espírito Santo. Você poderia esperar menos dele? Talvez tenha acontecido com você.
Algum pensamento que nunca tivesse entrado? Quem lançou esse mau pensamento em sua direção? Claro que foi Satanás. Mas você expressou em voz alta esse pensamento?
Não! A razão de ter mantido silêncio é porque o pensamento não era seu.
A pessoa que fala contra o Espírito Santo tomou a decisão de blasfemar. É ele quem diz: - Vou blasfemar e não me importa o que Deus pensa!
Saul blasfemou contra o Espírito Santo quando rejeitou a palavra de Deus. Demas, um dos seus companheiros de Paulo, blasfemou ao abandonar o evangelho e voltar aos prazeres da carne. Paulo escreveu:- “... Demas, tendo amado o presente século me abandonou e se foi para Tessalônica” (2 Tm 4.10).
Não deixe que vá embora
- Benny, você nos informou que não podemos blasfemar. O que dizer então de Saul e Demas? – Meu desejo é salientar que você não pode blasfemar enquanto estiver decidido a viver para Jesus e cumprir a sua palavra.
A estrada para a eternidade está coberta de pessoas que começaram a andar com Cristo e acabam com Satanás. Alguns descem pela nave, apertam a mão do pregador como uma espécie de apólice de seguro para uma mansão no céu . Mas seus corações não correspondem aos seus atos. Em breve você vai ver essas mesmas pessoas se entregando à carnalidade, ao dinheiro, ao brilho do mundo. Elas dizem: – Senhor, estou indo embora. Você talvez fique imaginando: - Como sei que o Espírito Santo ainda está comigo?
E como saberei se e quando Ele foi embora?
Um artifício de Satanás é atacar a você e encher a sua mente com palavras: – O Espírito Santo o abandonou. Ele partiu para sempre. Jamais vai tê-lo de volta!
Mas não aceite isso. Direi como você pode saber se o Espírito continua em você. Isto tem sido a grande ajuda para mim e creio que será também para você. Primeiro, as escrituras dizem que o Espírito Santo habita em cada crente como conselheiro e fonte de paz. Segundo, você tem consciência da presença de Jesus em sua vida? Então o Espírito Santo não partiu. Você continua ouvindo o Espírito de Deus dizer, “Ore”! Ele não o deixou. Você sente algumas vezes culpa de não ler a palavra? Ele não foi embora. De fato, Ele está convencendo você. Você encontrou alguém e sentiu necessidade de falar de Jesus a essa pessoa? Ele continua em você. Jesus não se contradisse ao afirmar que o Espírito estará com você sempre. Ele falava de fato do papel do Espírito ser permanente, eterno. Se você blasfemar contra Ele, o Espírito irá embora. Mas se entristecê-lo, Ele não o deixará. Ele permanecerá mesmo quando o ferir. Acredito que os cristãos entristecem o Espírito todos os dias. Eu da minha parte, sou culpado disso.
Entristecer ao Espírito Santo é pecado da igreja. Essa é a razão de Paulo ter dito à igreja: “Não entristeçais ao Espírito”. Ele não dirigiu essas palavras aos incrédulos.
E se eu falhar?
Como nós o entristecemos?”– Você pergunta. Você o entristece quando não perdoa.
Você o entristece quando diz algo feio ou errado. Mas a sua oração diária deve ser: “Bendito Espírito de Deus, por favor, me ajude hoje a não entristecer-Te”.
E se você falhar? Ele está mais do que pronto para ouvir você dizer, - Por favor, perdoa-me. – Ele irá então perdoar e purificar a você setenta vezes sete.
O Espírito Santo é tão sensível que o menor ferimento lhe causa dor.
Quanto mais tempo você O conhecer, tanto mais ira compreender os Seus sentimentos. Quantas vezes eu disse em lágrimas: – Espírito Santo, sinto muito a angústia que te causei. Mas, por favor, fica ao meu lado.
Algumas vezes eu disse ao Espírito, - Podes disciplinar–me, mas não me deixes! – Pois Deus castiga aqueles a quem ama. É como dizer: - Amo a você.
Creio que se a pessoa permanecer sem perdão, o Espírito do Senhor permitirá que atormentadores entrem nela. Foi isso que Cristo disse a Pedro quando o discípulo perguntou: “Senhor, até quantas vezes meu irmão pecará contra mim, que eu lhe perdoe? Até sete vezes? (Mt 18.21)”.
O Senhor respondeu: “Não te digo que até sete vezes mas até setenta vezes sete” (v.22). A seguir, Ele contou a parábola do credor incompassivo, que termina com a advertência: “Não devias tu, igualmente, compadecer-te do teu servo, como também eu me compadeci de ti? E, indignando-se, o seu senhor o entregou aos verdugos, até que lhe pagasse toda a dívida”. (vv. 33-34)
Cristo concluiu a parábola, dizendo: “Assim também meu Pai celeste vos fará, se do íntimo não perdoardes cada um a seu irmão” (v.35).
Isto indica que o Espírito Santo retirou-se permanentemente? Não. Apenas que Deus irá remover a sua mão protetora daqueles que não perdoam.
A pessoa que blasfemou totalmente contra o Espírito Santo fica cheia de demônios de Satanás. Mas se você perguntar: - Benny, você acredita que um demônio pode possuir o cristão cheio do Espírito Santo? – Eu repondo: - Absolutamente não!
Creio, porém, que a pessoa que fez uma confissão de fé em Cristo, mas não está vivendo para o Senhor, pode ser influenciada por demônios. Ela pode ser afligida e até oprimida pelos poderes das trevas, mas não possuída.
Pedro, por exemplo, disse: - O Senhor não vai morrer. – E Jesus respondeu: – Arreda! Satanás. – Pedro não estava possuído por Satanás, mas apenas influenciado. A diferença é enorme.
Jesus disse, através do Espírito, “De maneira alguma te deixarei, nunca jamais te abandonarei” (Hb 13.5). Essas, meu amigo, são as boas novas. Desde que Ele vai permanecer, é mais importante saber que o que Ele fará por nós do que o que Satanás fará contra nós.
Você não consegue fazer isso sozinho
Estou certo de que o seu maior desejo é amar a Deus de todo o seu espírito, alma e corpo. Mas por mais forte que seja esse desejo, é absolutamente impossível alcançar o seu alvo sozinho. É imperativo que diga: – Espírito Santo, estou pedindo que me ajudes.
Paulo escreveu à igreja de Roma: “Ora, a esperança não confunde, porque o amor de Deus é derramado em nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi outorgado” (Rm 5.5).
Nós certamente queremos amar a Cristo, mas isso é impossível a não ser que o Espírito nos dê um amor sobrenatural. E como você o recebe? Você diz, simplesmente: – Espírito de Deus, rendo-me a ti. – Mediante esse ato Ele irá inundar a sua alma de amor pelo Senhor.
Quanto mais profundamente você conhecer ao Espírito Santo, tanto mais irá conhecer a Jesus. Trata-se de algo automático . Por quê? Porque quando o Espírito está presente, Cristo é promovido. Jesus disse, “Ele me glorificará”. O Senhor jamais é posto de lado, pelo contrário, é empurrado para mais perto.
Paulo escreveu: “Agora, pois, já nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus, que não andam segundo a carne, mas segundo o Espírito”. (Rm 8.1).
Você compreende o que significa andar segundo o Espírito? Quando Ele diz: “Ore”, é isso que fará. Quando Ele diz: “Testemunhe”, é isso que deve fazer. Repentinamente, estará andando segundo o Espírito.
A alegria da liberdade no Espírito
Desobedecer é sentir condenação e depois culpa. Mas se você atender ao chamado d’Ele, conhecerá da alegria da liberdade no Espírito: “Porque a lei do Espírito da vida em Cristo Jesus te livrou da lei do pecado e da morte” (v.2) O legislador no Antigo Testamento era o Pai, mas no Novo Testamento é o Espírito Santo. Jesus deu os mandamentos através do Espírito (At. 1.2), assim como Deus dera antes a lei através de Moisés.
Sete revelações
Que alegria refletir sobre as vitórias descritas por Paulo em Romanos 8. Paulo expõe na verdade sete revelações específicas nos primeiros dezesseis versículos de sua carta.
A obra do Espírito talvez não seja tão claramente definida em qualquer outro ponto da escritura.
Há poder sobre o pecado. A primeira revelação diz que a lei do Espírito da vida o liberta do pecado e da morte (vv.1-2). Você terá domínio sobre o pecado.
Ele cumprirá a lei. “Porquanto o que fora impossível à lei, no que estava enferma pela carne, isso fez Deus enviando o seu próprio filho em semelhança de carne pecaminosa... A fim de que o preceito da lei se cumprisse em nós no que não andamos segundo a carne, mas segundo o Espírito”. O cumprimento da lei de Moisés produziu liberdade que agora temos no Espírito.
Ele lhe dará a mente de Deus. “Porque os que se inclinam para a carne cogitam das cousas da carne, mas o que se inclinam para o Espírito, das cousas do Espírito. Porque o pendor da carne dá para a morte, mas o Espírito, para a vida e paz. Por isso o pendor da carne é inimizade contra Deus, pois não está sujeito à lei de Deus, nem mesmo pode estar. Portanto os que estão na carne não podem agradar a Deus”. (vv.5-8).
Ele lhe dará justiça. “Vós, porém, não estais na carne, mas no Espírito, se de fato o Espírito de Deus habita em vós. E se alguém não tem o Espírito de Cristo, esse tal não é d’Ele. Se porém, Cristo está em vós, o corpo, na verdade, está morto por causa do pecado, mas o espírito é vida por causa da justiça”. (vv 9-10).
Ele dará vida ao corpo. “Se habita em vós o Espírito daquele que ressuscitou a Jesus dentre os mortos, esse mesmo que ressuscitou a Cristo Jesus dentre os mortos, vivificará também a vossos corpos mortais, por meio do seu Espírito que em vós habita.” (v. 11). Se você seguir os passos do Espírito Santo, será saudável. Seu corpo será vivificado. Nas palavras do profeta Isaías: “Os que esperam no Senhor renovam suas forças” (Is 40.31). Meu amigo, você não pode renovar suas forças sem o Espírito Santo, porque é Ele que vivifica o seu corpo mortal.
Ele trará a morte ao “eu”. “Portanto, irmãos, somos devedores, não à carne para vivermos segundo a carne; porque se viverdes segundo a carne, haveis de morrer; mas, se pelo Espírito mortificardes as obras do corpo, vivereis. Pois todos os que são guiados pelo Espírito de Deus, esses são filhos de Deus.” (vv.12-14).
Ele dará testemunho da sua salvação. “Porque não recebestes o espírito de escravidão para viverdes outra vez atemorizados, mas recebestes o espírito de adoção, baseados no qual clamamos: Aba, Pai. O próprio Espírito testifica com o nosso espírito que somos filhos de Deus” (vv. 15-16).
Versículo após versículo, Paulo diz que o Espírito é quem realiza a obra do Pai e do Filho. Fico vibrando cada vez que leio essas palavras gloriosas: “Pois todos os que são guiados pelo Espírito de Deus são filhos de Deus”. Deus não quer que você se desvie do caminho que Ele determinou. Ele não o criou para vê-lo falhar. Essa é a razão de não tornar-se indevidamente alarmado com a possibilidade de cometer o pecado imperdoável, blasfêmia contra o Espírito Santo.
O seu amor por Cristo supera tanto a influência de Satanás que a batalha já está ganha. O Espírito Santo está ansioso para começar com você um relacionamento profundo e pessoal.
Quando minha alma clamou com soluços sinceros que pareciam infindáveis, o Espírito aguardava pacientemente. O fardo d’Ele tornou-se meu e essa experiência me deu um desejo de almas que jamais diminuiu ou desapareceu.
Ele estava esperando para me dar poder, plenitude, justiça, uma vida guiada pelo Espírito, e muito mais.
E agora Ele está esperando por você.
Capítulo 12 – O céu na terra
Meus primeiros sermões em 1974 e princípios de 1975 não tinham muito conteúdo.
Eram basicamente o meu testemunho sobre a obra do Espírito Santo, de como Ele se tornara tão real para mim. Naqueles dias eu realmente não tinha muito conhecimento e havia tanto para aprender.
Seguindo a voz do espírito
Durante 1975, porém, ouvi a voz inconfundível do Espírito Santo, dizendo-me que estava na hora de começar a dirigir reuniões semanais em Toronto. Ele disse: - Siga-me. Ouça a minha voz e você levará muitos a Cristo.
Então comecei. Nas noites de segunda feira programamos uma série de cultos que continuariam a ser realizados nos cinco anos seguintes. O início foi no auditório de uma escola de primeiro grau e os ouvintes eram tantos que tivemos que mudar para um espaço maior. Centenas e centenas de pessoas compareceram.
Os cultos eram totalmente dirigidos pelo Espírito Santo e eu ouvia atentamente a sua voz. As pessoas eram libertas de vícios graves. Famílias eram reunidas. Tínhamos “filas de cura” e ouvíamos testemunhos de milagre. Mas os cultos sempre resultavam em salvação de almas.
Algo aconteceu então. As pessoas começaram a receber milagres, livramento e curas sentadas em seus lugares. Não havia filas para a “imposição de mãos” Deus começou a operar em todo o auditório, tão livremente que não havia tempo para ouvir todos os testemunhos.
A imprensa começou a prestar atenção. Nas primeiras páginas do Toronto Star, do Toronto Globe e do Mail, e outros jornais em todo o Canadá, surgiram reportagens sobre as “Campanhas de Milagres” que estávamos realizando.
Em dezembro de 1976, o Globe e o Mail enviaram um repórter a um dos cultos, a fim de descrever em detalhe o que estava ocorrendo. Ele escreveu sobre as curas e testemunhos e terminou com uma declaração feita por mim: “Não estou interessado em promover Benny Hinn. Não estou e jamais estarei. Jesus é quem deve ser promovido e exaltado. Queremos ganhar almas para o Senhor Jesus. Quero almas, almas e almas. Vocês compreendem isso, meus amigos?”.
Sob a manchete. “Cura pela fé realmente funciona”, o Toronto Star apresentou quatro casos de pessoas curadas em nossos cultos. Ele falou sobre um trabalhador de uma fábrica da GM em Oshawa que tinha câncer na garganta. “Nesta semana, depois de um exame na clínica de câncer, ele ficou sabendo que não existe mais qualquer traço da doença”.
Contou também a história de um caminhoneiro de Beaverton: “Ele não era membro de igreja, sofria de um problema cardíaco e um leve enfisema (moléstia do pulmão) há sete anos, sendo persuadido por amigos a comparecer a uma cruzada de cura. “Fui ao médico três dias mais tarde e ele me disse que não encontrou nada de errado”, afirmou. Deus deve ter feito isso”.
E os médicos d’Ele? O repórter citou um como tendo dito: - Olhe, há mais coisas acontecendo neste mundo do que nós temos conhecimento.
As emissoras de TV começaram a apresentar documentários sobre o que Deus estava fazendo. A Canadian Broadcasting Corporation (CCB), a Global TV e a poderosa estação independente de TV em Toronto, canal 9 produziram especiais. Nós tínhamos o nosso próprio programa de televisão que foi apresentado em horário nobre por um ano e meio.
Um táxi amarelo em Pitsburgh
Não foi fácil para mim deixar a cidade de Toronto em 1979. Eu tinha sido salvo, curado e tocado pelo poderoso Espírito de Deus nessa cidade. A imprensa não tinha nada além de boas notícias a informar sobre o ministério. Mas eu havia prometido seguir a orientação do Espírito de Deus.
Eu sabia que Ele queria que eu construísse uma igreja e estabelecesse um ministério internacional. Ele me disse isso anos antes, em 1977. Lembro-me exatamente quando aconteceu. Eu estava em Pittsburgh, num grande táxi amarelo quando tive uma conversa com o Espírito a esse respeito. Ele disse sobre o ministério: – Vai tocar o mundo!
Fiquei pensando: - Onde será? Nova Iorque? Los Angeles? – Mas, como você sabe, o Espírito tem um método surpreendente de guiar o indivíduo.
Em julho de 1978 viajei para Orlando, na Flórida, para falar com o Pastor Roy Harthern. Ele me contou que sua filha Suzanne estava freqüentando o Evangel College em Springfield, Missouri. Como era solteiro, fiquei logo interessado.
Convidei-me para passar o Natal com eles e Suzanne chegou nos feriados. Da primeira vez que a vi, o Senhor disse: - essa é a sua mulher. – Justamente assim! Eu senti isso e ela também.
Mas eu precisava de uma certeza e comecei a pedir “sinais” a Deus.
Pedi “provas” e obtive várias. Será apenas uma coincidência? Ou Deus quer realmente que me case com essa jovem?
Tentei então um último sinal – bem difícil.
Eu estava voltando de avião para Orlando vindo de San Jose, na Califórnia, no dia 1 de janeiro de 1979. Fiz uma viagem rápida para essa cidade, a fim de pregar num culto de Véspera de Ano Novo. Tive uma conversa com Deus no avião. Eu disse: - Se ela deve ser realmente minha esposa, faça com que me diga ao nos encontrarmos: “Fiz uma queijada para você”. – Essa foi a prova mais difícil em que eu pude pensar.
Suzanne foi buscar-me no aeroporto e suas primeiras palavras foram: - Benny, fiz uma queijada para você. – E prosseguiu: - Não espere muito, nunca fiz uma queijada antes.
Ficamos noivos dentro de duas semanas e nos casamos mais tarde naquele mesmo ano.
Com o passar do tempo, todos os sinais apontavam para Orlando, Flórida, como lugar em que começaríamos um ministério mundial. Com apenas um punhado de pessoas, o Centro Cristão de Orlando foi inaugurado em 1983. Ele agora toca a vida de milhares de pessoas todas as semanas, além de ter uma audiência televisiva nacional.
Ele não é um promotor
Para ser sincero, eu não tinha idéia do rumo que minha vida tomaria quando comecei meu relacionamento com o Espírito Santo. Tudo o que eu sabia é que Ele era real e desejava comunhão comigo. Ele queria ser meu mestre e meu guia.
Aprendi, porém, o seguinte:- O Espírito Santo jamais promove a si mesmo. Ele promove Jesus. Ele jamais criará uma posição exaltada apenas para Si, mas dará a honra ao Senhor.
Aprendi também que o Espírito não é a fonte dos dons de Deus. É Ele quem ajuda você receber do doador, que é Deus. É Ele também que ajuda você a receber Deus Filho como Salvador e Senhor.
A sua reivindicação sobre o Espírito
Até mesmo o incrédulo sente o poder do Espírito Santo! Falei com centenas de pessoas sobre sua experiência de conversão e muitas me disseram: - Alguma coisa que eu não podia explicar estava acontecendo. Eu me sentia constrangido sobre certas coisas que fazia. Era o poder de condenação do Espírito.
O Senhor me disse: - “O meu Espírito não permanecerá para sempre no homem” (Gn 6.3). Há uma “luta” íntima quando o Espírito Santo tenta fazer com que você admita que precisa do Senhor. Essa a razão das pessoas se sentirem tão constrangidas na presença de Deus antes de serem salvas.
O Espírito é, na verdade, uma testemunha de Jesus! “Quando, porém, vier o Consolador, que eu vos enviarei da parte do Pai, o Espírito da verdade, que d’Ele procede, esse dará testemunho de mim” (Jo 15.26). O propósito vital do Espírito é levar as pessoas a Cristo.
O Espírito condena e convence. Encontrei pessoas que ao sair de uma reunião evangélica sentiram-se literalmente “perseguidas” pelo Espírito. Elas se sentiram miseráveis em seus pecados. Era como se os seus corações as estivessem puxando. O Espírito não deixou ir até que se tivessem reconciliado com Deus através de Seu Filho.
Ele entrará em sua mente e apresentará a verdade da Escritura, convencendo a você da validade do evangelho.
Depois de você ter entregado o seu coração a Cristo, Ele continua ali, ajudando a você a dar testemunho do Senhor. O profeta Miquéias escreve:
“Eu, porém, estou cheio do poder do Espírito do Senhor, assim como de justiça e de coragem, para declarar a Jacó a sua transgressão e a Israel o seu pecado” (Mq 3.8).
Ele dá a você o poder para falar. De fato, é inútil tentar proclamar a palavra de Deus sem que o Espírito Santo esteja em seu interior.
“Ajude-me” Espírito Santo, esteja em meu interior.
“Ajude-me”!
Quando você diz: - Espírito Santo, ajude-me a conhecer Jesus, - Ele não o desaponta. Ele está sempre pronto a ajudar. Ouça o que o salmista diz: “Não me repulses da tua presença, nem me retires o teu Santo Espírito” (Sl 51.11). Logo a seguir ele diz:
“Restitui-me a alegria da tua salvação, e sustenta-me com um espírito voluntário” (v.12).
O Espírito Santo está disposto.
Toda vez que você diz: - Ajuda-me, - Ele responde: - Vou ajudar.
Quando você diz: - Ensina-me, - Ele responde: - Estou pronto.
E quando você diz: - Ajuda-me a orar, - Ele diz: Comecemos.
Ele está presente, dando-lhe o desejo de orar. Ele é quem faz nascer a vontade de falar do Pai e o Filho. Paulo escreveu estas poderosas palavras: “Por isso vos faço compreender que ninguém que fala pelo Espírito de Deus afirma: Anátema Jesus! Por outro lado, ninguém pode dizer: Senhor Jesus! Senão pelo Espírito Santo” (1 Co 12.3). Quando você canta “Ele é o Senhor” e diz isso com sinceridade , essa é uma prova de que o Espírito Santo está em seu interior. Ele está usando a você para proclamar que Jesus Cristo é o Senhor em todo o mundo!
No momento em que você confessa a morte, sepultamento e ressurreição de Cristo, você passou no teste do Espírito. A bíblia diz: “Nisto reconheceis o Espírito de Deus: todo espírito que confessa que Jesus Cristo veio em carne é Deus: e todo espírito que não confessa a Jesus não procede de Deus” (1 Jo 4.2-3). E também: “Nisto reconhecemos a espírito da verdade e o espírito do erro” (v.6).
A sua salvação está bem no centro da obra do Espírito Santo.
É na verdade Ele quem insere você na família de Deus. Paulo escreve: “Pois todos os que são guiados pelo Espírito de Deus são filhos de Deus. Porque não recebestes o espírito de escravidão para viverdes outra vez atemorizados, mas recebestes o espírito de adoção” (Rm 8.14-15).
Esta é a maneira como você expressa isso: baseados n’Ele “clamamos: Aba, Pai! O Espírito mesmo testifica com o nosso espírito que somos filhos de Deus; e, se filhos, também herdeiros, herdeiros de Deus e co-herdeiros de Cristo; se é certo que com ele padecemos, para que também com ele sejamos glorificados.” (vv.15-17).
Entregue para adoção
O Espírito olhou para você e viu um órfão. Ele disse: - Vou adotá-lo. – Ele é seu Pai. Por quê? Porque Ele é o Espírito do Pai. Você se lembra da música de Dottie Rambo?:
“Espírito Santo, Tu és bem vindo neste lugar!” Ela foi inspirada a escrever O Pai Onipotente de misericórdia e graça. “É isso que o Espírito é”.
Sem Ele, é impossível aproximar-se do Pai. Paulo afirma: “Porque por ele ambos temos acesso ao Pai em um mesmo Espírito” (Ef 2,18). Através de quem? Através de Jesus, tanto judeus como gentios podem aproximar-se de Deus pelo Espírito Santo.
Esta é a parte mais importante de todas. A bíblia diz que o Espírito Santo lhe foi dado como uma garantia da vida eterna. “Tendo Nele crido, fostes selados com o Santo Espírito da promessa; o qual é o penhor da nossa herança até o resgate da sua propriedade, em louvor de Sua glória” (Ef 1.13-14).
Não há dúvidas a respeito. O Espírito Santo está preparando você para o céu. Se está convencido de que Ele habita em seu interior, você não deve então ficar duvidando se já nasceu de novo. Não deve ficar na dúvida se o seu lar é no céu e jamais deverá ficar hesitante sobre o fato de ter ou não a vida eterna.
Vou explicar. Se amanhã de manhã você entrar numa loja, escolher algumas roupas e um par de sapatos, mas não tiver todo o dinheiro, você vai até o gerente e combina pagar uma parte da compra e o restante na semana seguinte. O seu nome fica na nota fiscal e você leva o recibo para a casa. Na outra semana vai buscar suas compras e paga o resto da dívida.
Foi isso justamente que Jesus fez quando veio e lhe deu o Espírito Santo. A única diferença é que Ele pagou todo o preço no Calvário. Veja o que Ele diz: - Paguei pela sua vida, mas estou pagando também uma prestação inicial que garante que ela é minha. – Ele enviou o Espírito Santo: e, se você o tiver, está a caminho da glória.
Quando Cristo voltar, Ele vai levar você para casa. Dá até vontade de gritar de alegria. Você é bem comprado pelo Senhor. Por esse motivo, você pode dizer na cara feia de Satanás: - Não toque em mim. Eu pertenço a Cristo! – Não tenha medo de usar a palavra. Mande-o embora e ele fugirá de você.
Você tem o Espírito Santo. Um “penhor” da sua herança. Por que Ele foi dado como um pagamento adiantado? Paulo diz: “Cristo nos resgatou da maldição da lei, fazendo-se ele próprio maldição em nosso lugar, porque está escrito: Maldito todo aquele que for pendurado no madeiro" (Gl 13.13). A seguir ele escreveu esta maravilhosa mensagem:
Ele nos remiu “para que aos gentios viesse a bênção de Abraão em Jesus Cristo, a fim de que nós recebêssemos pela fé a promessa do Espírito” (v.14).
Em vista de Cristo ter-se tornado maldição foi dado como prometido.
Você precisa de ajuda
A partir do momento em que você aceita a Jesus como Salvador, o Espírito lhe dá a vontade, a força e o desejo de obedecer a Deus e viver a vida cristã. Sem Ele, isso é impossível.
O apóstolo Pedro lhe diz: “Tendo purificado as vossas almas, pela vossa obediência à verdade, tendo em vista o amor fraternal não fingido, amai-vos uns aos outros ardentemente”. (1 Pe 1.22).
A razão das pessoas, até mesmo os cristãos, falharem é por dependerem de suas próprias forças. Você não pode obedecer a Deus dizendo: - Vou fazer isso sozinho. – Quantas vezes você disse: - Vou orar – mas não orou. Ou, - Vou ler a palavra – mas esqueceu. Por quê? Porque estava dependendo da sua própria mente. Você dependeu da carne, e ela irá falhar continuamente.
Ele lhe dará força e vida, mas o Espírito lhe dará uma outra coisa igualmente importante. Ele lhe dará repouso. Isaías disse: “Como ao gado que desce ao vale, o Espírito do Senhor lhes deu descanso; assim guiaste o teu povo, para te fazeres um nome glorioso” (Is 63.14).
Pouco depois de começar a pregar o evangelho, encontrei David Duplessis. Ele era conhecido como “Sr. Pentecostes” por causa de suas apresentações do Espírito Santo aos líderes religiosos mundiais. Era um carismático antes de qualquer um saber o significado desse termo.
Eu estava andando pelo mesmo corredor que esse homem consagrado numa conferência em Brockville, Ontário, quando tomei coragem para fazê-lo parar e lhe fiz uma pergunta. Nervosamente indaguei: - Dr. Duplessis, como posso agradar a Deus realmente?
O velho homem, que está agora com Jesus, parou , colocou a mão na pasta, colocou o dedo no meu peito e me empurrou contra a parede. Eu certamente não esperava isso de um frágil pregador. Tudo o que disse foi: - Como posso agradar a Deus? – e ele me prendeu contra a parede. Disse em seguida duas palavras que nunca esqueci: “Não tente!” Pegando depois a sua maleta continuou a andar. Alcancei-o e disse: - Dr. Duplessis, não entendo.
Ele voltou calmamente para mim, declarando: - Jovem, não é a sua capacidade, mas a capacidade d’Ele em você.
Quando entrei em meu quarto, continuava confuso. Deitei na cama e pensei sobre aquelas palavras. “Não é a sua capacidade, mas a capacidade d’Ele em você”.
Naquele momento eu nem sabia o que orar, mas o Espírito começou a esclarecer a verdade dessas palavras para mim. Como posso agradar a Deus? Entregando-me! Não tentando sequer agradá-lo. Foi como o Sr. Pentecostes disse. O Espírito Santo fará a obra. Na é a minha força, mas a d’Ele. Caso contrário, eu me gabaria dos meus próprios feitos.
O toque de Deus
Quando você encontra a Jesus face a face, não dirá: - Senhor, olhe o que eu fiz. – Você dirá: - Senhor, olhe o que fez com este homem miserável. – Comece a praticar. Abra os braços e diga: - Espírito do Deus vivo, quero viver para Jesus hoje; Dou-te a minha mente, minhas emoções, minha vontade, meu intelecto, meus lábios, minha boca, meus ouvidos e os meus olhos – usa-os para a glória de Deus.
Quando acordo e faço esse tipo de oração, a unção me inunda como um oceano na maré cheia. No momento em que me rendo totalmente, Deus começa a fluir através do meu ministério. Nada menos que isso é suficiente.
Imaginei muitas vezes porque, em minhas reuniões, o Espírito me leva freqüentemente a orar pedindo cura. Também fico me perguntando por que meu ministério tem sido acompanhado por pessoas que caem sob o poder do Espírito Santo. Mas, quando observo o resultado das reuniões, vejo que toda a manifestação do Espírito tem um só propósito : levar pessoas a Cristo.
É uma demonstração de que Deus está vivo, que Ele continua se movendo na vida dos homens. Já vi milhares de pessoas caindo literalmente sob o poder do Espírito, e acredito que um pequeno toque de poder de Deus foi tudo o que sentiram. Isso demonstra, no entanto, a força impressionante do Todo poderoso e atrai as pessoas para o Salvador.
Ser curado ou até “morto no Espírito” não e um pré-requisito para o céu. Só há uma porta – Cristo, o Senhor. Jamais desvie a atenção do propósito do Espírito ma terra. Ele é o Espírito do Pai e o Espírito do Filho, levando as pessoas a confessarem que Cristo é o Senhor.
Desde o início do meu ministério, jamais cessei de admirar-se com o poder do Espírito Santo. Ele é amável, mas é poderoso.
“Seca a erva, e caem as flores, soprando nelas o hálito do Senhor. Na verdade o povo é erva” (Is 40.7).
A personalidade do Espírito Santo não é fraca. Quando era ainda um cristão novo e um ministro também novo, muitas vezes fiquei parado olhando o Senhor trabalhar. Sabia que não era eu que tocava as vidas, mas a soberania de Deus e a operação do Espírito. Eu apenas observava admirado.
Acho que nunca tive tanto medo na vida como naquela noite de domingo, em abril de 1975. Ali estava eu na plataforma de uma pequena igreja pentecostal na zona oeste de Toronto quando meus pais – Costandi e Clemence – entraram pela porta.
Meu coração quase parou e podia sentir o suor escorrer pela testa. Meu pior pesadelo não se comparava àquilo. Fiquei petrificado, demasiado surpreso para rir e excessivamente chocado para chorar.
O que eles devem estar pensando?!
Eu já estava pregando há cinco meses, mas meus pais não sabiam disso. A tensão em nossa casa, por causa do Senhor, já era péssima sem que eu desse essa notícia. Mas eles viram o anúncio que o pastor colocara no jornal e foram até a pequena igreja.
Eu nem podia olhar na direção deles. No momento, porém, em que abri a boca para pregar, a unção do Espírito Santo encheu o prédio. Ela era tão forte que as palavras começaram a fluir de meus lábios como um rio. Achei-me “ouvindo” o que o Espírito me guiava a falar.
Quando estava para terminar a mensagem, senti-me levado a ministrar às pessoas que precisavam de cura. Pensei: - O que meus pais devem estar achando disso? – Eles então se levantaram e saíram porta afora.
- Jim – eu disse depois do culto, - você precisa orar! – Jim Poynter estivera comigo naquela noite na plataforma e conhecia a gravidade da situação. Cheguei até a pensar em passar a noite na casa dele para evitar o confronto inevitável.
Em lugar disso, no carro, comecei a rodar pelas ruas de Toronto. Refleti: - Se chegar em casa no meio da noite, meus pais estarão dormindo. – Passava das duas horas quando estacionei silenciosamente defronte a casa e desliguei o motor.
Subi pé-ante-pé os degraus e abri devagar a porta. Fiquei assustado com o que vi.
Sentados no sofá, na minha frente, estavam os meus pais.
Eu tinha ficado em pânico quando os vi entrar naquela igreja, mas isto era pior ainda. Meus joelhos começaram a tremer e procurei um lugar para sentar-me.
Meu pai foi o primeiro a falar e mal pude acreditar em meus ouvidos.
Filho, - disse suavemente, - como posso tornar-me como você? Será que eu estava ouvindo bem? Seria aquele o mesmo homem que ficara tão ofendido com a minha conversão? O pai que proibira absolutamente que o nome de Jesus fosse pronunciado em casa?
Queremos realmente saber: - continuou ele, - como podemos ter o que você tem?
Olhei para a minha querida mãe e vi lágrimas começando a correr pelo seu rosto tão lindo. Não pude conter minha alegria naquele momento. Comecei a chorar. E durante a hora seguinte daquela noite inesquecível abri a escritura e levei meus pais ao conhecimento do Senhor Jesus Cristo.
Meu pai disse: - Benny, você sabe o que me convenceu? – contando então que, quando comecei a pregar, ele se voltara para a minha mãe e dissera: - Esse não é o seu filho. O seu filho não pode falar! O seu Deus deve ser real. – Ele não sabia que eu fora curado da minha gagueira.
A conversão maravilhosa de meus pais permitiu que o Senhor varresse literalmente o resto da minha família. Henry apareceu e foi salvo. Meu irmãozinho Mike nasceu de novo. Depois aconteceu com Chris. Se você já ouviu falar da “salvação de uma casa” sabe então como foi.
A casa dos Hinn se transformou num “céu na terra”! E a mudança não foi temporária. Foi uma obra permanente do Espírito. Chris, Willie, Henry, Sammy e Mike estão hoje totalmente envolvidos no ministério. Mary e Rose são cristãs dedicadas que vivem para o Senhor. E Benny? Você já sabe o que aconteceu com ele.
As primeiras coisas em primeiro lugar.
Da mesma forma que o Espírito Santo tocou minha vida e atraiu meus pais para Cristo, Ele quer isso para você. A maior obra do Espírito não é levá-lo a um êxtase celestial na terra. Isso pode acontecer, mas o Seu propósito é convencer do pecado e guiar as pessoas a Jesus.
Enquanto lia este livro, você pode ter dito: - Quero isso! Quero ter uma relação pessoal e excitante com o Espírito Santo! - Mas, está pronto para ela? O que me aconteceu na noite em que o Espírito entrou em meu quarto não foi o primeiro passo. Tudo começou muito antes. Você precisa pôr as primeiras coisas em primeiro lugar e subir cada degrau da sua escada espiritual.
Meu amigo, se você nunca pediu a Cristo para entrar em seu coração, este é o momento. Trata-se do passo mais importante que você vai dar em sua vida. Diga agora: - Jesus, confesso que sou um pecador. Creio que o Senhor é o filho de Deus e que derramou o Seu precioso sangue na cruz por mim. Perdoe o meu pecado. Purifique o meu coração de toda injustiça. Agradeço ao Senhor por salvar-me agora. Amém.
Se tiver feito essa oração com sinceridade, está pronto para começar uma nova vida no Espírito. Ao orar, cada dia, leia a palavra de Deus e conte aos outros sobre o Seu amor. Você sentirá a orientação maravilhosa de Deus.
Cheguei à conclusão que sou inteiramente dependente do Espírito Santo. Ele é tudo o que tenho, Ele é tudo o que você tem. Jesus prometeu e Deus o enviou para que você pudesse ter conhecimento, poder, comunhão, e confraternização. Ele irá ungir a você, ajudá-lo, soprar sobre você, consolá-lo, dar-lhe descanso, orientar e guiar você, ajudá-lo a orar e muito mais.
Ele está esperando para começar um relacionamento que mudará para sempre a sua vida. Mas cabe a você fazer o convite.
Quando o sol levanta de manhã, Ele estará ansioso para ouvi-lo dizer: - Bom dia, Espírito Santo.



F I M

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